sexta-feira, 19 de junho de 2015

FATOR NEYMAR JR - Por Rodrigo Curty


E mais uma vez a Seleção Brasileira entrou nas manchetes esportivas de forma negativa. Depois de uma estreia ruim diante do Peru, agora foi a vez da péssima e patética atuação diante da Colômbia.
O time comandado por Dunga vinha de 11 vitórias seguidas, mas nem todas de forma convincente. Do elenco que passou vergonha na Copa do Mundo ficaram seis jogadores, mas nem por isso, podemos entender que a renovação foi feita na equipe canarinha. Muitos jogadores são desconhecidos do torcedor que deixa bem claro que se preocupa mais com o seu clube de coração do que com a Seleção do país. É uma pena, mas enquanto insistirem em seguirem com uma equipe sem identidade com o Brasil, ter a permanência da CBF no comando, a quantidade de empresários envolvidos nas transações de quem deve ou não jogar, isso dificilmente acabará.
Mas hoje quero falar de Neymar. É óbvio que a dependência da Seleção sobre o craque é evidente. O problema é saber se o camisa 10 está disposto ou melhor, preparado para assumir tal responsabilidade. O jogador do Barcelona atravessa um momento crítico na carreira. Esquemas de desvio de dinheiro em sua transferência do Santos ao clube Catalão, pressão para atuar como salvador da pátria, entre outras coisas que não competem discutir, afinal a avaliação deve ser nas quatro linhas e não na vida pessoal do jogador.
É indiscutível a capacidade de Neymar vir a se tornar o maior jogador de todos dos últimos tempos, mas deve ser lapidado. É ainda muito jovem e precisa amadurecer em suas atitudes no campo. Ser o capitão é um erro crucial que Dunga e comissão técnica não podem cometer. Neymar precisa se preocupar apenas com o seu papel em campo. Brigar, xingar, bater e entrar em todo tipo de confusão não são características de um camisa 10 de tanto potencial e qualidade.
Hoje isso ficou evidente. Nervoso desde o início, esteve longe de ter uma atuação mediana. Caiu nas provocações, reclamou de tudo que o árbitro marcou, e de quebra ainda perdeu a cabeça no final da partida. E é bem verdade que levou cartão amarelo de forma equivocada, mas erros sempre ocorrerão. A consequência foi desastrosa. Neymar levou um gancho da péssima organização da Copa América de quatro jogos, ou seja, caso a Seleção Brasileira avance, o craque ficará de fora.
Isso deve servir de lição. Se foi exagerada ou não, isso agora não importa. Eu particularmente entendo que dois jogos estariam de bom tamanho e vou mais além. Penso que a Conmebol quis pegar o Brasil de Cristo. Quis dar uma cutucada na CBF, de que as coisas agora serão feitas de forma mais rígidas e sem artimanhas, o que também não é ruim. A questão é que nunca foi tão oportuno punir o maior jogador do país, que agora deve pegar isso como exemplo de algo que não poderá mais ser repetido. Deixem o cara em paz, pelo amor de Deus!
O cara tem caráter, por isso algo me diz que em breve pedirá desculpas e entenderá que errou e que precisa descansar, principalmente a cabeça. O estresse é muito evidente. Os problemas que mexem com o dinheiro mais ainda. Não deve ser fácil ser um jovem de 23 anos que recebe mensalmente, juntando salário, direitos de imagem, publicidade, a quantia de R$3,6 milhões. E merece, afinal não é qualquer um que tem na curta carreira mais de 250 gols e 15 títulos. Ganhou Libertadores, Copa dos Campeões e provavelmente um mundial de clubes no final do ano. Triste é entender que Neymar será mais um grande craque brasileiro sem ter uma Copa do Mundo no currículo.
Em relação ficar de fora da Copa América, que é um torneio é importante, tudo bem, pois não é a prioridade. Valerá mesmo a partir de outubro, quando começam as eliminatórias para à Copa do Mundo, a princípio na Rússia.
Vamos aguardar para ver se a CBF irá recorrer da sentença. Não acho que fará esforços. Os esforços devem ser para quem substituirá o camisa 10 e a forma de jogar da Seleção Brasileira contra a Venezuela e restante do torneio. Arrisco dizer que Robinho deve ser esse cara.
Enquanto isso, desejo boa sorte e que Neymar Jr esfrie a cabeça e fuja das polêmicas. Até a próxima!