sexta-feira, 13 de março de 2015

SOBERANO OU PROBLEMÁTICO - Por Rodrigo Curty


E por mais que tentem disfarçar, a crise insiste em permanecer no São Paulo Futebol Clube. O clube que esse ano completará 80 anos de vida é um dos mais vitoriosos do país. Fora isso é também muito respeitado internacionalmente, mas a temporada não começou bem para o tricolor.
O time do Morumbi sofre principalmente com os problemas internos. Mas essa não é uma exclusividade da equipe paulista. Infelizmente no Brasil, a gestão de um clube ainda é algo bem amador. Enquanto tivermos dirigentes com uma mentalidade individual, sejam eles os novos ou os antigos que voltam ao comando do futebol de A ou B, a tendência é não saírem das manchetes negativas.
No São Paulo não é de hoje que a parte administrativa atrapalha mais do que ajuda. O clube fica refém das más administrações e consequentemente não consegue provar que o rótulo de “Soberano” ainda reina. Muito se fez também no passado. O clube era visto como modelo de gestão, profissionalismo e fazia questão de dizer que estava bem à frente dos rivais.
Juvenal Juvêncio, presidente anterior e responsável pela entrada de Carlos Miguel Aidar no lugar mais alto deixou saudades? Para muitos não, afinal as suas aparições eram mais de gozações do que positivas, uma vez que em sua última passagem foram muitas lambanças e problemas administrativos. Para não fazer por menos, Aidar que não custa informar ao mais antigo torcedor, está bem aquém daquele que 1986 fez um excelente trabalho na presidência.  Recentemente o advogado também teve o seu nome envolvido em desvios, facilitações, entre outras coisas, ou seja, o clube está em ruínas, por mais que não queiram admitir.
A troca de farpas para ver quem prejudicou mais o São Paulo não é o que importa agora, mas deve sim ser esclarecido. Hoje não tem como afirmar, mas arrisco dizer que praticamente todas as agremiações já se envolveram em escândalos e quem não teve esse desgosto, na atual conjuntura do futebol brasileiro, em breve sentirá o gosto, pode escrever.
Mas de volta ao São Paulo. Se internamente o grupo está rachado e conta com pessoas covardes que não assumem suas atitudes, principalmente em querer derrubar Muricy Ramalho e alguns jogadores, visto que são considerados do grupo a favor de Juvenal, por outro reflete no local que menos precisava. Dentro do campo. O atraso de pagamento dos direitos de imagem, aparentemente solucionado, a tal falta de líder para comandar o grupo e nitidamente a postura de certos atletas faz com que o torcedor não incentive e apoie a equipe.
Assim, se 2015 tem o objetivo de ser histórico para o tricolor é bom resolver esses problemas logo para que não seja de forma negativa. O campeonato Paulista é a meu ver uma besteira. Conquistá-lo ou não é o de menos. Vale mesmo é a Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão. O resto é consequência e mais do mesmo.
A questão é que nem no regional o time empolga e passa confiança. A prova disso foi a magra e esquisita vitória de ontem sobre o São Bento por 1x0. Os poucos torcedores vaiaram e cobraram valores menores para a entrada no estádio, ou seja, a relação está estremecida.
Volto a dizer. A culpa disso não é de apenas planejamento. A administração é muito ruim. As pessoas não pensam em conjunto, querem por querem lucrar as custas do clube e de quebra contratam jogadores que não resolvem os problemas. Se isso já não bastasse, parece claro a falta de tranquilidade para Muricy Ramalho trabalhar. O treinador que tem uma história vitoriosa no tricolor pode estar com os dias contados. O fato de estar com problemas de saúde, insatisfeito e triste por ser um torcedor do São Paulo e ter que comandar do jeito que está, não vejo outro caminho que não a aposentadoria forçada.
Porém já presenciei casos que pareciam perdidos e no final deu tudo certo, ou melhor até a ruptura total. Essa é a mentalidade que os comandantes são-paulinos devem ter em mente. Que o clube é muito maior que tudo isso. A Libertadores está aí. Não tem nada perdido, apesar da derrota para o Corinthians que se tornou um martírio. Sem a confiança e união o time não irá para frente. Na vida sempre tem a oportunidade do troco, basta fazer por onde e aguardar a hora certa. A torcida tem que entender que o momento é de apoiar e não apenas criticar, mesmo tendo razão para isso.
Semana que vem será determinante. O São Paulo precisa vencer o San Lorenzo para não se complicar na Libertadores e ganhar confiança. A hora é de resgatar urgentemente a autoestima e o bom futebol. Material humano para isso tem, mas sem atitude, reconhecimento e humildade para dar a volta por cima, sinceramente não há Deus que dê jeito.  
Vamos aguardar para ver se o tricolor fará por onde para receber a chancela de favorito ou se conformará de ser apenas mais um participante nas competições. O primeiro passo a ser dado é limpeza administrativa, será que rola? Eu acredito que não, mas essa é a minha opinião.
Até a próxima!