quarta-feira, 9 de julho de 2008

AS REVOLUÇÕES - por Gustavo Cavalheiro

No dia 9 de julho, comemoramos no estado de São Paulo a Revolução Constitucionalista. Lembram das aulas de História e dos estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo (MMDC)? Da luta popular contra a ditadura Getulista?

Pois bem, hoje é dia de comemorarmos a coragem da insurgência contra os desmandos de Getúlio e por que não, da traição de muitos vizinhos que na hora H pipocaram frente às forças ditadoras nacionais e acusando erroneamente os paulistas de separatismo.
No Tênis, tivemos algumas revoluções nesse fim de semana:
The Williambledon

O torneio de Wimbledon, que terminou no último sábado para as mulheres e no domingo para os homens, marcou o fim de dois tabus. Venus Williams sua irmã Serena pela primeira vez em uma final do torneio da Inglaterra. Nas outras duas finais "em família", a Serena havia batido sua irmã em ótimas partidas.
Neste ano, Venus venceu Serena por 7-5; 6-4 e conquistou o Grand Slam inglês pela quinta vez. Ainda longe do recorde absoluto de Navratilova de 9 títulos na "grama sagrada". Destaca-se a presença constante das irmãs Williams em 8 das últimas 10 finais deste torneio:
2000: Venus * x Davenport;
2001: Venus* x Henin;
2002: Serena * x Venus;
2003: Serena * x Venus;
2004: Sharapova * x Serena;
2005: Venus * x Davenport;
2007: Venus * x Bartoli e
2008: Venus* x Serena

Planeta Terra x Planeta terra - Parte 2 (O Confronto Final)

Na última final de Roland Garros, há quase 1 mês e pouco, destaquei aqui no EA! o vareio que o número um do Planeta Terra (Roger Federer) levou do número um do Planeta de terra - saibro (Rafael Nadal). com direito a pneu e showzinho particular, Nadal triturou Federer como se ele fosse um domingueiro na terra francesa, mas na final de domingo passado na grama inglesa o papo foi outro.
Sem dúvida de errar, o embate entre Nadal x Federer nesta final de Wimbledon foi o jogo de tênis mais brilhante e com o maior índice e repertório técnico que eu pude ver na vida. Um espetáculo, uma batalha de corpos e almas dos tenistas mais destemidos do circuito.

Nadal começou arrasador e com a raça espanhola aplicou, suados, 2x0 nos primeiros sets. Federer errava pontos fáceis e deixava passar break points e sets points como costumeiramente não faz.

Vendo que o jogo encaminhava para o fim de um tabu de forma incomum, sem luta, sem batalha por parte do suíço, os Deuses do Esporte resolveram fazer um pit stop e desceram água parando a partida. Na volta, Federer parecia mais concentrado e mais Federer do que nunca, devolveu os dois sets deixando 2x2. Com requinte de maldade do segundo set em que Nadal se colocou com 1 match point e deu uma afobada.
Natural para um tenista, mesmo frio, mas com sangue latino:
Era o fim de um tabu? Será que vou ganhar na grama pela primeira vez? Será que baterei o melhor da grama? Deve ter passado algo assim pela mente de Nadal enquanto a bola rasgava uma tragetória espetacular num ACE de Federer.

Comentário à parte, Maria Esther Bueno merece meu respeito, mereceu uma homenagem no dia das mulheres, mas como comentarista de tênis (Sportv), ela irritou com sua torcida descarada e as vezes sem critérios pelo Federer. Nadal acertava, era culpa de erros de Federer. Para ela: Nadal não parecia ter mérito algum na partida.

A nobre campeã brasileira, cantou esse ACE de Federer no fim do quarto set, como num pedido de súplica por mais uma chance ao seu queridinho. Funcionou!

Quinto set, tudo igual, muito equilíbrio, tensão e magnetismo em cada troca de bolas. Mais de 4 horas depois de começar a partida, ela vai para o inevitável tie-break do último set.
A luminosidade está por um fio, alguns começam a sugerir que a partida deveria ser interrompida, eis que a revolução acontece e Nadal vence a partida com a incredulidade de muitos e se torna um tenista mais completo, deixando a pecha de ser apenas um tenista de saibro, ou número um apenas do Planeta terra.

Em sua comemoração as luzes naturais parecem que foram desligadas mais rapidamente, pois a partida tinha acabado e era hora de festa. Nadal escala as arquibancadas para receber o merecido abraço de sua família e se arrisca ao caminhar pelas marquises para saudar o Príncipe e a Princesa da Espanha.
O mundo aplaude o vencedor e também o vencido. Um jogo tão bom, não é todo para dia!