terça-feira, 8 de julho de 2014

A LIÇÃO QUE FICA - Por Rodrigo Curty

E lá se foi o sonho da conquista do hexacampeonato pela Seleção Brasileira. A Copa do Mundo da Fifa no Brasil, jamais será esquecida. Seja pelas zebras, surpresas e recordes.
É sabido que vencer e perder faz parte de qualquer modalidade, mas que no futebol, principalmente para o brasileiro, a dor é maior, talvez pela cultura de não aceitar a derrota ou simplesmente buscar explicações e desculpas.
Ora, neste momento doloroso no qual os comandados de Felipão perderam de forma vergonhosa, histórica, infantil e medrosa para a forte Seleção da Alemanha devem ser analisados, afinal os 7x1 também nos trazem lições. Não é demérito perder para um time como esse, mas jamais deveria ser se entregando sem lutar. Entrar em campo para bater de igual para igual quando não se faz o básico só poderia dar no que deu. Parecia um jogo de casados contra solteiros, homens contra meninos. Isso era questão de tempo.

Basta analisarmos friamente que desde o início já sabíamos que seria difícil a conquista e que a nossa maior confiança estava no fator casa, torcida e não na equipe, afinal esta chegou sem experiência e com muito peso para um único jogador, Neymar.  O garoto de 22 anos bem que tentou enquanto pode jogar, mas uma andorinha sozinha não faz verão. O foco deveria ser o jogo e não no craque lesionado.
Na primeira fase as partidas contra Croácia, México e Camarões já demonstravam os problemas que iríamos enfrentar no caminho de mata-mata com seleções mais bem preparadas, focadas e com objetivos traçados, mesmo com muitos acreditando que Felipão saberia como ninguém jogar nesse sistema.
Antes dessa trágica derrota, tivemos problemas para passar por seleções até então tranquilas historicamente como Chile e Colômbia.
Mas não acho justo ficar detonando agora que a equipe caiu, porém jamais poderia deixar de cobrar aquilo que sempre acreditei ser um problema. A Seleção Brasileira precisa há tempos se reinventar. A comissão técnica, apesar de experiente é antiquada, não evolui com o futebol. A maior entidade do futebol no país, a CBF é cercada de pessoas que só pensam em usufruir de jovens talentos trazidos por empresários. Não há um trabalho que fortaleça as bases dos clubes do país. Quem aparece é vendido para o exterior e por lá fica, para quem sabe um dia ser chamado para defender a Seleção e ser apresentado aos torcedores.
A conquista iria encobrir ou no mínimo amenizar esses problemas do futebol brasileiro. Foi assim com a Copa das Confederações, e lá eu já dizia que não valia a pena se empolgar, pois na Copa do Mundo seria diferente.
Mas a derrota tem seu lado positivo, afinal já faz com que o que deveria ser nosso maior patrimônio, símbolo e algo sagrado e que deve ser cultuado tenha um novo rumo. Precisa de pessoas com objetivos de resgatar as pratas da casa. Os clubes brasileiros precisam de ajuda para sair da falência e penhoras, é necessário ter uma formação de base nos elencos para resgatar o verdadeiro futebol nacional e vencer nos torneios sub 17 e sub 20. Ter aquela identificação, ídolos com carreira clubística, futebol de arte e não apenas de força como insistem manter.
Hoje se pegarmos por exemplo, as Seleções da Itália e da própria Alemanha que sempre tiveram na defesa a sua força poderemos evoluir. Ambas, entre outras trabalham a parte técnica, a posse de bola, a parte ofensiva para conquistar títulos, isso sem falar no trabalho realizado nos clubes. O nosso algoz de hoje tem na equipe do Bayern de Munique a sua base. Jogadores que estão nesse árduo trabalho de buscar o título mundial desde a derrota de 2002 para o Brasil, em plena Alemanha.
É necessário levantar a cabeça, aceitar que houveram erros de planejamento, interferência de emissoras, empresários e arrogância em não levar jogadores rodados, porém com experiência para chamar a responsabilidade e fazer o time cair de pé e não jogando a toalha como foi. É triste, inadmissível e lamentável ver uma seleção em seu próprio país ser vaiado e ouvindo olé da própria torcida, mesmo sabendo que é porque faltou  treino, jogadores com "sangue" nos olhos, disciplina e alternativas táticas. É simples demais fazer um time ser campeão, não basta querer e sim ter atitude.
Está nítido que o país precisa de uma Seleção Brasileira próximo de seu povo e não em Londres ou qualquer outra parte do mundo em torneios caça níqueis. Identificação é necessário para chegar a glória. Jogadores do país precisam ser conhecidos da torcida local e não apresentados pelo técnico ou assessor de imprensa.
A reformulação deve ser geral, o foco no trabalho a longo prazo para chegar a conquista sem a preocupação com marketing, emocional evidente, regalias, entre outras barbaridades que sempre vem à tona quando o time cai.
Sejamos justos com os que deram a cara para bater e que devem ser mantidos para a Copa de 2018 na Rússia, isso é se houver preparação, caso contrário, as seleções sul-americanas já provaram o que podem fazer com aquela que parou no tempo e continua a se julgar como sendo o país do futebol.
Força Brasil e sem perder tempo, agora é ter certeza que é preciso cobrar pela saída de nomes como Marín, Del Nero, e tantos oportunistas que aparecerão como salvadores da Pátria.
Até a próxima!