quarta-feira, 20 de agosto de 2008

ADIOS MUCHACHOS - Por Rodrigo Curty

O sonho do ouro olímpico terminou mais uma vez para a Seleção Brasileira masculina de Futebol.
Todos sabem que perder também faz parte do jogo, mas a forma que o Brasil foi eliminado, para a grande rival Argentina, deixa o brasileiro com uma pulga atrás da orelha. Isso eu conto logo a seguir.
Antes comento da nossa campanha.A primeira fase foi bem tranqüila. Ganhamos de seleções sem nenhuma expressão como Bélgica, China e Nova Zelândia. Marcamos nove gols e não levamos nenhum. Tínhamos a melhor campanha.

Já na fase de quartas-de-final encaramos, por mais uma vez, a Seleção de Camarões. Antes da partida já havia ruídos sobre o futuro do técnico Dunga. Uma derrota poderia ser fatal. Em uma apresentação muito ruim e com um jogador a mais, a vitória de 2x0 veio somente na prorrogação.
Após missão cumprida, faltava saber quem seria o nosso adversário nas semifinais – Argentina ou Holanda. Era promessa de jogo complicado. A confiança de que na hora H, o Brasil mostraria sua real força, ficou no vestiário.

Tinha tudo para ser uma partida equilibrada. Entre os maestros das equipes estava do lado argentino Leonel Messi, suficientemente inspirado para acabar com o nosso sonho. Já do lado brasileiro, Ronaldinho Gaúcho jogou sem vibração, estava pouco inspirado e acima de tudo sem a liderança de um camisa 10.

Não sou daqueles que agora criticam a eliminação da Seleção pelo placar de 3x0. Critico sim, quem administra o nosso futebol. Os dirigentes que insistem em sempre mudar, após uma derrota. A preparação para o inédito título nunca existiu. Faltou respeito pelo torcedor.

Dunga sempre teve que provar algo para nós brasileiros. Pelo menos desde a Copa de 90, quando fomos eliminados também pela Argentina. O então treinador levou praticamente sozinho a culpa pela derrota e só conseguiu alcançar a glória quatro anos mais tarde, depois da chamada “Era Dunga”. Com garra, determinação, vontade e perseverança, ele nos ajudou a buscar o quarto caneco.

Hoje Carlos Caetano Bledorn Verri está com a corda no pescoço. Mas a sua campanha é tão ruim assim? Dunga nunca foi técnico. É bem verdade que para se comandar uma Seleção de qualquer país, o mínimo que deveria ser exigido é um currículo de treinador.
É verdade também, que mesmo sem ter esse tal currículo, com Dunga no comando, em mais de 30 jogos à frente da seleção, tivemos mais que 20 vitórias, e menos de 10 derrotas. Mas não vale contar os jogos contra seleções sem nenhuma expressão como Vietnã, por exemplo. E outra - nem sempre um retrospecto positivo significa competência.

Com Dunga encaramos a Argentina em outras oportunidades. Antes da eliminação foram duas vitórias pelo placar de 3x0(sendo uma na final da Copa América) e um empate sem gols. Mas na hora H, ele falhou. Mexeu mal na equipe, entrou defensivamente e burocrático. Não escalou o time corretamente.

Essa falha, porém não deve demiti-lo do comando brasileiro. Talvez pela arrogância dos comandantes e até mesmo de Dunga, o cargo deverá ficar à disposição depois da partida contra o Chile, pelas Eliminatórias, isso se ele fracassar novamente.

Dunga deveria pegar o seu boné e buscar novos ares, mas ele não é de se entregar e muito menos assumir o fracasso.

Para o elenco que fica, vale a lição. Muitos dessa geração não devem ser massacrados e sim perdoados. É o caso da bela zaga formada por Breno e Alex Silva que não tiveram um bom dia. O caso de Hernanes, Marcelo, Lucas, Diego e Pato.

O desejo que fica é que a Seleção não maltrate o torcedor que deveria ficar chateado apenas com os esportes que honram o país, mesmo sem contar com o incentivo que merecem.

Até Mais!!