domingo, 10 de julho de 2016

UMA FESTA PORTUGUESA COM CERTEZA - Por Rodrigo Curty

E quando a bola rolou no dia 10/06 para o início de mais uma Eurocopa, nem os mais otimistas portugueses esperavam que a sua Seleção poderia no dia 10/07 a grande campeã.
A França por ter uma ótima geração e por jogar em casa, além de Espanha, Alemanha, Itália e Inglaterra era uma das principais apostas. 
Já Portugal era considerada uma zebra, mesmo caindo no grupo relativamente fácil com Hungria, Islândia e Áustria. Pois bem, são essas e outras que fazem do futebol uma fantástica e apaixonante caixinha de surpresas.
E quis o destino que as grandes favoritas fossem justamente eliminadas entre si, após as definições dos dois melhores de cada grupo. Desde às oitavas, quem caiu do lado fraco da tabela, provavelmente surpreenderia até o final. E foi o que aconteceu. País de Gales e Portugal foram eliminando seus adversários. Caíram as mais fortes da chave - Bélgica e Croácia e também as surpreendentes Polônia e Irlanda do Norte. Assim as duas mediram forças nas semifinais.
Do outro lado, aos poucos as grandes se despediam. Primeiro a Inglaterra para a sensação Islândia, depois Espanha com a Itália, que perderia nas quartas para à Alemanha e, essa nas semifinais para a França.
Pois bem, na grande final, em pleno Stade de France, o mundo pode acompanhar o duelo de duas gerações promissoras. A dos Bleus mais madura, favoritíssima e confiante contra a Luso de um craque com os seus "soldados". Uma seleção nitidamente que conta com mais emoção do que razão e, que precisava afastar o "fantasma" e a decepção de perder, em casa o título em 2004. 
A partida, apesar de ter sido decidida somente no segundo tempo da prorrogação, apresentou muita emoção. O goleiro de Portugal, Rui Patrício foi uma verdadeira muralha. Se não bastasse, Cristiano Ronaldo se contundiu gravemente no joelho esquerdo, antes mesmo dos 10'. Chorou, tentou, lutou e voltou para perceber aos 24' que ajudaria mais se deixasse o "combate".
Em sua quarta Eurocopa, mesmo de fora, ele foi protagonista da conquista inédita. Quem não se lembra do microfone de um "indigesto" repórter sendo jogado no rio? E do gol de letra contra à Hungria? E do gol e assistência contra o time de seu companheiro de clube, Bale?
CR7 estava engasgado, o jogador que bateu diversos recordes, como sendo o maior artilheiro de Copa dos Campeões, da própria Eurocopa, que já levantou troféus de melhor jogador do mundo, precisava dessa conquista na carreira.
A campanha foi digna de um filme. Ao todo, nas sete partidas, Portugal encarou três prorrogações. Na final se mostrou forte defensivamente com seu goleiro e o zagueiro Pepe, hoje um verdadeiro "monstro". No meio e ataque era coração na ponta da chuteira com William Carvalho, João Moutinho, João Mário e Nani. Os comandados de Fernando Santos se doaram demais. Todos jogaram por todos. Não tinha bola perdida e nem desespero com as vaias que viam dos franceses nas arquibancadas.
A situação ficou ainda melhor aos 3' da prorrogação. O talismã Éder, que entrou na segunda etapa no lugar do badalado e jovem talento Renato Sanches foi muito feliz no chute de fora da área e estufou as redes do ótimo goleiro Lloris. 
O inacreditável, improvável acontecia. Justamente na final, a França sucumbiu contra um adversário que não sabia o que era vencer o duelo, desde 1975. De lá para cá, foram 10 jogos e dez triunfos franceses. Ficou provado que em final, quem manda é Portugal. Foi assim também no primeiro confronto oficial entre as Seleções. Os lusos levantaram a taça em Saint-Denis.
Agora nada mais justo de 11 ou 15 milhões de portugueses comemorarem a inédita conquista.
Até a próxima!