quinta-feira, 3 de julho de 2008

OS DEZ FIZERAM A DIFERENÇA- Por Rodrigo Curty

A festa tinha tudo para ser tricolor. O estádio jornalista Mário Filho, popularmente conhecido como Maracanã, estava lindo, colorido e acima de tudo confiante na final da Libertadores.

O time de melhor campanha no torneio precisava repetir o feito do Atlético Nacional, da Colômbia, em 1989. Precisava vencer pelo menos por dois gols de vantagem, para levar a partida para uma prorrogação e aí na pior das hipóteses, decidirem nos pênaltis.

Antes da partida, o retrospecto mostrava o equilíbrio das duas equipes. Fluminense e LDU, até então, haviam se enfrentado 3 vezes na história. 1 vitória para cada lado e um empate. Era do chamado dia “D”.

Renato Gaúcho confiava demais na conquista. Poderia ser o primeiro brasileiro campeão como jogador e como técnico. Afirmou na semana, que o seu time venceria por quantos gols fosse necessário e que nas Laranjeiras, diferente de outros clubes, não tem “oba-oba” e sim comando.

A partida foi eletrizante. Um gol equatoriano no início e a recuperação na seqüência, a pressão, gols perdidos, a torcida empurrando. O Flu conseguiu um placar de 2x1, antes do intervalo. Era noite de Thiago Neves, o camisa 10 do tricolor. Na segunda etapa, o meia reservou mais emoções à torcida. Aos 11’, sofreu falta próximo da área e chamou a responsabilidade. Neves pela terceira vez venceu o irregular Cevallos. Era chutar que ele aceitava. Nesse momento, o tricolor fazia o que nenhum time em 2008 conseguiu. Derrotar os valentes equatorianos por dois gols de vantagem.

Mesmo sendo valente, aguerrido, voando baixo, criando oportunidades sem parar para matar a partida, o Fluminense não escapou da prorrogação. Era a hora da superação.
A LDU nos dois tempos extras começou melhor, mas as chances para ambos foram poucas, e com três lances capitais.


O primeiro - aos 11 minutos, Bieler fez um gol de cabeça, mal anulado pelo bandeira. No segundo lance, o fraco Cevallos fez uma bela defesa, após chute cruzado do goleador da noite. Na última, Luiz Alberto foi obrigado a parar Guerrón na entrada da área. Cartão vermelho e vamos aos penais.

Pênalti para muitos é loteria, eu discordo. Para mim é competência. Foi aí que o então fraco goleiro equatoriano começava fazer sua história. Renato Gaúcho escalou três canhotos para a série - Conca, Thiago Neves e Cícero. Caso fosse preciso, a equipe ainda contaria com Washington e Dodô.

O que não estava no script era que três de seus principais jogadores perderiam o duelo com Cevallos. Esse o mesmo goleiro que há dez anos, defendia o Barcelona de Guayaquil, contra o então campeão Vasco. Somente Cícero converteu sua cobrança. A oportunidade de seguir em frente, estava nos pés do herói das quartas e das semifinais, contra São Paulo e Boca, respectivamente.
Mas, não era mesmo o dia de Washington. Ele bateu mal e começava ali, a festa até de certa forma justa, do único campeão equatoriano do torneio. Era a festa do número “01”, ou “10” ao contrário.

Hoje muitos vão dizer que Renato e alguns jogadores foram arrogantes. Que informações não tinham que ser vazadas, como aumento de salário do treinador que já recebe R$150 mil, e passaria a receber R$500 mil. Que a LDU não era melhor que São Paulo e Boca JR, batidos brilhantemente nas fases anteriores. Que o time abriu mão do Brasileiro, onde, caso fosse campeão da América, usaria apenas para brincar. Vão comentar do excesso de favoritismo, antes das finais.

Para o clube que tem nas cores a tradição da paz, da esperança e do vigor unido e forte, fica uma lição. O silêncio antes da decisão é a melhor saída. Agora é levantar a cabeça e correr atrás de mais uma libertadores. Hoje na zona de rebaixamento, não pode se abalar. É preciso voltar a ser grande.