sexta-feira, 30 de maio de 2008

Meninos, eu vi! - por Gustavo Cavalheiro

Começarei pelo fim: é mais fácil. Obrigado, muito obrigado!

Posso garantir que não sou daqueles tiozinhos, que dizem ser testemunhas do primeiro treino do Garrincha. Aquele famoso treino que deveria ter sido realizado nuns 3 Maracanãs para caber suas milhares de testemunhas confessas, mas tenho a sorte de ser um amante do esporte há muito tempo e ter visto muitas coisas.

Lembro que tinha uma foto do André Agassi (cabeludo e de bandana) no material da escola e achava “O máximo” aquele cara com jeitão do David Lee Roth nas quadras, contra os arrumadinhos de branco com camisa dentro do short . Adorava ver o McEnroe xingando o juiz central, o de linha, a torcida, a mãe e até o Papa.

Não sou um tiozinho falastrão, mas posso dizer com riqueza de detalhes que acompanhei o nascimento de um mito. Eu lembro como se fosse ontem, que naquele semestre eu estava na faculdade, num estágio na agência experimental e lá tínhamos uma Televisão com VHS. (Você sabe, aquilo que precedia YouTube e o DVD). Eu tinha de estar lá sempre a partir das 13h e comecei a chegar cada vez mais tarde e mais tarde... só saia de casa depois dos jogos de Roland Garros.

Admito, sou um cara estranho que também acompanha Volta da França e até a da Itália antes do Lance Armstrong, todos os Superbowls, Judô, Mundial de par ou ímpar e que tais. Já passei uma semana vendo ESPN, que na época era Canal +, sem parar, curtindo os Mundiais de Boliche e propagandas de Budweiser sem dublagem.

Mas nesse caso específico, era irresistível torcer para o brasileiro que parecia a re-encarnação do Agassi cabeludo e com um uniforme ainda mais louco que os pretos tigrados que a Nike dava ao americano. Nosso futuro herói, pediu pra usar algo azul e amarelo, com bermuda azul para a organização e eles deixaram.

Claro, ele veio do torneio qualificatório e vai cair na primeira fase, foi o que eles pensaram. Tolinhos!

Consegui uma autorização do monitor da agência para ligar a tv durante as partidas. Tolinhos! Parei a faculdade toda pra ver esse Cabeludinho fazer o improvável e o aparentemente impossível.

Tenho quase 14 meses a menos que o nosso herói, naquele semestre ainda nem tinha conhecido minha esposa. Era um moleque sonhador, com um sonho de ver na tela da Manchete, (Você sabe, aquela que precedeu a RedeTV!) esse brasileiro chegar à semifinal de Roland Garros, e ele chegou! À final, e ele chegou! Ao título, e ele chegou! Ao número 1, e ele chegou! Ser o melhor do mundo, e ele sempre será! Pelo menos por essas bandas, sempre será.

Gustavo: Significa bastão de combate ou cetro do Rei e indica uma pessoa impetuosa e segura de si, que tem chances de alcançar muito sucesso na carreira política ou militar.

O Kuerten é um Guerreiro feroz. Político ele sempre foi, sendo o mais carismático e querido atleta da ATP na última década. Rei? Claro que foi! O Rei do saibro, da esquerda, da bolinha, da mídia e do povo.

Sempre me chamaram de Gu, Gus.. mas a partir daquele semestre, as poucas vezes que me chamaram de Guga, eu senti orgulho de, mesmo por uma fração de segundos que leva a palavra no seu vôo entre a boca e o ouvido, ser comparado a ele.

Gustavo Kuerten, no fim eu lembro o começo.