segunda-feira, 11 de setembro de 2017

A CULPA ERA DE ZÉ RICARDO - Por Rodrigo Curty

Foto:LANCEPress
E mais um a vez o time do Flamengo decepcionou seus torcedores. Longe de não valorizar a vitória do Botafogo de Jair Ventura, o problema é entender porque sempre restam desculpas para os tropeços. A comparação de elenco passa longe. Um time de estrelas contra um considerado de "refugos" e que ao mesmo tempo se estivessem em clubes midiáticos, seriam mais valorizados. O Glorioso, pelo que tem merece respeito e aplauso.
Definitivamente a gestão Bandeira de Mello vai muito bem na parte administrativa, jurídica e planejamento visando o bem do clube, principalmente no quesito cofres, o problema é que segue péssimo para a sala de troféus. É importante que os envolvidos entendam de uma vez por todas que esse clube vive ou que deveria viver mais de títulos. 
A semana era vista com bons olhos pelo fanático torcedor, que diga-se de passagem foi questionado, polemizado de na primeira final da Copa do Brasil contra o Cruzeiro, em pleno Maracanã, de estar calada. Ora, independente de Flamengo, tudo leva a crer que a tendência é de termos nos estádios ou melhor na Arenas, apenas os que são providos de dinheiro ou que, de forma sem muita explicação, guarda aquele "dinheiro" do mês para ver o seu time de coração de perto. E que dinheiro com tantos jogos rolando no mês.
Assim, o "povão", o verdadeiro torcedor que canta os 90', que chora, sorri, empurra e que jamais deixa de estar junto se afasta cada vez mais, seja pelos preços, seja pela violência ou simplesmente pelo péssimo nível técnico e estrutura do nosso futebol.
No caso do Flamengo, o torcedor cansou de ver sua equipe ser considerada uma "potência" e na hora da verdade, ainda deve se contentar com os tropeços. A quem diga que a culpa era de Zé Ricardo e que com Rueda tudo será diferente. Finalmente chegou um "cara" que conhece como fazer a máquina girar para o caminho esperado da glória.
Confesso que vi sim melhoras na equipe, pelo menos no quesito diminuição de espaço, concentração e uso da bola a favor. Por outro lado, a metodologia de jogar com pontas avançados, a falta de jogadas trabalhadas, seja ela no contra-ataque ou nas bolas paradas, a quantidade de jogadores de nome que não conseguem dar "liga", entre outras coisas, ainda irrita e muito a maioria.
Zé Ricardo deixou a herança para Rueda e pode ser pelo fato de ainda não conhecer completamente o grupo, o que é de se entender, pelo pouco tempo e devido tanta competição ao mesmo tempo, o mesmo faz de seu time, um "bando" sem vibração e sem muitas mudanças táticas e técnicas. 
É claro que deve ser bem complicado administrar um elenco tão valioso e repleto de peças que deveria ser titular. Fora isso, o planejamento de quem joga esse ou outro torneio também ajuda na falta de identidade. Parece não haver critério e sim direcionamentos.
O problema é que do jeito que está não pode ficar. É impossível acreditar que não há ninguém que se incomode com a falta de utilização de jogadores como Mancuello e Conca. Nada contra Gabriel e Matheus Sávio, mas arrisco novamente em dizer que não tem critério para que ambos joguem esporadicamente. Tem muita coisa estranha no ar. Aliás, os garotos da base deveriam ser mais utilizados. A identidade do clube está indo para os ares. Senão como você explica o time que perdeu para o Botafogo com nomes como Diego Alves, Rhodolfo, Rômulo, Éverton Ribeiro, Cuellàr, Geovânio, Guerrero, etc tropeçarem da forma que se viu? É inaceitável ver um elenco considerado alternativo e que sem dúvida é um timaço melhor que quase todos da série A, não render o esperado
Ainda penso que o Flamengo para voltar a vencer precisará de uma vez por todas ter "cara, alma e coração" de Flamengo. Pode até ser que não falte raça e vontade, porém falta ousadia, coragem de jogadores potenciais em chamar o jogo, ir para cima do adversário e decidir. Falta aquele chute de fora da área, aquela garra em querer ganhar a qualquer custo. Isso não se vê.
Agora é esperar a continuidade do "tic-tac" impregnado na equipe que joga pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana contra a Chapecoense. Se passar, ainda terá muitas batalhas para levantar um torneio internacional, que cada vez mais mancha a história do clube com tantos fracassos. Será que dá para acreditar? Sinceramente, eu penso que desse jeito que está ainda não, assim não só ela, mas também a Copa do Brasil será perdida e a vaga para Libertadores no ano que vem, se vier, será na preocupante repescagem.  
Faça a sua aposta, de certo mesmo é que doa a quem doer, a torcida rubro-negra estará presente com o time aonde este estiver.
Até a próxima!

