terça-feira, 21 de julho de 2015

A NOVA SAFRA DE TREINADORES - Por Rodrigo Curty


E a síndrome da goleada de 7×1 para a campeã do mundo Alemanha insiste em se manter viva na cabeça dos brasileiros. A Copa acabou há mais de um ano e até agora o Brasil não conseguiu se reerguer em nenhum setor. No caso do futebol, a Copa das Copas foi um sonho que virou pesadelo. A falta de reestruturação dos clubes e de valorização dos jogadores que aqui estão, além de um trabalho de base são apenas alguns destes problemas.
Mas como sempre tem algo positivo também no mar de problemas, vejo com bons olhos o futuro dos novos treinadores no país. Aos poucos os medalhões vão ficando em segundo plano, seja pelo alto custo ou pela falta de reciclagem.
Se em outros tempos tivemos nomes como Péricles Chamusca, Vagner Mancini, Ney Franco, Andrade, Jayme de Almeida, entre outros, comemorando títulos inesperados, e ao mesmo tempo nem todos seguindo em frente ou mantendo a média vitoriosa, nos últimos anos, nomes como o de Marquinhos Santos, Doriva, Leonardo Condé, Marcelo Fernandes ganharam destaques.
Não é de hoje que vemos ex-atletas se dando bem também nas quatro linhas. É uma sequência lógica, desde que esses se empenhem e entendam que é preciso se reciclar para sair do mais do mesmo. É assim que enxergo os nomes de Roger, Eduardo Batista e Petkovic.
O primeiro foi ídolo do Grêmio. Roger teve o privilégio de ter tido treinadores renomados como seu comandante. Deve ter aprendido bem o que deve e o que não deve fazer. É sabido que muitos treinadores se dão bem, mesmo que uma única vez ou de forma precoce, pelo simples jeito de tratar os jogadores. Às vezes a linguagem do boleiro vale mais do que a técnica em si. Roger é sério, mas ao mesmo tempo humilde para dividir opiniões. Assumir o comando técnico do tricolor gaúcho no lugar do amado, idolatrado e valorizado Luiz Felipe Scolari não é para qualquer um. O time tem suas limitações, mas nas mãos do ex-lateral e zagueiro surpreende cada vez mais.
Outro nome de destaque é o de Eduardo Baptista. Ele é um desses profissionais que sabe dividir opiniões. Atualmente é um treinador que enche os olhos dos grandes clubes, e longe de querer menosprezar a grandeza do Sport. Para quem não sabe, o preparador físico virou treinador por um acaso. Saiu de um terremoto no Japão, deixando o seu pai para seguir sozinho na carreira. Sim, ele tem pedigree. É filho de Nelsinho Baptista, um campeão na função e nome respeitado no meio. Eduardo já é uma realidade. Foi campeão pernambucano e da Copa do Nordeste em 2014, depois passou por maus bocados no mesmo ano no Brasileirão. Foram oito jogos sem vencer. Em 2015, a sorte parecia se afastar de vez ao perder o título estadual e a Copa do Nordeste.
Mas aí o mérito para o rubro-negro que sabia do potencial de seu treinador e a decisão em mantê-lo no cargo. Perfeccionista e de bom planejamento, Eduardo chegou à bela marca de mais de 100 jogos no comando e com um cartel com mais vitórias do que derrotas. Ajuda e muito sua equipe a representar o Nordeste no nacional.
Por fim, oque falar do belo trabalho do sérvio Dejan Petkovic à frente do Criciúma? Quando Pet assumiu o comando, o Tigre, que até então era considerado um dos nomes fortes para retornar à elite em 2016, estava na zona de rebaixamento. Mas o que mudou? Pode ter certeza que uma das razões da campanha invicta de sete jogos, sendo quatro vitórias foi pela atitude. O ex-meia é um líder nato. Tem uma cultura diferente. Sabe como se colocar e cobrar seus jogadores. Pode acreditar que atrás do jeito simpático e educado tem um ser-humano que sabe mexer nas feridas e com o brio. O debutante tem tudo para continuar fazendo história em Santa Catarina.
Até a próxima!