terça-feira, 8 de julho de 2008

PREVISÍVEL, IMPREVISÍVEL - por Diego Senra

A Stockcar em Campo Grande foi exatamente como todos esperavam. O Autódromo matogrossense apresentando os mesmos problemas como asfalto de péssima qualidade e muita sujeira na pista, impondo dificuldades para todos os pilotos e equipes. Comentou o engenheiro Thiago Meneghel durante a transmissão “a corrida exige muito dos pneus e o consumo é muito alto, portanto aquele que acabar com os pneus por último, ganha a corrida!”. Pela terceira vez na temporada, vitória de Ricardo Maurício, seguido por Marcos Gomes, Átila Abreu, Pedro Gomes e Thiago Camilo, que escapou nas primeiras voltas, caiu para ultimo e terminou em quinto lugar, numa espetacular recuperação.

Como já escrevi aqui, o bom preparo da Equipe Medley associado a excelentes profissionais dentro e fora do carro começam a mostrar que esse campeonato deve ser decidido mesmo dentro da equipe. Para estragar a festa, lembre do sempre-favorito e bi-campeão Cacá Bueno, que vem logo atrás no campeonato e também do Thiago Camilo, que sempre é um piloto rápido, mas nunca conseguiu ter consistência nos resultados e, às vezes, é maltratado pela sorte.

Em compensação, a etapa de Silverstone da Fórmula-1 foi completamente diferente do que qualquer um poderia supor. A chuva, que não vem sendo tão surpreendente nessa temporada e ainda mais na Inglaterra, proporcionou uma corrida repleta de surpresas, algumas positivas, outras nem tanto. Com a chuva e o fim do controle de tração, os carros ficaram muito difíceis de guiar e quase todos os pilotos foram passear fora da pista. Lewis Hamilton deu um show de pilotagem em casa, ganhando a corrida com uma folga enorme perante sua torcida e ressurgindo com toda força na busca ao título. As Ferraris tiveram um fim de semana para ser esquecido por pilotos e equipe, já que dentro e fora dos carros todos erraram. O prejuízo para o campeonato só não foi maior porque Kubica não terminou e seus pilotos tinham uma boa vantagem à frente de Hamilton, mas tudo que já tinha sido construído foi, literalmente, por água abaixo e o campeonato hoje tem um tríplice empate com Hamilton, Massa e Raikkonen na liderança.

Mas o grande destaque do fim de semana foi Rubens Barrichello. Quando o tempo está em condições normais, todos sabem quais são os carros que vão andar na frente. E quando chove, os que acompanham a F1 sabem quais são os pilotos que vão andar na frente, e isso torna tudo mais interessante. Depois de um treino e de uma classificação catastrófica, mais uma vez só a chuva durante a corrida poderia salvá-lo. E dessa vez, a chuva veio e Barrichello mostrou por que é o melhor piloto do grid com chuva.

Foi terceiro, voltou ao pódio depois de quase três anos, abriu oito pontos de seu companheiro de equipe, Jenson Button e se tornou o 4º. piloto da história com mais pódios, somente atrás de Schumacher, Prost e Senna, confirmando sua competência, reconhecida por quem entende de F1. Mas tenho que dizer uma coisa: podia abolir a “sambadinha” né, Rubinho!!!!

Nelsinho Piquet crescendo na Renault
Desde que começou a correr em circuitos que já conhecia, Nelsinho começou a mostrar para todos que continua sendo um piloto rápido e arrojado como sempre foi em todas as categorias que passou. Participou da Q3, largou em sétimo (pouco mais de dois décimos atrás do Alonso). Na corrida, mostrou segurança na chuva, ultrapassou Alonso por fora e estava em quarto lugar quando a chuva apertou, aí aquaplanou em plena reta e ficou preso numa caixa de brita, saindo da prova. Apesar de perder pontos certos e uma grande possibilidade de pódio, mostrou que seu valor como piloto e começa a incomodar o bi-campeão Alonso.
Bruno Senna lutando na GP2
Apesar de ter feito a pole para a etapa de sábado em Silverstone, durante a corrida Bruno rodou quando liderava, sob muita pressão de Grosjan, Pantano e Di Grassi, e acabou chegando somente na sexta posição, com vitória de Pantano. No domingo, a corrida começou com chuva e o sobrenome Senna brilhou mais uma vez. Bruno ganhou fazendo uma dobradinha brasileira com Lucas Di Grassi. Giorgio Pantano, que chegou em terceiro, abriu mais alguns pontos na liderança do campeonato, seguido por Senna, Buémi e um surpreendente Di Grassi, que só correu 4 etapas mas já aparece como um dos candidatos ao título.
Dança das cadeiras
O ano mal chegou na metade e a indústria dos boatos já está à todo vapor. Bruno Senna é um dos mais comentados, podendo ir para BMW, Red Bull ou Toro Rosso. Rubens Barrichello aumentou suas chances de continuar e Danica Patrick ganha força dentro da Honda, que também parece ser o destino da Petrobrás, que deixa a Williams. David Coulthard deve se aposentar e outros pilotos podem deixar o grid, como Fisichella e Nick Heidfeld. Robert Kubica agita o mercado por seu desempenho, assim como Alonso pela insatisfação na Renault e, no momento, são poucos os pilotos que podem se sentir seguros em seus cockpits.
Aposta da semana
Semana passada, acertei a dobradinha com na Stock com os Medley Boys (Ricardo Mauricio/Marcos Gomes) mas acabei sabotado pela chuva em Silverstone e apostei nas Ferrari. O previsível, eu acertei. O resto, nem com reza braba!
Esse próximo fim de semana traz de volta a GT3 pra Interlagos e aqui deve continuar com os Ford-GT andando na frente. E pra não dizer que eu não arrisquei nada, acho que dá Palmeiras, Flamengo e Cruzeiro nos clássicos do fim de semana, ok?

Diego Senra escreve todas as terças-feiras sobre automobilismo para o Esporte Acontece!
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