quarta-feira, 6 de julho de 2016

UM PESADELO DE NOME BORJA - Por Rodrigo Curty

E o São Paulo finalmente voltou a campo para encarar mais um desafio pela Copa Libertadores. Foram 48 dias de espera. A torcida estava esperançosa, ansiosa e confiante em mais um triunfo do Tricolor na competição. 
O Morumbi estava lotado, em festa e brilhando para o duelo contra o belo time do Atlético Nacional da Colômbia. Mais de 60 mil são-paulinos torciam para ver uma equipe vibrante, focada e serena como nos duelos contra o Atlético MG.
De fato, a atmosfera tinha tudo para ajudar o time dentro do campo, porém os desfalques de Paulo Henrique Ganso e Kelvin fez a diferença na qualidade do meio-campo e ataque. Os comandados de Bauza foram pouco objetivos e ao meu ver respeitaram demais o adversário.
A partida foi equilibrada e muito estudada. Poucas oportunidades na primeira etapa e um jogo mais aberto na etapa final. Para quem esperava uma equipe colombiana enfraquecida por ter perdido importantes jogadores na janela e também por cartões - Copete, Ibarbo, Bérrio, viram os reforços que chegaram dando conta do recado. Entre eles o que não será esquecido tão cedo - Miguel Borja. O atacante de 23 anos foi o artilheiro do último campeonato nacional. Marcou 19 gols em 22 jogos pelo Cortuluá, e bateu o recorde (18) que pertencia a Jackson Martínez em 2009 II (a Liga disputada no segundo semestre). O "cara" foi o nome do jogo. Na etapa final, aos 10' quase marcou de fora da área. Depois aos 13' subiu mais que a zaga tricolor e mandou a bola no travessão de Denis.
Se não bastasse, quando o São Paulo conseguiu trocar passes e chegar com perigo ao gol de Armani, após chute de Michel Bastos, veio a maior lambança. O futebol prega muitas peças. Quem poderia imaginar que a maior contratação da equipe - o zagueiro Maicon, junto ao Porto seria vilão no confronto? O zagueiro estava nervoso e foi infantil para quem custou R$22 milhões.
Exagero ou não, o fato é que o capitão, até então seguro e ajudando na criação do time, aos 28' foi cobrar de Borja a reposição rápida da bola e empurrou a cabeça do jogador na frente do árbitro Mauro Vigliano, que não pensou duas vezes e o expulsou. O ídolo recente poderá ser lembrado como a maior decepção e terá que se conformar com o "chupa estrogonofe".
Independente da expulsão, é impossível não reconhecer que o time comandado por Reinaldo Rueda é muito superior tecnicamente. O time manteve o mesmo padrão que o colocou como a melhor equipe na fase de grupos. Dominou o São Paulo e soube se aproveitar de um homem a mais. Bauza errou nas substituições. Calleri não teve chance, Hudson, Daniel e Allan Kardec não deram surtiram o efeito esperado. 
Assim, aos 36' veio o início da tragédia. Borja recebeu excelente passe de Guerra, após troca de passes e na cara de Denis não vacilou. O estádio silenciou e depois voltou a cantar. A torcida sentiu que precisava empurrar os jogadores dentro de campo. O tempo passava e o que era ruim ficou pior. Aos 43', novamente, após envolver o adversário, Marlos Moreno recebeu na área e de calcanhar deixou Borja na cara de Denis para decretar a derrota. 

O São Paulo busca sua sexta final na competição. É possível, porém uma tarefa nada fácil. Terá que quebrar tabus. Vencer um adversário e se classificar depois de ser derrotado em casa é inédito na competição. Fora isso, o São Paulo não conseguir vencer nenhum jogo fora. 
Para avançar terá que se superar. Vencer na Colômbia por três ou mais gols de diferença contra um time que levou até aqui, apenas quatro gols. Se o Tricolor vencer por dois gols de diferença, sendo 3 a 1, 4 a 2, 5 a 3 também avança. Se repetir o placar de 2 a 0, a decisão da vaga será nas penalidades. Haja coração. Faz tempo que o clube da Fé não teve esse teste pela frente. Faça a sua aposta.
Até a próxima!