quarta-feira, 24 de maio de 2017

O PESO DO NOME FLAMENGO - Por Rodrigo Curty

O Flamengo sofreu para vencer o Atlético GO e garantir passagem à próxima fase da Copa do Brasil. Depois de um empate sem gols no Maracanã, a equipe carioca jogava até por empate com gols para avançar. 
Para muitos o time atropelaria o time da casa, assim como fez pela segunda rodada do Brasileirão no último sábado, quando venceu sem dificuldade por 3x0. 
Ora, besteira é pensar assim, mesmo com o time saindo na frente logo aos 12' com Guerrero. Vale uma análise mais fria de entender que o time está desgastado não só física, como emocionalmente, após a precoce eliminação na fase de grupos da Copa Libertadores.
Jogar duas vezes seguidas contra o Dragão, no Serra Dourada, depois da tragédia em Buenos Aires não é fácil. O time da casa era completamente outro, jogava a vida e a necessidade de provar que pode sim permanecer na elite em 2018.
O Flamengo tem o peso de sua camisa, história e investimentos altíssimos para chegar aos objetivos traçados. O torcedor não aceitará ficar no "quase" em mais uma temporada. Por isso, os críticos devem ter discernimento nas análises. Há muita maldade e exagero.
Basta pensar - Se o Flamengo passasse adiante na competição internacional, hoje estariam valorizando, enaltecendo e compreendendo a classificação, mesmo que às duras penas contra o time goiano. Entenderiam o cansaço físico e emocional. Entenderiam que o elenco existe para suportar as sequências do nosso péssimo calendário. Valorizariam até os erros dos sempre criticados zagueiros e volantes da equipe.
Só que não foi bem isso que aconteceu desde a saída da Libertadores. De lá para cá a raiva da torcida que normalmente apoia mais do que critica, a pressão sobre os atletas, em jamais permitir errar até conquistar algo relevante só aumenta.
Sem dúvida nenhuma, muitos jornalistas, comentaristas e "falsos" rubro-negros ajudam nesse atual cenário. Arrisco em dizer que torciam para mais uma eliminação para manter as criticas, ao meu ver abusivas e também para desvalorizar o planejamento traçado. São oportunos que usam do nome Flamengo à sua pauta no dia a dia para ganhar destaque.  
E olha que não é exclusividade do clube carioca. A verdade é que o time agora é a "bola" da vez. Todos estão de olho nos passos dos comandados de Zé Ricardo que tudo indica, se manterá à frente do clube desde que siga vencendo. 
O elenco é sim mediano, super valorizado e não por culpa dele e sim da mídia que sempre atua para o bem e o mal. É claro que Zé Ricardo tem condições de mudar e colocar de vez a equipe nos eixos. A vitória de 2x1 foi fundamental para resgatar um pouco da paz, mesmo com a atuação abaixo da crítica. O time está exausto. Joga domingo contra o Atlético PR, na Arena da Baixada, e daí sim, terá a tão sonhada semana para trabalhar e recuperar jogadores. 
Em breve Diego retorna. O grupo ganhará muito em qualidade no passe e ofensivamente. A questão aqui é mais do quem joga e sim de como se joga. O Flamengo ficou óbvio. Valoriza demais o esquema com homens de velocidade nas pontas. Quando não os têm, faz de Rodinei e Trauco os alas ofensivos. 
É preciso repensar urgentemente a parte defensiva. Muralha é esforçado, mas não tem mais o apoio da torcida. Rafael Vaz e Réver sentem a pressão e erram grotescamente em todos os jogos. Vale, talvez, um esquema com Juan e Donatti, quando esse voltar de lesão. Márcio Araújo estava bem, após as críticas, mas está exausto e voltando a ser o que era. Pará, Arão caíram muito de rendimento. 
O elenco deve ser aproveitado em sua essência e ser reinventado com todas as peças à disposição. A hora de mesclar e ter alternativa já passou. Impossível cravar o que será daqui para frente, certo mesmo é que bastará um tropeço para a chapa voltar a esquentar.
Para jogar no Flamengo é preciso entender que tanto na vitória como na derrota, o exagero se fará presente. Vamos aguardar os próximos capítulos.
Até a próxima!