sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A VALORIZAÇÃO DO COMANDANTE - Por Rodrigo Curty

E mais um treinador deixou o comando. Desta vez, o desempregado é Mano Menezes. O ex-treinador do Flamengo pediu sua demissão, após a derrota de virada por 4x2 para o Atlético PR, em pleno Maracanã.
Hoje vão dizer que a saída de Mano foi estranha e que ele já está apalavrado com o Corinthians, que não suportaria um revés contra o lanterna Náutico e outros pontos mais. O fato é que queiram ou não o clima na Gávea já era ruim e totalmente sem química entre comando e comandados. Independente do time ser fraco no sentido do que se espera de um clube como o Flamengo, a falta de atenção da diretoria ao comandante como não trazer os reforços, mas principalmente por este não conseguir montar um "time" padrão e mudar constantemente a equipe, era questão de tempo para dar no que deu.
E olha que isso não é exclusividade do Mais Querido do Brasil, que já mandou embora nesse ano Dorival Jr e Jorginho. O futebol brasileiro precisa aprender muito no quesito gestão. A maioria dos clubes erram no que diz respeito a manutenção e tempo de trabalho para o contratado. Aceitam facilmente a pressão e jogam junto com sua maior fonte de riqueza para não ter que bancar o que até então acreditavam.
Todos sabem que ser treinador no Brasil é uma missão complicada. Quando os títulos são conquistados o treinador e direção estão de parabéns, mas basta uma sequência ruim para tudo ser contestado e colocado em xeque.
Exemplo claro disso é o Corinthians com Tite que na ocasião era treinador aposta e que se tornou histórico. Se antes valia manté-lo por causa das conquistas de Libertadores e Mundial, entre outros,  bastou uma sequência ruim para o mesmo entrar na Berlinda. 
O fato hoje é analisarmos se Mano realmente falou com a direção alvinegra, e por isso pediu pela primeira vez na carreira demissão para em breve ser contratado. Em caso afirmativo, será impossível acreditar que existe um respeito entre a classe de treinadores do país.
Penso que o treinador em qualquer parte do mundo deve entender que ele está lá para treinar, para falar ao pé do ouvido de um jogador que precise de auto-estima ou simplesmente ser bancado. Precisa falar a língua do boleiro e jamais ser o cara que dá a última palavra sem antes ter certeza que tem o consenso do grupo. Deve saber que o time joga por ele e não o contrário. Quantos medalhões pagam hoje por não conseguirem brilhar novamente? Quantos novos treinadores conseguem bons resultados por entenderem essa filosofia? 
Ora, treinador precisa entender de uma vez por todas que ele não existe para ser vítima e sim para junto construir uma história. Salários altissímos, excesso de poder, falta de media training, confiança plena, isso não dá mais certo sem ter uma harmonia. Deve haver um equilibrio e união dessa classe tão valorizada e pouco respeitada.
Os velhos do futebol sabem o que dizem, por exemplo, independente de carácter, Eurico Miranda é vascaíno, oportunista com a proximidade das eleições, mas tem razão quando diz que Dorival Jr não pode ficar usando o Brasileirão para experiências, aliás nenhum clube, afinal hoje infelizmente os estaduais servem para isso. Os clubes precisam de vitórias e não serem transformados em laboratórios. 
O Flamengo está em situação complicada e aposta a principio em Jayme de Almeida. O treinador interino, conhece bem a base, o clube, os garotos é ídolo e teoricamente têm o respeito dos mais velhos pode dar certo. Trazer Abelão, Celso Roth, Autuori, Leão ou qualquer que seja o nome presente na lista dos desempregados não é o caso. Nem sabemos se eles toparão entrar na turbulência com a ideia de salário pensada, pois a política dos pés no chão deve ser mantida, caso contrário que seja gasto com jogadores para manter no mínimo o time na elite do futebol brasileiro.
Vamos aguardar os próximos capítulos.
Até a próxima.