quarta-feira, 19 de outubro de 2016

PALMEIRAS E O MECENATO - Por Rodrigo Curty



E o campeonato brasileiro está em sua reta final. Até aqui houve erros de arbitragem, que trouxeram benefícios e prejuízos para todos os 20 clubes participantes. O problema é que agora, qualquer erro é visto e questionado de uma forma muito mais acintosa. 
Infelizmente o clássico Flu x Fla teve um momento histórico de aguardar uma decisão do trio de arbitragem por longos 13'. Para quem não se recorda, o auxiliar Emerson Augusto de Carvalho, sem titubear, anulou de forma correta o gol do zagueiro Henrique. Depois foi a vez de Sandro Meira Ricci, assumir que o gol foi legal. Confusão vai e volta e no fim, afirmam que alguém de fora "soprou" que a TV mostrou que o gol foi irregular. O árbitro voltou atrás e causou uma "mancha" na competição, uma vez que o Tricolor entrou com uma ação no STJD, que prontamente anulou até segunda ordem o resultado da partida.
O "se" não entra em campo e mesmo assim a dúvida que fica é se caso o Flamengo não ficasse somente um ponto do líder Palmeiras e o Fluminense com chance de ir para à Libertadores, o desfecho e valorização seria a mesma?
Ora, impossível não creditar que o STJD levou em consideração as reclamações e a cena patética de um presidente de clube do tamanho do Palmeiras pedir a palavra para reclamar e afirmar que o Flamengo não levará o título na " mão grande". Isso foi no mínimo deselegante por parte de Paulo Nobre, mesmo tendo seus motivos em defender o seu clube.
O curioso é que no final de semana, quem teve o problema crônico do trio foi o desesperado Figueirense. O time de Florianópolis viu o Palmeiras abrir o placar numa penalidade "discutível", depois teve que se contentar com um gol irregular marcado por Jean, no qual entrou com pedido de anulação por erro de direito, o que foi prontamente negado. Por fim, uma penalidade máxima não marcada em cima de Rafael Silva. Coisas do futebol? Claro, quem apita e controla os jogos são seres humanos.  
Se analisarmos os erros e acertos da arbitragem até aqui, sem deixar o "clubismo" falar mais alto, veremos que o líder se beneficiou em pelo mais três partidas - Os clássicos contra São Paulo e Corinthians, com dois gols de forma irregular do zagueiro Mina e contra o Internacional, que teve um pênalti não marcado a favor. 
O Palmeiras por tudo que fez e se planejou, sem dúvida faz por merecer o título, se assim realmente for e sim, não podemos esquecer o que a história nos mostra.
O clube altamente tradicional, campeão e respeitado teve seus momentos de "seca" após 1976 e precisou virar empresa para voltar a ser campeão. Através da Parmalat conquistou dois nacionais (93 e 94), três paulistas, dois torneios Rio-São Paulo, uma Copa do Brasil, uma Copa Mercosul, uma Copa das Campeões e a Libertadores, título mais importante. Queira ou não a comparação da empresa italiana como sendo um mecenato é aceitável. A Parmalat contratava craques da época e mesmo que não haja provas, de certa maneira estimulava ou manipulava árbitros, entidades e agremiações para ter o investimento de volta. No fim da parceria o clube atravessou uma nova era de maus resultados, prejuízos e quedas à série B. O encanto acabou.
Agora na gestão "Nobre", o ano do centenário quase fica manchado com mais uma queda. A grana falou mais alto. O presidente é o homem que injeta cada vez mais dinheiro no clube e banca os poderes dados ao seu diretor de futebol Alexandre Matos. A dupla pode ser comparada a Caius Mecenas e ao primeiro imperador de Roma, Otávio Augusto que dava a incumbência a Mecenas para financiar o que fosse necessário para que a cidade de tijolos se transformasse em uma cidade de mármores.  
Vamos aguardar os capítulos finais e ver se a "mão grande" beneficiará nobres ou plebeus, se a conquista de A ou B será mesmo nas quatro linhas. A certeza que fica, mesmo que "tapem" as evidências, é de que no fundo não vale a pena torcer e acreditar em credibilidade no futebol brasileiro.
Até a próxima!