sábado, 8 de março de 2008

PRAZER EM CONHECER, ME CHAMO ESPORTE FEMININO - por Gustavo Cavalheiro

Hoje dia 8 de março, dia internacional da mulher, vale a pena fazermos uma reflexão mais aprofundada sobre a condição e o tratamento dado às mulheres que praticam esporte, na mídia e principalmente na organização desportiva.

Muitas mulheres passam por dificuldades maiores, que as dos seus pares do sexo masculino, no desenvolvimento de sua carreira esportiva profissional, graças as diferenças de tratamento para com as suas conquistas e marcas.
Mesmo enchendo arenas e quadras com um público ávido na disputa de suas modalidades, a contra-partida monetária é gritante. Alguns esportes as mulheres apresentam resultados muito superiores aos homens, mesmo assim os patrocinadores e a mídia fingem não ver o sucesso esportivo e até como produto de consumo.


Nos últimos anos a mostra mais clara desse descaso sexista está no desprezo da CBF com as garotas do futebol feminino. Com resultados superiores aos homens desde 2002, as garotas da seleção brasileira rezam e imploram por um campeonato nacional que seja digno de seu desempenho esportivo e capitalize um pouco desse sucesso para evitar que elas tenham de imigrar para países como Suécia, Alemanha ou EUA para poder sobreviver do seu esporte.
Mas essa não é uma exclusividade brasileira, nem mesmo do futebol. Nos EUA após quase 30 anos de luta, a liga de basquete feminino conquistou espaço e respeito de todos. A receita foi simples: a mesma seriedade, organização e respeito da NBA com o público, mídia e principalmente com as atletas. Como dizem as jogadoras do Los Angeles Sparks, time bicampeão mundial feminino sediado em Los Angeles, elas proporcionam tanto “espetáculo” em qualquer dia de jogo no luxuoso Staples Center quanto os homens do Lakers, o time da Associação Nacional de Basquete (NBA), que patrocina o Sparks. "Quando você entra no Madison Square Garden para ver o New York Liberty, você pára e diz, ‘isso é basquete feminino profissional!'", diz uma ex-atleta dos períodos pré-WNBA.
Não devemos isentar os americanos de culpa no ponto em que submeteram as mulheres a um papel inferior e muito ultrajante no contexto e cultura do esporte, colocando-as como cheerleaders, utilizando do expediente rasteiro de explorar a sexualidade das mulheres para entreter o público nos intervalos das partidas masculinas. Este mesmo expediente é repetido a exaustão pela mídia brasileira em classificar as atletas mais belas como musas, em detrimento a sua capacidade atlética. Sem contar com anos da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) que abusou em criar uniformes cada vez mais sumários e apertados para delinear os corpos das atletas.

Passou da hora da sociedade dizer não a esse tipo de baixeza intelectual e apelo banal pela transformação da atleta profissional em símbolo sexual e apontarmos com destaque, no mínimo igual ao masculino, os sucessos e fracassos esportivos das nossas atletas.
Nada mais, nada menos.
Querem um exemplo de diferença entre o destaque dos resultados entre homens e mulheres na mídia?
Todos nós concordamos que Guga Kuerten é um mito do esporte, mas você conhece Maria Esther Bueno?

Maria Esther Bueno - Tenista brasileira
Nasc.: 11/10/1939

Em 20 anos de carreira ganhou 589 torneios
Primeira do Ranking mundial de 1959 até 1966

Declarada campeã mundial em 59, 60, 64 e 66. Na época não havia o torneio Masters para definir o campeão da temporada.
Octacampeã de Wimbledon: Individual (59,60 e 64); Duplas (58,60,63,65 e 66)
Heptacampeã do US Open: Individual (59, 63, 64 e 66); Duplas (60,62 e 68)
Tricampeã do aberto da Itália: (58, 60 e 65)

Conquistou o Grand Slam em 1960 com conquistas em duplas na Austrália e na França.

Assim como Guga, encerrou sua carreira acabou prematuramente em 1974, por causa de sucessivas contusões. No final dos anos 60 era uma época em que não havia o tie-brake.
Em uma partida Maria Esther perdeu para Billie-Jean King depois de jogar 10 horas seguidas.
Em 1978 teve seu nome incluído no Hall da Fama do Tênis Internacional