sexta-feira, 20 de março de 2009

É tudo ou Nada! - por Gustavo Cavalheiro

Com informações do nosso enviado Caio Fagundes, publicamos no ano passado a matéria da aprovação da venda do Brinco D'Ouro e detalhamos o seu projeto. Desta vez, vou citar ipsis literis a matéria do bom Planeta Guarani e dar um update do que está ocorrendo na taba bugrina.

http://sv18hmnoc.net/planetaguarani.com.br/wwwroot/?p=1916

Venda do Brinco: só falta assinar

Bugre recebe hoje proposta oficial para a compra da área e negócio deve ser fechado até quarta

Depois de quase dois anos de negociações com diversos grupos, o Guarani recebe hoje uma proposta oficial para a compra da área do Brinco de Ouro. Nos próximos dias, o presidente do clube, Leonel Martins de Oliveira, vai expor a proposta à sua diretoria para, em seguida, anunciar a venda do estádio, o que deve ocorrer até quarta-feira que vem. Com seus bens e receitas penhorados, o clube concretiza um negócio que vai livrá-lo do risco de falência.

Os valores finais foram definidos em reunião realizada em São Paulo, na segunda-feira passada. Foi o primeiro contato pessoal de Leonel Martins de Oliveira com alguns dos investidores do grupo que fez a seguinte oferta pelo patrimônio do Guarani Futebol Clube:

a) Construção de uma arena multiuso padrão Fifa, com 42 mil lugares;

b) Construção de um centro de treinamento, com dez campos de futebol e alojamento para 300 atletas;

c) Construção de uma nova sede social, onde hoje existe o atual CT bugrino;

d) Pagamento das dívidas trabalhistas do clube, num valor de até R$ 92 milhões. A diferença entre o pagamento das dívidas e o teto ficará com o clube;

e) Trinta milhões de reais, divididos em 30 parcelas mensais de R$ 1 milhão, para investimentos no departamento de futebol.

A nova casa do Guarani será construída no Polo Anhanguera, centro de entretenimento e negócios planejado pela Prefeitura de Campinas, com estrutura para receber shows e outros eventos. O projeto ainda não foi definido, mas será semelhante ao da Arena Kyocera, do Atlético-PR, que hoje tem 25 mil lugares, mas chegará a 40 mil quando for concluída.

O estádio do Atlético-PR tem cadeiras cobertas em todos os setores, 76 camarotes, 68 lanchonetes e restaurantes, 21 banheiros, 500 vagas de estacionamento, oito vestiários e dez camarins para shows.

A arena do Guarani, que terá camarotes empresariais e familiares, vai atender a todas as exigências da Fifa para realização de jogos internacionais, já que o prefeito Hélio de Oliveira Santos quer deixar Campinas em condições de ser uma opção para partidas da Copa do Mundo de 2014, caso alguma das 12 sedes não consiga se preparar a tempo para o evento. A construção da arena deve levar dois anos.

Na área do Brinco de Ouro, será construído um shopping três em um, nos moldes do Cidade Jardim, de São Paulo. O empreendimento terá torres residenciais de alto padrão, torres empresariais e um shopping. Existe a possibilidade de o shopping ter um memorial do Brinco de Ouro, mas isso ainda não está definido.

O grupo que vai comprar a área já mantém contatos com a Prefeitura há vários meses e por isso os estudos para a viabilização de todo o negócio estão em fase final. Representantes dos investidores calculam que a transação vai gerar 11 mil empregos. Eles estiveram em Campinas ontem para visitar áreas que possam abrigar o novo centro de treinamento. O local ainda não foi definido, mas não deve ficar a mais do que 30 minutos do estádio.

A nova arena será de propriedade do Guarani Futebol Clube. Será administrada pelos investidores por um longo período, a ser definido em futuras negociações e não nesse primeiro contrato. Durante esse tempo, que pode chegar a 30 anos, o clube receberá todo mês uma porcentagem do faturamento da arena.

Uma das metas é brigar pelo acesso ao Brasileirão

Em situação pra lá de delicada no Campeonato Paulista, o Guarani tem, com a venda do Brinco de Ouro, uma grande chance de impedir novo fracasso na disputa da Série B do Brasileiro e, quem sabe, montar um time capaz de brigar pelo acesso à divisão de elite. Além do pagamento de R$ 1 milhão por mês, o clube pode ter um novo patrocinador para seu uniforme, com um valor bem superior ao que recebeu da EMS na temporada passada.

A negociação do patrocínio não tem nada a ver com a venda do patrimônio, mas empresários que fazem parte do grupo, composto por grandes empresas do Brasil e do Exterior, procuram uma marca que possa ser divulgada no uniforme bugrino.

