quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O NOVO FLAMENGO - Por Rodrigo Curty

A noite desta quarta-feira promete ser histórica para o Clube de Regatas do Flamengo. O rubro-negro carioca entrará em campo para o duelo contra o rubro-negro paranaense Atlético, em partida válida pela final da Copa do Brasil, que diga-se de passagem nesse ano foi reforçada com a participação também das equipes que disputaram a Libertadores. 
O caminho foi árduo, as mudanças de treinadores idem. Nos confrontos de Norte a Sul do país foram necessárias quatro mudanças técnicas para eliminar Remo, Campinense, Asa de Arapiraca, Cruzeiro, Botafogo e Goiás. Foram 13 jogos até aqui e apenas uma derrota. Campanha excelente que merece respeito como a do Furacão, que apesar de ser considerado um caminho menos complicado tirou da frente equipes como o atual campeão Palmeiras e a dupla Gre-Nal. Perdeu apenas um jogo também.
Em busca de seu terceiro título no torneio(1990/2006), o foco da nova diretoria do Flamengo que já realiza aparentemente uma gestão superior a anterior é a de não tirar os pés do chão. Transparente como deve ser, o clube revela trimestralmente seu balancete e os resultados são positivos.
No último balanço encerrado em 30 de setembro, o clube apresentou um crescimento de 24% em sua receita operacional bruta, totalizando R$ 176.301.610. Para você ter uma ideia, a arrecadação total de 2012 chegou em R$ 212 milhões – a quarta maior do Brasil. Desta forma, pelo retrospecto até chegar a grande decisão, e principalmente pelo grande consumo da torcida, devido aquisições do programa sócio-torcedor, venda de camisas, entre outras ações, nos leva a crer que em caso de conquista o clube feche o ano com lucro acima dos R$ 250 milhões.
É bem verdade que a bilheteria ajudou muito para se chegar nesses números, afinal saiu de R$ 7,9 milhões para R$ 18,7 milhões. Clube vai bem, as iniciativas da mídia também. Os Direitos de transmissão passou de R$ 67,3 milhões para R$ 84,9 milhões, o então problemático e mal utilizado departamento de Marketing contribuiu passando de R$ 26,9 milhões para R$ 39,4 milhões. 
Já o sócio-torcedor, grande ambição do clube representa apenas R$ 4,3 milhões, mas isso se deve também as projeções, no meu ponto de vista equivocadas pela gestão. O clube precisa entender que o Flamengo é movido pelo Povão e não apenas pelos torcedores de alto poder aquisitivo. A Nação precisa de estímulos e respeito e não apenas de ações pontuais para entenderem que existem vantagens, quando na verdade sabemos que não tem. Um plano de sociedade deve consistir em valores baixos, melhor distribuição das entregas e oportunidades para que obtenha fidelidade mútua, uma vez que quando o desejo, nesse caso a possibilidade de compra antecipada para uma final, que diga-se de passagem com valores fora da realidade Brasil se encerra, o cancelamento vai junto.
Mas, tudo indica que Eduardo Bandeira de Mello, Wallim Vasconcellos e cia sabem o que fazem, mas devem controlar o ego. Contam com parcerias fortes e seguem de acordo com o planejado, ou seja, nada de "loucuras", foco na reestruturação, imagem do clube e consequentemente o crescimento.Há boatos de que nomes fortes dentro do clube como de alguns ex-presidentes influenciam em muitas coisas, em troca de poderes em entidades, mas não posso afirmar.
O importante é que em caso de título é óbvio que reforços chegaram na Gávea, porém é importante reforçar que a união, grupo homogêneo, e acima de tudo discussão antes com os líderes de dentro e fora do campo deve existir, caso contrário ter um estranho no ninho, mesmo que esse fosse Cristiano Ronaldo ou Messi não dará certo. 
Uma vez a Copa do Brasil conquistada, a Libertadores será a ambição de 2014. Os comandados de Jayme de Almeida, que provavelmente comece o ano como treinador precisa ser enxuto, mas com possibilidade de se formar dois times. Um para o regional e início de brasileiro, e outro apenas para Libertadores. A mescla juventude e experiência será fundamental para esse torneio de tiro curto e que exige um belo planejamento.
É aguardar para ver como será a continuidade da gestão que promete mudanças, entre elas a saída de Paulo Pelaipe e chegada de Plínio Serpa Pinto como vice de futebol, apesar de Wallim não afirmar. Enfim, é ver como o clube manterá o equilíbrio para suportar, por exemplo pressões de torcedores que querem apenas saber de conquistas e com o sonho em ter seu próprio estádio com capacidade para 25 mil espectadores daqui alguns anos. 
Até a próxima!