domingo, 18 de novembro de 2007

UM MAL NECESSÁRIO? - por Gustavo Cavalheiro

A seleção brasileira masculina de vôlei foi derrotada pela seleção americana em sua estréia na Copa do Mundo do Japão, nessa madrugada, por 3 sets a 0 (28-26, 30-28 e 25-20).

Jogando sem o levantador Ricardinho, ainda não tão "de bem" com o técnico Bernardo Rezende, o Brasil se torna apenas mais um bom time de vôlei pelo mundo.

É inegável a qualidade técnica do Ricardinho, que acelerou as jogadas e fez do vôlei um novo esporte. O Ricardinho é um William 3.0 GTX Flex ou um Maurício "with lasers", como dizem os garotos orkutistas. William e principalmente Maurício criaram todas, repito TODAS, as jogadas que existem no vôlei atual. Do "desmico" até a chutada no meio na linha dos 3 metros, o Brasil sempre foi o país mais criativo do vôlei mundial.

Devemos ao Ricardinho, um ponta canhoto na origem da base do Banespa, uma velocidade inexplicável ao jogo. A bola vai estar lá, acredite! O meia não pode simplesmente fintar, ele poderá receber uma bola na mão sem bloqueio pra socar mesmo e deve acreditar em todas as bolas.

O problema do Ricardinho sempre foi a sua cabeça. Posso dizer pois o conheço há mais de 20 anos e sempre o ego o traiu. Impulsivo, brigava com técnicos, atletas e até diretores de seus clubes e adversários desde os seus 12, 13 anos.

Seu comportamento é estranho, pois em casa ele sempre teve bons exemplos, seu irmão mais velho, também era jogador, e como seu pai, são pessoas fabulosas, mas Ricardo Bermudez (como era chamado) sempre foi um "casca de ferida" que a genialidade em quadra encobriu o seu mau gênio.


Geniosos os levantadores sempre foram, essa posição por sinal é o local perfeito para os egocêntricos, que normalmente são craques. É como na música: William, Maurício, Ricardinho e tantos outros levantadores, seriam os vocalistas, enquanto os pontas seriam seus habilidosos guitarristas, os meias seriam baixistas e o líbero um baterista esforçado.

No caso atual, comenta-se até por outros líderes da selação na imprensa, que ele tentou liderar uma mudança da forma de divisão dos bichos da seleção, pois Bernardinho ganharia dinheiro com livros e palestras usando o "grupo" sem se preocupar em dividir o resultado com todos, contrariando a recomendação e o pacto travado entre eles, em que não há prêmios individuais no grupo. Essa teoria ganhou força, pois foi numa "vitória individual" de Ricardinho que a crise começou, quando ele ganhou o MVP (jogador mais valioso) da última Liga Mundial e não quis dividir o prêmio.

É provável, muito provável que não seja só isso que tenha tirado o Bernardinho do sério, já ouvi até que o clima da família Bernardinho vem mal há anos (com direito a se usar a frase: fale com meu advogado sobre isso!), mas as grandes conquistas apagam e tudo acaba num misto de emoções que relembram o dito de Maquiavel que: "os fins justificam os meios".

Voltando ao dia de hoje, com todo respeito ao campeão panamericano Marcelinho, mas o Brasil sem Ricardinho é mais um. Jogando o que jogou, não vejo muitas chances do Brasil se classificar na Copa do Mundo, assim como o feminino fez essa semana passada ao ser vice-campeão da Itália.

Duvido que o perfeccionista Bernardinho não vá abrir o olho. Não se trata apenas do Ricardinho jogar mais que o Marcelinho, mas sim a forma de jogar e principalmente a maneira dos adversários lerem o jogo do Brasil.


Avisando os Pachecos despercebidos, jogando essa bolinha de hoje podemos ser sim quarto, quinto numa boa. Acorda Brasil!

Nosso próximo desafio é a Espanha, Campeã Européia, na manhã de segunda as 7h30. Seria uma boa hora de promover mudanças profundas rumo à Pequim. Estou torcendo e esperando novamente a melhor equipe do vôlei mundial de todos os tempos.

Nossa sorte é que o Brasil sempre toma um susto no começo, mas termina bem com o Giba com sua barba de Fu-Manchu pra assustar o azar.