quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

INDIGNAÇÃO PELA COPA - Por Rodrigo Curty

O tempo passa, a bola rola, mas calma lá, isso não é uma narração esportiva, e sim algo muito sério vivido pelo país da Copa do Mundo. Na Copa de 50 eram outros tempos, o país evoluía a longos passos e se mostrava como sendo realmente o melhor palco para o evento mais importante do futebol.
Por isso, longe de querer fazer intriga contra o evento ou simplesmente bater de frente com quem é a favor e acredita que o país será realmente bem visto lá fora, mas é impossível não pensar que EUA ou Inglaterra, para não citar outros países que contam com estruturas prontas para receber toda essa magnitude deveriam ser as escolhidas.
De qualquer maneira, eu quero apenas debater apenas alguns pontos importantes para sua análise meu caro leitor.
Ora, é sabido que nosso país foi o primeiro na história a se convidar para ser sede e contar com um período de sete anos para fazer a "Melhor Copa" de todos os tempos. Para você ter uma ideia, a França teve três anos e entregou faltando 1 ano e 2 meses para o evento. Vivia uma crise econômica, e nem por isso se aproveitou pela escolha, ou pelo menos não de forma descarada.
Em relação ao prazo que temos, infelizmente não foi e não será suficiente para entregar o evento como esperado não apenas por quem de fato acompanhou cada etapa e cobrou pelos resultados, mas pela entidade que se responsabilizou em aceitar o desafio e se mostra para muitos arrependida.
A revista France Football retratou recentemente o possível fiasco que será a próxima Copa do Mundo, e de quebra citou pontos como estrutura, crise econômica e fonte de angústia para os realizadores. O curioso não é apenas a matéria em si, mas a censura da reportagem de 12 páginas no Brasil.
Um dos maiores erros do país está justamente na transparência dos fatos, das aplicações e investimentos feitos para a realização do evento. 
Hoje somos vistos lá fora como um país que conta com uma corrupção que vai do povo ao governo, além de sermos por exemplo, uma fonte de receita para os oportunistas que se aproveitam de burocracias. A estrutura é uma das mais precárias, seja pela altíssima carga tributária, seja pelo serviço público.
O Brasil ser sede de um evento desse patamar seria positivo se questões primárias estivessem em ordem como a educação, vias de acesso e hospitais, sem falar de outros pontos simples e que não são levados à sério, afinal Ronaldo Nazário já deu o recado aos críticos de que "Uma Copa se faz com estádios e não com hospitais", ora isso é óbvio, mas cadê os mesmos? Nem os principais protagonistas da Copa se fazem presente, e de quebra por questões políticas seguem sendo aprovados a qualquer custo. 
O país é enorme, mas se houvesse o real planejamento, transparência e fosse o objetivo de fazer o país crescer e ser visto positivamente lá fora, algumas largas contas seriam sanadas como de termos no máximo oito sedes. Provavelmente teríamos aeroportos e estradas em condições de provar que o país se desenvolve, apesar da velha desculpa de ser "novo", e por isso ainda é falho.
Vamos ficar atentos nesse próximos meses, pois a tendência é que tenhamos novos confrontos, manifestações, e maquiagem e aumento nos setores de desenvolvimento como o das obras atrasadas e que são pagas com o dinheiro público e não privado, para alegria das empreiteiras que não se importam se as sedes pós-Copa serão esquecidas e não utilizadas como multiuso, o que seria o mínimo.
Na questão dos transportes, o buraco é mais embaixo. Foram aprovados orçamentos pelo PAC de bilhões para o tão sonhado trem-bala que ligaria SP/RJ/MG/DF e o que se viu foram às estradas se deteriorando, nenhuma cidade sede com metrô até o aeroporto, os valores das passagens aumentando, enfim, o mais importante é ter os estádios.
Já na saúde nem vale reclamar, a tendência é piorar cada vez mais se considerarmos que na última década o número de leitos em hospitais públicos caiu 15%, que o país importa médicos de Cuba e aplica uma miséria do PIB no setor.
Mas chega de indignação, nessa altura do campeonato é melhor fazer a nossa parte e fazer de tudo para não lamentar com a vibração dos polianos, que acreditam mesmo que o país não tem solução, e que já que temos a Copa, que esta então seja de vibração e alegria do povo.
Até a próxima!