quarta-feira, 5 de novembro de 2008

RIO 2016 - por Gustavo Cavalheiro



A candidatura da cidade do Rio de Janeiro como sede olímpica enfrenta alguns problemas técnicos, mas é de longe a cidade com o maior coeficiente político na disputa, até agora.
Valendo-se quase que exclusivamente desta "artimanha", Carlos Arthur Nuzman tem desprendido esforços em mostrar que a cidade possui grande parte da infra-estrutura necessária já montada, um povo muito devotado/dedicado à causa e uma convergência de fatores favoráveis, que cito:
- ser a única cidade do Hemisfério Sul na disputa;
- ser a cidade representante da América do Sul
- contar com apoio da ODEPA (Organização Desportiva Pan-americana), mesmo com a presença de Chicago como finalista
- o posicionamento econômico-financeiro do Brasil frente à crise global
entre outros.
A política praticada por Nuzman (reeleição tomada ao largo!) é perfeita, pois está atraindo alguns grandes players deste jogo, como a Grã-Bretanha, por meio da ministra para os Jogos Olímpicos de Londres 2012, Tessa Jowell.
Conforme matéria de Terra.com.br
A ministra escolhe muito bem as palavras neste apoio e diz que a cidade está APTA. Este é exatamente o ponto em discussão: Aptidão em receber um evento desta magnitude.
Em paralelo, semana passada, o COB deu mais uma boa cartada ao convidar a Federação Internacional e Tênis de Mesa para vistoriar as instalações do RioCentro, onde seriam disputadas as partidas do esporte.
Conforme a matéria de Globo.com
Esta é uma exigência do COI, que todas as federações aprovem as instalações. Neste ponto Tóquio e Rio largam bem à frente dos rivais pois já possuem grande parte dos locais de competição construídos e se tornam APTOS a receber o evento mais facilmente.
O "calcanhar de Aquiles carioca" é ser a cidade com a pior nota geral na primeira fase da disputa entre os quatro postulantes, mas como se sabe, as vistorias técnicas e principalmente a política pesam muito mais neste momento.
Talvez por isso, hoje pela madrugada, a candidatura do Rio tenha tomado seu maior "baque" na confirmação do Senador por Illinois (estado da cidade Chicago) Barack Obama como o quadragésimo quarto presidente dos Estados Unidos, fato este que potencializará muitíssimo o capital político de Chicago nesta corrida.
Falando em corrida, na incrível final da Fórmula 1 no GP de São Paulo eram vistos painéis pelo circuito com os dizeres rio 2016, em um processo claro de cooptação de votos europeus em disputa. A articulação do Ministério do Esporte e COB para que o GP divulgasse a marca Rio 2016 é vista como uma contrapartida pela manutenção do GP na capital paulista até 2015.
Independente da gestão Nuzman ser a mais correta ou não, admito que o desenvolvimento da campanha, a metodologia dos trabalhos estão sendo muito bem feitos.