sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

O ETERNO M1TO TRICOLOR - Por Rodrigo Curty


E a emoção tomou conta do Morumbi. A despedida de um grande ídolo sempre é comovente, mas quando o mesmo é considerado mais do um simples jogador, a emoção é bem maior.
Rogério Ceni é um desses casos. O goleiro-artilheiro deu o seu adeus à torcida tricolor. A festa foi incrível, digna de um pop-star. A torcida pode ver o goleiro até se arriscando na música. Sim, ele tocou guitarra e cantou “Envelheço na cidade” com o grupo Ira!. Momento histórico.
Em campo estiveram vários craques e importantes jogadores do passado. A maioria da equipe que conquistou dois títulos mundiais(92-93) e o tricampeonato em 2005. O placar pouco importou. 5x3 para o time de 2005. O que valeu mesmo foi a oportunidade, principalmente para os mais novos de sentir um pouco do que foi o time comandado pelo mestre Telê Santana. Hoje, mesmo fora de forma, muitos ainda conseguiram demonstrar a técnica apurada como Raí, Muller, Válber, Zetti, e por aí vai, além daqueles que mantém a mesma saúde, como por exemplo, o lateral e depois meia Cafu, artilheiro da noite. O ex-jogador ainda parece um menino, impressionante.
Na equipe de 2005, apesar de bem mais limitada tecnicamente, sobrou a entrega e determinação. De quebra, Rogério ainda atuou por muito tempo na linha e, mesmo antes de fazer um emocionante discurso, deixou o seu, em cobrança de pênalti.
A carreira de 25 anos dedicada à um único clube não teve somente amor, porém é sabido que amor e ódio andam lado a lado. Por pouco o M1TO não abandonou o São Paulo. O coração falou mais alto, a maturidade de saber levantar a cabeça, após erros cruciais também. Assim, o goleiro entrou para a história do esporte. Se muitos não o consideram com “tal” status e preferem comparar com outras lendas, no caso folclóricas como “ Saci-Pererê”, “Mula-sem-cabeça”, entre tantas outras, sinceramente poderiam deixar a rivalidade de lado e aplaudir.
O discurso só não foi melhor porque o microfone estava com problema, de qualquer maneira deu para entender tudo que se passou com o pensamento, coração e integridade do atleta. Agradeceu um a um. Vivenciou um filme na cabeça, quando atuou com craques talentosos que o ensinaram como liderar e ser o “cara” e os outros a se entregar, apesar das limitações. No fim do discurso, sem que nada fosse combinado fez um pedido aos seus familiares: Que quando morrer que suas cinzas sejam jogadas no estádio. A torcida foi à loucura.
Acredito que Rogerio Ceni em breve estará em alguma função no futebol. No São Paulo, algo me diz que um dia estará novamente no comando. Será? É aguardar para ver. A minha torcida é para que novos ídolos surjam no “pobre” e “improvisado” futebol brasileiro.
Até a próxima”