Com a venda do estádio e o pagamento das dívidas, o Bugre terá acesso a fontes de renda que estão bloqueadas há vários anos. Cotas do Clube dos 13 e rendas dos jogos, por exemplo, voltarão a fazer parte do orçamento do clube, que pretende interromper uma longa crise, recheada de rebaixamentos, que teve início em 2001, no início da gestão de José Luiz Lourencetti. (CCF/AAN)

Assembleia de sócios deu aval à diretoria em 2008

Leonel Martins intensificou conversações após aprovação

No próximo dia 31 completará um ano exato a realização da assembleia geral extraordinária em que os associados do Guarani autorizaram a negociação do Brinco de Ouro e todo o complexo social e de lazer do clube que envolve o estádio. De lá para cá, o presidente bugrino Leonel Martins de Oliveira recebeu algumas propostas, mas nos últimos meses se focou no projeto que será concretizado na semana que vem.

Mas a ideia de vender a “casa” ou parte dela como solução para a grave crise financeira teve início no primeiro semestre de 2006, nos últimos meses de exercício da antiga administração. Na ocasião, com a participação do ex-vice-presidente Edson Torres, o plano era negociar a inacabada sede social para a construção de um shopping, cedendo ainda a área ocupada hoje pela piscina olímpica do clube. Porém, com a chegada de Leonel, que voltou ao clube em junho daquele ano, o projeto foi ampliado meses depois para que se buscasse a solução definitiva para a milionária dívida do Bugre.

Em agosto de 2007, vazou a informação de que a diretoria comandada por Leonel estudava a negociação do Brinco em troca do pagamento das dívidas e a construção de uma arena num terreno na Rodovia D. Pedro I, ao lado do Atacadão. Diante deste projeto e de possíveis interessados, o processo ganhou um rumo importante a partir do dia 27 de março, quando o atual presidente apresentou o projeto envolvendo a venda do estádio para o Conselho Deliberativo, que aprovou por unanimidade. Quatro dias depois, mais de 260 sócios (menos de 30% que tinham direito ao voto) compareceram em assembleia no ginásio do clube e deram o aval que Leonel precisava para negociar o principal patrimônio do Guarani. (Warley Menezes Baptista/AAN)

Crise e redenção

Leonel Martins de Oliveira vive um momento difícil na presidência do Guarani. Responsável pela formação de um time incapaz de vencer há 12 rodadas no Campeonato Paulista, ele tem sido muito criticado pela torcida e pela imprensa.

Não se discute que a campanha poderia ter sido um pouco melhor e que a equipe dificilmente escapará do rebaixamento, mas também é inegável que qualquer clube com bens penhorados e recursos confiscados teria enormes dificuldades para montar equipes competitivas.

Mais do que um rebaixamento no campeonato estadual, a milionária dívida colocou a existência do Guarani em risco. Com inúmeros processos em andamento na Justiça Trabalhista, o clube poderia perder todo seu patrimônio se Leonel não tivesse concluído a tempo o negócio que vai anunciar na semana que vem.

Presidente com uma longa folha de serviços prestados ao clube, em alguns de seus melhores momentos e agora, na sua maior crise, Leonel vai tomar a decisão que é, de longe, a mais importante de sua vida de dirigente esportivo. Seu legado para a comunidade bugrina é um negócio milionário, difícil de ser costurado, que simplesmente vai impedir o desaparecimento do clube.

Dois fatores foram decisivos para o sucesso das negociações. Um foi a sorte. A crise econômica mundial explodiu bem no meio das negociações e afastou da mesa outros grupos interessados na área do Brinco de Ouro. Por sorte, e não há outro termo para definir a situação, um poderoso grupo, com caixa para investimentos desse porte, se manteve nas negociações.

E é aí que entra outro fator importante para o sucesso do negócio. Leonel colocou os interesses da instituição que preside acima de disputas particulares e levou adiante as negociações com Luiz Carreira Torres, que compôs a chapa de oposição na última eleição do clube.

No mundo do futebol, são poucos os que têm a capacidade de negociar uma questão tão importante com uma pessoa que esteve do outro lado em uma eleição. Para sorte do Guarani, Leonel soube separar uma coisa da outra, pois Torres é o intermediário do grupo que vai comprar a área do Brinco e criar possibilidades de que o clube volte a ocupar um espaço que já foi seu no cenário nacional.

Leonel está sendo criticado hoje e será ainda mais criticado nos próximos dias se o time não reagir e for novamente rebaixado. Mas, ao mesmo tempo, Leonel entra para a história como o presidente que salvou o Guarani da falência. Afinal, clube que tem até R$ 600 confiscados do caixa de sua loja de artigos esportivos não tem o que esperar do futuro.

Quando anunciar a venda do estádio, Leonel trará o futuro de volta ao Guarani Futebol Clube. E isso é muito, mas muito mais importante do que a colocação do time no Paulistão. Um rebaixamento tem solução, como bem sabe a torcida. A falência, não. É por isso que ele precisa do apoio de sua diretoria e de todos os bugrinos nesse momento de crise e redenção.

NOTA: Esta matéria é original do site : www.cosmo.com.br e foi escrita por
Carlo Carcani Filho (Agência Anhangüera de Notícias) :
http://www.cosmo.com.br/noticia/24108/2009-03-20/guarani-pode-vender-o-brinco-ate-quarta-feira.html