quinta-feira, 14 de agosto de 2014

REALIDADE E INCOMPETÊNCIA - Por Rodrigo Curty

E mais uma vez ficou provado que no esporte nem sempre vence o melhor ou o favorito. Essa certeza é cada vez mais presente no futebol. Se há alguns anos escutávamos que não tem mais time bobo, que ninguém vence de véspera, hoje a certeza que podemos ter é de que apenas camisa, tradição e nome não ganham jogos. 
Longe de tirar o mérito das vitórias de Bragantino, Ceará e América- RN, mas convenhamos, é inadmissível, principalmente pela diferença de estrutura, orçamento e elenco que São Paulo, Internacional e Fluminense possuem sobre os três acima, respectivamente.
Independente de qualquer coisa é bom que se diga que não é de hoje que vemos equipes tradicionais sendo humilhadas pelos pequenos e simplesmente alegarem que "houve" um mau dia. Ora, está muito claro que a incompetência existe pela falta de comprometimento de muitos pelos torneio no qual o clube participa. A maioria dos jogadores são transitórios porque são controlados pelos "famintos" empresários e assim acabam não criando nem uma identidade com a agremiação em questão. Os clubes brasileiros são carentes de ídolos permanentes e de pratas da casa. Os talentos que surgem são logo negociados. Tudo é negócio, principalmente no continente Sul-americano que não consegue segurar os "craques" que aparecem em rara frequência. Difícil é responder até quando irá durar essa triste realidade.
Mas, vamos aos jogos. Analiso friamente cada eliminação e você fique a vontade para opinar.
No Morumbi, frio e vazio, o São Paulo recebeu o Bragantino, equipe que de sensação no início da década de 90, com direito até a um vice-campeonato brasileiro para o mesmo São Paulo, hoje como qualquer clube nacional vive uma crise financeira e joga aos trancos e barrancos. Isso sem falar que corre o risco de ser rebaixado à série C. Os comandados de PC Gusmão, porém jogaram com raça, determinação e respeito para reverter a derrota da primeira partida por 1x2. Já os de Muricy Ramalho apresentaram a mesma displicência, falta de técnica e erros infantis das últimas partidas. Deu no que deu. Derrota de 3x1 com louvor. A hora é de assumir os erros e trabalhar mais as fraquezas, uma vez que o elenco é caro e na atual conjuntura deveria render mais. A não ser que você ache normal ver o tricolor ser eliminado recentemente por Penapolense, Ponte Preta e agora Bragantino?
No Maracanã com pouco mais de 4000 torcedores, o vexame foi ainda maior. O Fluminense que na primeira partida passou sem muito esforço pelo América de Natal por 3x0, entrou em campo no mínimo com a certeza que na pior das hipóteses uma derrota não o eliminaria. Pois bem, o que vimos foi um passeio da equipe potiguar. Na volta do intervalo perdendo por 2x1, nem os mais otimistas imaginariam uma virada histórica. Sim, acredite se quiser, o tricolor carioca levou quatro gols, poderia ter levado mais e saiu vaiado pela preocupada torcida que vê no sistema defensivo um grande problema. A eliminação trará consequências no clube. Cristovão Borges terá muito trabalho para evoluir o emocional dos jogadores, uma vez que apagões como esse são recentes, basta lembrar da partida contra o Criciúma. 
Já no Castelão, o Internacional precisava tirar a diferença da derrota por 2x1, no Beira-Rio, mas o Ceará mais uma vez triunfou. O time de Abel Braga até que buscou a vitória, sobretudo na segunda etapa, mas a falta de pontaria e a disposição do Alvinegro de Porangabuçu para vencer novamente acabou prevalecendo. Em noite inspirada de Magno Alves, o Magnata, a vitória indiscutível de 3x1 prova que não é à toa que o time segue líder na Série B. Para o Colorado é virar a chave e seguir na busca no Nacional, que não vem desde 1979.
Agora é aguardar como será o restante da temporada para o trio, que de consolo, se é que se pode afirmar isso resta a busca no mínimo de uma vaga na Libertadores ou o título da Copa Sul-americana, já que estão garantidos. Aliás, muitos ainda acreditam que as derrotas foram propositais para participarem da competição. Faz me rir.
Até a próxima!