terça-feira, 18 de março de 2008

ZIDANE NO BRASIL - por Gustavo Cavalheiro

Nem a queda do dólar, a alta do petróleo ou a manifestação pela libertação do Tibet! Nada me chamou mais atenção nesse fim de semana que o ótimo convite de ver Zinedine Zidane atuando em solo brasileiro.

Estava lá no clube Paineiras, em nome do nosso ESPORTE ACONTECE e em seu nome. Pude comprovar a olhos vistos aquilo que eu tinha certeza, Zidane é mortal, mas é COM CERTEZA um fora de série.

Mesmo acometido de uma terrível gripe, confidenciada por uma integrante da produção do evento, Zinedine não se furtou a dar espetáculo em cada toque na bola com maestria e extrema precisão.

O evento, patrocinado pela marca Adidas, foi muito bem organizado, contou com a inauguração de uma quadra de futsal na Favela de Heliópolis com a presença de muitos políticos (papagaios de pirata) e paparazzi que invadiram a área reservada na intenção de tirar uma foto e pedir um autógrafo ao craque francês. No Paineiras, a infra-estrutura favorecia a coletiva e o deslocamento do mito nos bastidores.
Acompanhado de sua esposa e dois filhos, Zinedine foi muito amável e atencioso com todos. Respondeu com muita paciência, várias vezes, sobre a polêmica final de 2006 (incidente com Materazzi), falou também sobre os jogos contra o Brasil em 1998 e 2006, demonstrando muito respeito e apreço ao futebol brasileiro.

O ambiente no evento era propício para uma grande festa: todos trocaram seus quilos de alimentos perecíveis (totalizando mais de 8 toneladas doadas) por camisetas azuis com o rosto do grande anfitrião. Muitas famílias compareceram, mas foi interessante ver as crianças entusiasmadas com aquele “senhor” que elas conhecem das tardes de Champions League na TV ou de seus vídeogames preferidos.
O mito estava ali, simples e sublime. Num Olímpo do Futebol Arte: Rivelino, Djalminha, Manoel Tobias, Fininho e alguns outros ousaram atrair holofotes maiores que o francês no decorrer da partida.
Em vão, pois por melhor que estes e outros jogassem (e jogaram sim!), todos os olhos procuravam Zidane.Seus toques de mestre entusiasmaram jovens corações de todas as idades.
Um dia célebre para a cidade de São Paulo que viu o maior de todos desfilar nas décadas de 60 e 70 como um rolo compressor. Zidane honrou cada expectativa e mostrou que pertence à Corte dos Supremos Artistas da Sua Majestade, a Bola.

O resultado do jogo? Foi o que menos importou, até por que esqueceram de avisar ao Manoel Tobias que era um jogo de exibição.