domingo, 20 de abril de 2014

TRISTEZA NO MUNDO ESPORTIVO - Por Rodrigo Curty

E o dia 19 de abril de 2014 jamais será esquecido no mundo do jornalismo. A data sempre trará na lembrança dos apaixonados pelo esporte ou simplesmente pela profissão, como a data que o país perdeu um de seus maiores nomes da área, Luciano do Valle Queiroz, aos 66 anos, vítima de um infarto.
Luciano que nasceu em Campinas, interior de São Paulo, no dia 4 de julho de 1947 era um locutor esportivo de grande magnitude. Do início da carreira na Rádio Central de Campinas ao estrelato a partir da Rádio Nacional, em São Paulo, o "Bolacha" como era carinhosamente chamado no meio esportivo foi um idealizador do esporte brasileiro.
Luciano brilhou nas grandes emissoras do país. Rede Globo e Record, mas tendo como principal "casa", a Rede Bandeirantes. Foi lá que teve a grande oportunidade de levar ao público uma oportunidade de socialização, de poder trazer aos pequenos e jovens referências a serem seguidas no esporte, seja ele qual fosse.
Homem de voz explosiva e sem igual, cansou de levar emoção e locuções extraordinárias desde a Fórmula 1, em tempos de Globo até o futebol e esportes americanos ganhando atenção dos brasileiros a partir da década de 80 e durante os anos 90 com o domingo esportivo na Bandeirantes que era referência quando se falava em "canal de esporte" com com uma programação que durava 10 horas. Infelizmente com a chegada forte dos canais fechados e específicos em esportes tornou a concorrência desleal. Hoje seria praticamente inviável manter um canal de TV aberta só com esse segmento.
De qualquer maneira foi graças a Luciano do Valle que a sociedade brasileira conseguia discutir e falar de modalidades como sinuca, futebol americano, o basquete NBA, fórmula Indy, boxe e atletismo, e muito mais.
Isso sem falar da gana desse jornalista que transformou o vôlei brasileiro em um esporte referência no país a ponto de ter a ousadia de fechar o Maracanã para o amistoso da Seleção Brasileira masculina contra a União Soviética, em 1983. Um momento histórico que contou com chuva e tudo mais, porém a dedicação e profissionalismo desse homem não impediu que o jogo acontecesse e tivesse o maior público da história da modalidade. Hoje o COB reconhece e é grato por tudo que Luciano do Valle fez pelos esportes amadores, por tornar os mesmos tão importantes como o futebol. 
Se não fosse pelo "Bolacha", talvez não saberíamos nada de nomes dos atletas do Vôlei como Xandó, Renan, William e Bernard, entre tantos outros daquela seleção olímpica e geração de prata em Moscou no ano de 1980. No basquete a geração de ouro feminino como Hortência, Paula, Janete, e tantas outras. O Dream Team americano com as transmissões da NBA. Nomes como o de Magic Johnson, Charles Barckley, Michael Jordan, Patrick Ewing.
As transmissões do boxe, onde Adílson Maguila era uma estrela e nosso grande pugilista.
Quem não se recorda dos eventos de Verão, intitulado "Verão Vivo" competições esportivas e eventos culturais pelo litoral brasileiro, entre elas a sua capital preferida Pernambuco.
O jornalista e narrador também fez histórias em Copas do Mundo. Teve audiências estrondosas como na Copa de 82, pela TV Globo. Durante sua fantástica carreira, ele nos levou emoção, polêmicas, gafes, porém sem jamais perder a majestade. Defendeu como ninguém a classe de jornalistas e era querido no meio, uma grande escola e referência para profissionais como eu que busca a ascensão na carreira de narrador.Resgatou craques do passado em sua Seleção de Masters, foi fantástico até quando se meteu a treinador destas feras.
Luciano era casado com Flávia Comin do Valle, com quem teve um filho e tinha duas filhas, frutos de seu primeiro casamento. 
Obrigado Luciano do Valle por tudo que fez pelo esporte brasileiro e mundial. Pelos aprendizados e por me trazer emoções marcantes e que sempre carregarei comigo. Não há palavras para descrever tudo que sinto nesse triste momento. Deixo aqui para vocês algumas das narrações espetaculares desse "monstro" da narração esportiva.

  





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Até a próxima!