quarta-feira, 12 de novembro de 2014

O PODEROSO CHEFÃO VOLTOU - Por Rodrigo Curty


Diz o ditado que o bom filho à casa torna, mas será que o vascaíno em toda a sua totalidade pensa isso sobre o retorno anunciado de um dos mais polêmicos dirigentes do futebol? Pois é, Eurico Miranda tanto fez que conseguiu e assumirá à presidência do Vasco pelos próximos três anos.
É importante que se diga que a decisão para que fosse indicado foi tomada pelos sócios do clube em outras três situações. A Chapa de nome "Volta, Vasco! Volta, Eurico!" levou boa vantagem em recorde de votos contra a chapa do segundo colocado Julio Brant e o terceiro Roberto Monteiro.
Então prepare para novos momentos históricos no futebol brasileiro, pois no próximo dia 19, essa figura de 70 anos retornará ao cargo mais importante do clube.
A missão a princípio não será nenhuma novidade, afinal a vivência política, assim como as polêmicas e importantes títulos no Vasco ocorre desde 1967.
Tentou a presidência em 82 e 86, mas foi derrotado por Antônio Soares Calçada, que acabaria nomeando Eurico à vice- presidente de futebol no ano de 1986, o que determinaria a fantástica sequência de títulos, seja por fatores internos ou externos, de forma certa ou errada, o fato é que o Vasco tinha uma força impressionante nos bastidores. Com Eurico neste cargo foram seis títulos Cariocas (1987, 1988, 1992, 1993, 1994 e 1998), três Brasileiros (1989, 1997 e 2000), uma Libertadores (1998), um Rio São-Paulo (1999) e uma Mercosul (2000).
Nesta década de 2000, Eurico finalmente chegou ao poder do clube. Se elegeu presidente, mas na função conquistou apenas o título do Carioca de 2003. Seguiria à frente do clube também entre 2007 e 2009, mas viu a eleição ser anulada e no novo pleito no ano de 2008, Dinamite venceu o falecido Amadeu Pinto da Rocha e acabou não sendo cabeça de chapa na ocasião.
Com Roberto Dinamite à frente do clube, os momentos também foram de alegrias, transparência e um novo Vasco. Foi criado um sentimento de amor entre clube e torcida, e ficou claro que não interessava quem fosse o presidente, mas era certo afirmar que o sentimento não iria acabar. Mas como amor e ódio andam lado a lado, não teve jeito, as recentes campanhas, fracassos, dívidas, gerenciamento, entre outras coisas, acabaram culminando com a saída vergonhosa do maior ídolo do clube à frente do comando. O que ninguém poderá apagar é o que o camisa 10 fez no campo e de certa forma dentro do clube. A política de um clube é maior que qualquer coisa, só quem vive dentro para saber, por isso não vale julgarmos.
O esporte nem sempre é feito da forma correta, e mesmo que tenham muitos que trabalhem da forma correta acabam morrendo um dia se não dançarem conforme a música.
O futebol é um dos esportes mais sujos, mais arquitetado, influente para A ou B, mesmo que neguem o contrário. É capaz de transformar ídolos em vilões da noite para o dia e espera resultados em campo com títulos, mesmo que de uma forma não muito convencional e que gera polêmicas e entristecem aos que amam e verdadeiramente acreditam em vitórias limpas em sua totalidade.
O Vasco é um dos grandes clubes do futebol brasileiro e deve ser respeitado, mas ninguém apaga o que passou. O clube Cruz-maltino, em determinado período se transformou em um dos mais odiados do Brasil quando teve Eurico à frente. Como será agora? É aguardar para ver. Será aquele Eurico que em 1980 foi nomeado diretor de cadastro e impediu a ida de Roberto Dinamite para o Flamengo, repatriando-o do Barcelona ou dos tempos de invasões de campo, vitória a qualquer custo e inimizades? Faça a sua aposta.
Até a próxima!