sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

MARKETING FUTEBOL CLUBE – por Gustavo Cavalheiro

Como diz a famosa música: “...Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor...”.

O século 21 parece que demorou 8 anos, mas enfim chegou de vez ao futebol brasileiro. Os investimentos voltaram à mesa dos clubes nacionais em uma semana movimentada.

No aspecto do marketing e business, nós tivemos uma segunda-feira marcada pelo lançamento da Arena Palestra Itália – um negócio do Palmeiras, da Amsterdam Arena e da construtora W.Torre que contará com investimentos do Banco Santander e demais investidores, que construirão a partir de 2008 um estádio moderno pela bagatela de R$ 250 milhões.

Na terça-feira, a diretoria palmeirense confirmou, na coletiva do Luxemburgo, a forma de gestão da parceria com o fundo de investimento (desta vez levado ao CVM – Conselho de Valores Monetários, um fundo que chega com algo bem diferente da MSI: credibilidade!) formatado pela empresa de marketing esportivo de J.Hawilla a Traffic.

Na realidade os R$ 45 milhões não sairão dos bolsos da Traffic, como muitos pensaram e até noticiaram, mas de investidores como os donos de empresas diferentes do “meio esportivo” que estão interessados nessa especulação, quase como numa bolsa de valores com bens duráveis chamados jogadores de futebol de lastro.

Atualmente os donos do Hospital São Luiz, o supermercado Sonda entre outros, perceberam que investir em futebol e especialmente nos jogadores é um ramo muito mais rentável que seus negócios de origem. Marcelo Teixeira parece que ainda não aprendeu que investir em futebol, não é descapitalizar os negócios da família para injetar num clube do coração.

Vocês sabiam que no biênio 2006/2007 o mercado de exportação de jogadores de futebol trouxe mais divisas ao Brasil que o tradicionalíssimo mercado de exportação de café, por exemplo? Quem diria que vender jogador é melhor que cultivar café – um dos produtos líder e símbolo do país no exterior na balança econômica.

Fechando a semana tivemos um Tsunami de investimento nos clubes. Vasco da Gama volta a vender espaço na sua camisa depois de anos sem um parceiro (que não seja um de ocasião) e acertou com o Habib’s por R$ 3 milhões/ano.

Tirando-se o fato da gafe da apresentação ter sido realizada em uma churrascaria, o Vasco começa a remover a pecha de ter um marketing ineficiente por conta dos desmandos do seu dirigente-mor. Os bons tempos parecem ter chegado à Colina.

Pelos lados do Palestra Itália, Belluzo e a turma do Muda-Palmeiras, muito criticados esse ano até por mim, mostraram que estavam certos e trabalhando nos bastidores. Os resultados apareceram no patrocínio de camisa. O Palmeiras de R$ 7 milhões/ano da Pirelli passará a receber R$ 19 milhões/ano da Fiat com um patrocínio completo, que pela primeira vez insere a base como forma de exposição da marca ativando ações econômico-sociais.

O Corinthians, na mesma super-quinta, fechou um patrocínio de camisa com a empresa Medial Saúde que tem grande intenção de ampliar sua visibilidade em São Paulo e se tornar líder, assim como a Unimed fez no Rio de Janeiro.

Os R$ 16,5 milhões fizeram o patrocinador abandonar a cor original da empresa, o verde, e adotar a cor preta na camisa do Coringão, lembrando o que fez a Coca-Cola na camisa gremista na Copa União, em que o clube negou-se a estampar a cor do maior rival em sua camisa.

Com esse giro do mercado o maior “prejudicado” (quem diria?) é o Penta-brasileiro tricolor paulista que em menos de 12h deixou de ser a camisa mais cara do estado e foi suplantado pelos seus dois rivais. Sendo que a revisão contratual da LG já foi realizada em 2007, mas acredito que a diretoria vai se mexer por uma nova revisão.

Conforme divulgado pelo Estadão, os novos preços das camisas dos clubes brasileiros são:

Palmeiras: Fiat - R$ 19 milhões/ano
Corinthians: Medial - Saúde R$ 16,5 milhões/ano
Flamengo: Petrobrás - R$ 15,7 milhões/ano
São Paulo: LG - R$ 15 milhões/ano
Fluminense: Unimed - R$ 14,4 milhões/ano
Santos: Semp Toshiba - R$ 8,5 milhões/ano
Botafogo: Liquigás (BR Petrobrás) - R$ 8 milhões/ano
Cruzeiro: Construtora Tenda - R$ 6 milhões/ano
Vasco: Habib’s - R$ 3,6 milhões/ano
Atlético Mineiro: MRV Engenharia - R$ 3,5 milhões/ano


Na parte das empresas fornecedoras de material esportivo a semana foi de boataria também, diziam no começo da semana que o Corinthians deixaria a Nike e já teria recebido uma forte proposta da Olympkus (que sempre fugiu do futebol, mesmo achando inevitável que esse dia chegasse), além de outras da Puma e da DalPonte. Na noite do anúncio da Medial, Andrés Sanches confirmou a Nike até o fim do seu contrato em 2009. O Palmeiras já informou que não renovará com a Adidas para 2009.

Por enquanto a grande novidade é uma empresa estrangeira que mostra suas pretensões de firmar campo no Brasil e está disposta a abrir os bolsos, a italiana Lotto, que já em 2008 pretende ter pelo menos 2 times do clube dos 13 em seu portifólio. Será?

Parece que os bons tempos de vendas de jogadores por preços altos (vide Breno), de parcerias fortes e investidores interessados em fortalecer as marcas do futebol voltaram, basta saber se as novas diretorias estão totalmente preparadas para gerir esse novo derrame de dinheiro no futebol brasileiro, talvez o primeiro sintoma da Copa de 2014.

Parece que o próximo assunto da pauta do marketing esportivo é um velho campeão de bilheteria das novelas da imprensa: direitos de transmissão de televisão.

Depois de um bom tempo congelado num contrato de televisão marcado pelo adiantamento de verbas a fim de assegurar seus contratatos, o ano de 2008 será de muita negociação entre Globo, Record e Clube dos 13. Um trailer desse “pega-pra-capar” será a negociação da FBA (detentora dos direitos da série B) x Corinthians x Tvs.

Quem viver verá e 2008 é um ano que promete!