terça-feira, 28 de julho de 2015

PARABÉNS PAI DA MATÉRIA - Por Rodrigo Curty


E hoje é uma data muito especial para os apaixonados pelo esporte, sobretudo o futebol. É que há 66 anos, nascia em Osvaldo Cruz, o que é para mim, o maior de todos os narradores que tive o prazer de ouvir e ver. Falo de Osmar Santos.
A carreira começou no interior de São Paulo, na cidade de Marília, local onde passou a infância e teve a oportunidade de mostrar sua genialidade.
Osmar Santos era um fenômeno nas transmissões. As partidas de futebol nos presenteava com ingredientes fantásticos e com graciosidade e inteligência. Osmar nos presenteou com jargões que até hoje são lembrados como: “xirulirili, xirulirula”; "ripa na chulipa; pimba na gorduchinha"; "é fogo no boné do guarda"; "bambeou, mas não caiu"; "Um prá lá, dois prá cá"; “é lá que a menina mora”, “E que golllllll”, e outros tantos mais.
Osmar Santos era muito rápido no raciocínio. Para se ter uma ideia, ele conseguia pronunciar até 100 palavras seguidas sem engasgar. Sorte das emissoras de rádio: Jovem Pan, Record e Globo e de TV: Globo, Record e Manchete que o tiveram fazendo sucesso e aumentando a audiência. Osmar era também muito ligado em política, assuntos gerais, leitura. Conseguia acrescentar tudo isso em suas narrações, mudava o foco nas entrevistas, o que às vezes enfurecia a emissora em que trabalhava. Era um inovador, falava o que pensava, não tinha medo de expressar a sua opinião.
Ficou famoso também em uma fase histórica do país. No ano de 1984, ficou conhecido como o "locutor das Diretas", afinal era um dos responsáveis pela campanha das "Diretas Já", movimento que tinha como objetivo trazer de volta as eleições diretas para presidente do Brasil. Subiu ao palco com ex-jogadores, políticos e enlouqueceu o Vale do Anhangabaú, em São Paulo.
A carreira ia de vento em popa, mas quis o destino que o seu talento fosse colocado em outra área.
No dia 22 de dezembro de 1994, um acidente na estrada que liga Marília à Lins tirou de Osmar o que ele mais sabia fazer. Caia uma chuva fraca na estrada, e segundo relatos, nem mesmo a redução da velocidade em seu veículo foram capazes de evitar a imprudência de um caminhoneiro alcoolizado que dando ré, em plena estrada, quase custou a vida do ex-narrador.
A traseira do caminhão foi ao encontro do cérebro de Osmar. Acabava ali a genialidade da narração deste grande homem que também é formado em Educação Física, Administração e Direito. Ele tinha apenas 46 anos e estava no auge. Mas Deus sempre conforta. A vontade de viver o fez lutar como nunca pela sua recuperação. Se hoje, infelizmente não consegue pronunciar nem cem palavras, pelo menos se encontrou com a  capacidade de usar e descobrir o talento do seu lado esquerdo.
Hoje, 20 anos após o grave acidente, Osmar Santos é um  homem de bem com a vida, um exemplo de amor pela vida. Fora isso, é um pintor de obras coloridas, nada abstratas e com muito sentimento. É a sua maior terapia.
Por fim deixo uma ótima dica. Hoje às 20h30(horário de Brasília), a ESPN Brasil mostra o documentário: "Osmar Santos: Vai Garotinho que a vida é sua!".
Vale a pena conferir as histórias do início de carreira, as curiosidades e depoimentos de quem fizeram e fazem parte da vida de Osmar Santos. Nomes como o de Juca Kfouri, Fausto Silva, Paulo Soares, Edison Scatamachia, Juarez Soares, Roberto Carmona, dos irmãos Oscar Ulisses e Osório Santos prometem te emocionar.
Viva Osmar! Viva a inesquecível narração esportiva!
Até a próxima!