quinta-feira, 27 de abril de 2017

O VALENTE E AGUERRIDO PALMEIRAS - Por Rodrigo Curty

E infelizmente a partida entre Peñarol e Palmeiras pelo grupo 5 da Libertadores honrou com as expectativas. Calma, eu não falo desta dentro de campo, que aliás mereceria muito mais destaque do que as cenas lamentáveis que vimos novamente na competição mais importante do continente Sul-Americano.
O Palmeiras na última rodada recebeu os uruguaios no Allianz Parque e aguentou muita provocação, cera e no fim saiu premiado, mesmo que além do tempo de acréscimo mostrado - Venceu por 3x2. No fim, o volante Felipe Melo "rasgou o verbo" contra Gaston Rodriguez. O jogador do time uruguaio o chamou de "macaco" e a promessa era que o bicho pegaria na partida de volta, mesmo com o jogador adversário se desculpando. 
O problema é que Felipe Melo polemizou ao afirmar: "Se tiver que jogar no Uruguai e dar tapa na cara de uruguaio, eu vou dar. Lógico que com responsabilidade". Conto mais para frente...
O estádio Campeón Del Siglo contou com uma torcida apaixonada que empurrou a equipe para cima do time brasileiro. Abriu 2x0 e sobrava na partida. Essa deveria ser a melhor resposta à frase do polêmico jogador palmeirense, só que o pior estava por vir.
Pois é, quis os deuses do futebol que o segundo tempo tivesse uma virada histórica de 3x2 e um futebol pegado apenas no campo. O treinador Eduardo Baptista foi de criticado a vencedor. Se para muitos começou com uma escalação equivocada, teve humildade de reconhecer e mudar a estratégia - acertou. Tchê-Tchê, Willian e Keno mudaram a partida contra o pentacampeão uruguaio.

Aqui um parênteses - Na coletiva, após a partida, o treinador brasileiro falou tudo que o incomodava nas últimas semanas. Foi contra a classe jornalística, exigindo que os mesmos dessem suas fontes as "mentiras" que falaram a seu respeito. Que parassem de criar coisas que não existem no clube. Eduardo cobrou respeito e dignidade. Penso que no "calor" do que foi o pós jogo é bem compreensível esse comportamento, afinal ele é um ser-humano. 
O problema é que O Palmeiras é a "bola" da vez, como em outros tempos São Paulo, Corinthians, Flamengo e Cruzeiro, por exemplo já foram. O comandante tem que saber lidar com as críticas, suposições e principalmente ter pulso para comandar cobras criadas. Não posso afirmar e muito menos ficar em cima do muro. Sou a favor do treinador em sua resposta e desejo de falar apenas sobre futebol e não de bastidores. 
E também penso que o diretor de futebol Alexandre Mattos colaborou para essa atitude vir à tona. Deu muita explicação sobre Roger Guedes, Felipe Mello, ambiente conturbado, de cobranças como já vividos no Cruzeiro. Ora, essas coisas devem ficar apenas no clube. Agora tudo será motivo para o ambiente palestrino ser conturbado e repleto de suposições. Os que lá estão deveriam entender que o clube é maior que os que vestem a sua camisa.
Agora de volta ao confronto. O jogo terminou muito mal e por pouco não virou tragédia. O Palmeiras sofreu uma covardia do time uruguaio que já fez o mesmo contra Grêmio, Flamengo e Santos. É lamentável que até hoje se permita esse tipo de atitude na Libertadores. 
O torneio é de futebol e não MMA. Acabou essa coisa de achar que a porrada e a valentia fará a diferença para uma equipe ser campeã. A Libertadores precisa de credibilidade e reconhecimento de ser uma competição tão boa quanto as de fora, mesmo estando anos luz do mínimo de padrão de qualidade.
A Conmebol tem a chance de mostrar serviço e dar o exemplo. Poderia ter feito no ano passado no fatídico clássico que envolveu River Plate e Boca Juniors, em La Bombonera - Para quem não se recorda, os jogadores do River foram agredidos impiedosamente e nada aconteceu. O Boca tinha que ser punido, independente de ter sido culpa dos torcedores.
No caso do Peñarol, a esfera é outra. Os jogadores foram os responsáveis pela briga generalizada. Queriam Felipe Melo e tiveram. Só que o volante se defendeu e deu o prometido "soco" na cara de Mier. Depois Prass e Willian apanharão também, tinha repórter de TV batendo com o instrumento de trabalho nos jogadores do Palmeiras, torcida jogando objetos na torcida palmeirense e vice-versa, tocaia para pegar a delegação no vestiário, separação do grupo, falta de seguranças, enfim, uma covardia repleta de cenas lamentáveis, principalmente sabendo que o esporte segue carente de ídolos e referências aos mais jovens. Hoje, infelizmente não é bem isso que eles se lembrarão. 
A tendência é que a punição seja bem pesada. A entidade está manchada depois que publicou o balanço financeiro expondo o desvio de quase US$130 milhões à ex-presidentes. Por isso, em busca de credibilidade deve agir e entre as punições multar o Peñarol em até US$400 mil e permitir jogos só com portões fechados. Já aos jogadores envolvidos a multa também pode chegar a US$400 mil e até 24 partidas de suspensão.
Vamos aguardar o que vai dar. Por enquanto, vale os parabéns ao time brasileiro não pela violência, mas pela vitória e praticamente a passagem às oitavas de final. O time pode ter ganho a "casca" que faltava para ter a confiança de seu torcedor.
Até a próxima!