quarta-feira, 10 de setembro de 2008

PÁRA COM ISSO! - por Gustavo Cavalheiro

Que o desempenho brasileiro em Paraolimpíadas é infinitamente superior aos das Olimpíadas, ditas normais, é mais que evidente. O Brasil pode se orgulhar de ser país de ponta em muitos paraesportes.

Alguns dizem que o Comitê Paraolímpico Brasileiro aprendeu rapidamente a usar os recursos, mesmo minoritários, das loterias para desenvolver-se, pois já estava acostumado a sobreviver exclusivamente de doações de empresas, entidades e agremiações. Outros dizem que o Brasil "nada de braçada" na Paraolimpíada (mesmo na classe dos amputados) pelo desinteresse de países que ocuparam posições medianas nos Jogos de Pequim.

OK! Pode até ser, mas ficar nesse papo de "Terra de Cego" é bobagem, mesmo por que a Paraolimpíada é sim uma terra de cego... de paralisados, amputados, seqüelados e muitos outros tipos de pessoas que infelizmente são segregadas pelos perfeitos, soberbos e tidos normais.

Pequim, hoje, é a terra do encontro dos desafortunados de oportunidades, que disputam bravamente nos esportes, com a mesma força de vontade que batalham o seu dia a dia. É o local onde temos a mais bela das competições em que o primeiro e o último lutam dentro e fora das raias, arenas e estádios pela integração social, sem meias palavras. Uma competição que conta com GENTE! Nada de gente especial ou gente deficiente.

Quem é deficiente? Você seria mais eficiente numa piscina que o Daniel, no tatame que o Tenório ou na pista que a Adria? Você é o melhor do mundo em quê?
Eles são mais que eficientes, são superatletas que teimam em provar ao mais duro crítico-corneteiro de araque e descrente na raça humana, o nosso maior legado: A SUPERAÇÃO


O CASO CLODOALDO

Como no Brasil temos dois esportes que são paixões nacionais: futebol e maledicência, vamos tratar do segundo. Convido-os a ler o blog do Clodoaldo no Terra (http://clodoaldosilva.blog.terra.com.br/) e acompanhar alguns detalhes. O primeiro está na frustração de ser marginalizado na véspera da maior competição em 04 anos, que você se preparou diariamente. Esse é a lição mais humana e desportista que Clodoaldo nos ensina na atitude que ele tem em passar por esse calvário.

Peço que vocês se atentem, também, aos comentários de populares nos posts do atleta e vejam a quanto pode chegar a imbecilidade-corneteira do brasileiro, que não sabe competir, acusando-o de ser uma fraude, um aproveitador, medroso e chorão.

Minha opinião sobre o assunto é simples: um atleta ao longo da vida sobe de classes, pelo simples fato de que uma classe é definida subjetivamente em função da mobilidade do atleta, que com o passar dos treinos se torna mais capacitado dentro de sua classe, mas o que eu acho uma sacanagem e até posso compreender as acusações de Clodoaldo é de se fazer isso dias antes da abertura para certamente favorecer alguém. Fato!

Outra coisa está no mérito técnico entre ser fenomenal dentro de suas restrições ou estar além das condições de um grupo. Se for assim, deveríamos ter a Classe Phelps, Isinbayeva e Bolt semanas atrás.

Na próxima sexta-feira vou listar todas as nossas glórias nas Paraolimpíadas 2008, até então, e deixo um recado aos corneteiros de sofá, desde já: PÁRA COM ISSO!