quarta-feira, 8 de julho de 2015

A DIFERENÇA DE OLIVEIRA - Por Rodrigo Curty



E apesar do Brasileirão, série A para muitos ainda não ter empolgado, para outros vai de vento em polpa. Das 20 equipes participantes, muitas já mudaram de comando e renovaram seus elencos.
Essa fórmula nem sempre funciona, porém para o Palmeiras vem surtindo um efeito bem positivo.
Se no ano passado, a torcida que canta e vibra passou por maus momentos, pelo menos até aqui tem muito o que comemorar.
E antes de entrarmos nas questões técnicas, vale e muito o registro de como o clube trabalha nas questões financeiras. Para se ter uma ideia, hoje o maior lucro vem do programa Sócio-Torcedor. O Allianz Parque gera lucros extraordinários com a média de 31.500 pessoas por jogo e renda acima de R$2 milhões. Assim, os direitos televisivos já não incomodam como em outros tempos. A instituição entendeu que quando se tem um empresário à frente do negócio e trata o clube como uma empresa, não tem como dar errado, mesmo quando esses não saibam muito de futebol.
Hoje, Paulo Nobre que comeu o pão que o diabo amassou é idolatrado pelo planejamento que faz. Mas toda a calma é pouca, pois se os resultados não surtirem efeito, o que se construiu irá por água abaixo. O excesso de contratações sem olhar primeiro o que se tem dentro de casa é muito perigoso. Dar resposta à ansiosa torcida nem sempre é positivo. Nomes como o de Nathan, Victor Luis e Renato perderam espaços com Oswaldo de Oliveira. Já Gabriel Jesus e João Pedro devem continuar sendo aproveitados no atual comando.
A mudança de comando técnico reflete no atual estado de espírito. Longe de querer comparar quem é o melhor, mas vale a análise entre as diferenças de Oswaldo e Marcelo.
O primeiro chegou com o propósito de colocar o Alviverde em seu devido lugar. Teve a colaboração do diretor de futebol, Alexandre Mattos que contratou uma “baciada” de 22 jogadores. Independente da base ter sido esquecida, o treinador de fala mansa sentiu o peso e pecou nos próprios erros ao querer dar resultado sem pé nem cabeça. O Palmeiras em seu tempo nunca foi um time, e sim um bando. Oswaldo errou ao não insistir nos 11 que acreditava. Cada hora era um esquema, e quando parecia que decolaria, o medo de perder culminou nos maus resultados. Foram 31 jogos com 17 vitórias, sete empates e sete derrotas. A equipe marcou 50 gols e sofreu 26.
Agora quem dá as cartas é outro Oliveira. Marcelo como é de costume faz o que Oswaldo deveria ter feito. Ele não mexe muito na equipe, principalmente se essa estiver dando certo. É um treinador ofensivo que gosta de ver a bola girando de um lado para o outro e exige que os seus laterais apoiem. Utiliza dois volantes, sendo um sempre como elemento surpresa no ataque. Conta ainda com meias que entendem a obrigação de abastecer o centroavante de momento. A fórmula está dando muito certo, afinal o Palmeiras chegou a quarta vitória seguida, o que não ocorria desde 2009.
De quebra, nomes que geravam dúvidas como Rafael Marques e Dudu dão conta do recado e a defesa, que mesmo exigida e contando com doses de sorte não sabe o que é levar gols nessas vitórias. O Verdão se iguala ao Corinthians como a equipe menos vazada do torneio.
Desta forma, o sonho de chegar ao G4 e até conquistar o título é algo bem real, mesmo faltando muitos capítulos pela frente. É aguardar para ver se o casamento terá longa duração. No Cruzeiro foram dois anos e cinco meses de muita alegria e decepção na Libertadores. Faça a sua aposta!
Até a próxima!