terça-feira, 9 de dezembro de 2008

DANÇAR CONFORME A MÚSICA - por Diego Senra

O anuncio da saída da Honda da F1 pode ter causado muita surpresa em todos, mas a verdade é que já se esperava algum reflexo no aspecto econômico da categoria.

Há anos a F1 tem subido sem critério seus custos e investimentos e isso vem sendo uma preocupação constante da sua cúpula, em especial de Max Mosley. Assim como aconteceu na época da Internet e, nos últimos meses, com o mercado imobiliário americano, pode-se dizer que estourou a bolha da Fórmula 1.

Nos últimos dois anos, a Honda abriu mão de patrocínios no carro, pois não julgava necessário e fez campanha ecológica. Assim como a Honda, a Audi também abandonou seus investimentos na Le Mans Series e sua categoria-irmã americana. Não adianta estar em qualquer lugar, de qualquer jeito, sem gente dedicada e comprometida em elevar o prestígio da marca e de seus patrocinadores perante os espectadores. Ninguém vê vantagem em ter um carro de uma marca que só anda nas ultimas posições da corrida.

O que outrora era uma categoria focada em resultados e tinha seus investimentos orientados por seu retorno direto em competitividade e pódios, entrou um espiral irracional ascendente que levou equipes, com resultados medíocres nas pistas, a terem orçamentos estratosféricos, sem que uma presença de liderança fosse obstinadamente almejada. Quem freqüentava os autódromos via um total descaso de profissionais como os da Honda com os resultados da equipe, sendo inclusive os primeiros a irem embora nos dias de testes e treinos. O investimento em automobilismo tem que ser muito estudado, com estratégia definida, metas, direcionamento. Mesmo a McLaren já anunciou que pretende se alinhar à desaceleração econômica dos próximos anos e pretende diversificar suas atividades, já que prevê uma redução de 30% nas receitas.


Agora, a categoria entra num estado de pânico, Nick Fry e Ross Brawn buscam frenéticamente empresários interessados em comprar a equipe, que está a venda por preço de banana, pois é fundamental para sua continuidade que os carros estejam no grid na Austrália, no começo da próxima temporada. Jenson Button já está sendo cogitado em algumas equipes, mas os maiores prejudicados, sem contar os mais de 1000 profissionais demissionários, são os brasileiros Barrichello, Di Grassi e Senna, que viram suas principais portas na F1 serem fechadas em suas caras. A Petrobrás, que já estava desenvolvendo combustíveis junto com a Honda, vai reconsiderar sua participação na próxima temporada, podendo até ficar de fora por um ano, para sentir qual vai ser o futuro da categoria.

A decisão da Honda de vender a equipe é uma ação coerente e lógica, dados os últimos resultados financeiros da montadora no seu principal mercado e do desempenho de suas ações na bolsa. Com o momento da economia mundial e suas projeções, é de se esperar que mais equipes e montadoras nas mais diferentes categorias possam tomar o mesmo rumo.
O que é do homem, o bicho não come!

Ricardo Maurício é o campeão brasileiro de Stock Car. Com méritos, com justiça e com muita sorte! Num fim de semana em que nada deu certo pra ele, por incrível que pareça as coisas foram ainda piores para seu competidor direto e companheiro de Medley, Marcos Gomes.
Apesar dos comentários polêmicos de Ingo Hoffmann (que disse que não acreditava no título de RM pois interesses comerciais poderiam prejudicá-lo, insinuando uma possível preferência da equipe por Marcos Gomes que continua na equipe no ano que vem), Ricardo Maurício garantiu seu título após o abandono de seu concorrente, com uma quebra de motor, inédita nos carros da equipe. O título vai para o melhor e mais vencedor piloto da temporada! Parabéns ao piloto e à equipe.

Despedida do Alemão

Além do título de Ricardo Maurício, Interlagos também testemunhou, com um terceiro lugar no pódio, a aposentadoria de um de seus filhos mais queridos: Ingo Hoffmann. Na galeria de pessoas que construíram o automobilismo brasileiro, Ingo pode figurar com certeza ao lado de nomes como Fittipaldi, Senna e Piquet. Percorreu as principais categorias de formação, foi piloto de Fórmula 1, competiu em todas as temporadas da Stock Car até hoje, sendo campeão DOZE (!) vezes com 76 vitórias. Em sua última corrida, foi presenteado com uma réplica do carro de seu primeiro título. Para ele, sua principal vitória foi a criação do Instituto Ingo Hoffmann, que ajuda crianças carentes.
Que sirva de lição para todos os envolvidos com automobilismo, que as glórias passam mas o legado de princípios e vitórias vão ficar para sempre.

Enfim, Férias...
Queria dizer que foi um prazer compartilhar com vocês esse ano de bastidores e corridas!Até que pra primeiro ano, não foi tão ruim, né? Ano que vem, vai ser ainda melhor...Com o final da temporada automobilística, esse colunista que vos fala vai tirar merecidas férias e volta em breve, ok? Feliz Natal e um 2009 com muitas vitórias!


Abração!