segunda-feira, 25 de agosto de 2008

E O VÔLEI? - por Gustavo Cavalheiro

Claro que não poderíamos fechar nossa campanha olímpica sem as medalhas do vôlei. Ouro no feminino e Prata no Masculino. Os rivais? Igualmente americanos nas duas finais.

As comandadas de José Roberto contrariaram minha desconfiança e fizeram um campeonato extraordinário. Se bem que previ que a Itália seria a favorita, desde que a Agüero jogasse. Infelizmente com a doença, na sequência o falecimento de sua mãe e a crise política causada pelo impedimento da entrada da atleta em Cuba, mandaram as chances da equipe da bela Piccinini da disputa para bem longe dos ginásios da China.


As meninas brasileiras detonaram, marcaram com chave de ouro a primeira presença numa final olímpica e deflagraram o fim nefasto do rótulo de amarelonas.


Vamos ao que interessa: minhas cortadas e cornetadas.


Pra mim a diferença primordial entre masculino e feminino brasileiro em Pequim se deu pela posição de levantador(a). Enquanto Fofão mudou seu jeito de jogar nos últimos anos, aprimorou-se no bloqueio e acelerou seu jogo, o simpático Marcelinho continuou no seu "arroz com feijão" nota 5,5 ou 6. Garanto que muitos espertalhões vão malhar Marcelinho daqui pra frente, mas o problema, pra mim, está na Família Rezende e seus intrincados pontos, tanto no masculino como no feminino.


Fernanda Venturini Rezende foi acusada de desobedecer as ordens do seu técnico e de armar encontros do seu ex-técnico e marido com parte do grupo num quarto em Atenas, numa medida de forças para derrubar Zé Roberto. Algum tempo depois do famoso 24x19, Zé Roberto culpou parte do grupo por ouvir demais, ex-técnicos e maridos naquele período. Pode ser apenas uma questão de pézinho de Iceberg dela ou não, mas assim que Fofão saiu de uma sombra de 4 olimpíadas, levou o time nas costas e fez o que se esperou em muitos anos da marrenta Fernanda.


Bernardinho Rezende é sem dúvida capacitado, muito bem sucedido e inteligente ao ponto de entender que será imputado a ele a maior parte do ônus desta prata, por afastar o Ricardinho, tido por muitos como uma Fernanda Venturini do masculino, sem abrir ao público os reais motivos deste afastamento. Longe de defender o "pseudo bom caratismo" ou "moral" de Ricardinho, pois quem acompanha o EA! sabe que eu não o conheço de hoje e desde quando éramos moleques ele é um caso quase perdido.
Mas a escolha de um ténico em preterir da qualidade do melhor atleta da função na História do esporte, não é pouca coisa. E acreditem, justa ou injustamente, essa será a conta a ser paga por Bernardinho diariamente nas mesas de botecos, nas padarias, nos barbeiros, pontos de taxi e todos os lugares, até Londres.


Bruno Rezende, jogador de vôlei desde o ventre, está pelo menos uns dois degraus acima de Marcelinho, mas por ser "filho do homem", foi poupado demasiadamente na final contra os EUA.
Não é culpa dele, não foi por preferência. Mesmo que Bernardinho não tenha feito intencionalmente, o fato que esta preocupação de ser acusado de nepotista foi contraproducente para a carreira do rapaz e, ao meu ver, para o volume de jogo da seleção.


O ponto forte é que a metodologia perfeccionista-paranóica de Bernardinho atingiu o máximo do patamar da coexistência nestes oito fantásticos anos e dificilmente aguentará mais um ciclo até Londres.


Acho que tivemos só dois brasileiros felizes com essa prata: Ricardinho, que com uma eventual queda de Bernardinho pode tentar retornar ao time e Diego Senra que com essa prata tirou a vitória do Palpitômetro das mãos de Marcelo Gobbete e ganhou na cabeça.


Só mais a última cornetadinha: mais uma prova que aquilo que decidiu a final foi o item levantador, o americano Lloyd Ball mostrou na prática até para os leigos a diferença técnica entre ser um craque no patamar de Ricardinho e ser apenas um bom levantador como Marcelinho.