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

ERGUER OU NÃO A MURALHA - Por Rodrigo Curty

E amanhã será o dia da primeira final da Copa do Brasil. Flamengo e Cruzeiro decidem quem garantirá a primeira vaga para à próxima Libertadores.
O Maracanã será o palco da primeira batalha e estará lotado de uma massa rubro-negra empurrando, torcendo e na expectativa de um resultado positivo. Do outro lado, aproximadamente cinco mil cruzeirenses torcerão por um bom resultado para a volta no dia 27/09, no Mineirão.
Como se não bastasse os ingredientes favoráveis para uma bela decisão, visto que o time carioca eliminou equipes como Santos e Botafogo e a equipe mineira tirou do caminho São Paulo, Palmeiras e Grêmio, resta a dúvida, de quem sentirá mais falta dos jogadores impossibilitados de entrar em campo.
Reinaldo Rueda não pode contar com Diego Alves, Éverton Ribeiro e Geovânio. Nessa primeira partida também não terá Guerrero suspenso e Felipe Vizeu machucado. Do lado de Mano Menezes, o principal desfalque será o atacante Sassá. Coisas do belo regulamento brasileiro. Quem perde é o espetáculo.
De qualquer maneira, ambas as equipes contam com bons jogadores que têm tudo para abrilhantar à decisão. Esse é o típico duelo que um erro poderá ser fatal. Quem joga em casa deve ir para frente com tudo ou deve esperar? O visitante deve esperar ou tentar usar o fator torcida contra ao seu favor? Enfim, é importante lembrar que no caso do Cruzeiro, um gol fora de casa pode valer muito. No Flamengo, o controle emocional e a busca pelo placar positivo, seja ele qual for também.
E por falar em fator emocional, essa parada no calendário amenizou, porém não apagou o passado e momento ruim que vive o goleiro Alex Muralha. Essa uma dor de cabeça para Rueda. O que deve fazer o treinador? Erguer a Muralha ou mantê-la sob cuidados? Difícil a decisão, mesmo que digam que o grupo está unido pelo companheiro. Que todos jogarão, independente de quem assuma o gol. No caso do protagonista, penso que, por mais que tenha maturidade, tenha assimilado as críticas feitas pelo tabloide Extra e não se assuste com a torcida sem paciência, o certo, talvez fosse pedir para que Thiago assumisse o gol. Só que você no lugar dele, como profissional, faria isso? Ora, em muitos casos, nesse momento é que se mostra o nosso valor. 
A questão é que praticamente podemos afirmar que a cabeça de Alex não deve estar boa. A insegurança é nítida e mais forte que a experiência. Imagine você, se Rueda decidir por ele amanhã, e sinceramente, arrisco dizer que assim será, a torcida ao ver seu nome na escalação, provavelmente terá vontade de vaiar, xingar e só não fará porque não é burra a esse ponto. Do lado dos comandados de Mano, a certeza será a confiança em arriscar ainda mais em busca do gol e se aproveitar do emocional do arqueiro. 
Faça a sua aposta. Se Muralha jogar, poderá escrever um capítulo positivo se reinar no gol. Se falhar, dificilmente voltará a vestir a camisa rubro-negra. Que tensão rodeando essa decisão. Vale ressaltar que Rueda sabe o que faz. Mesmo com pouco tempo à frente do Flamengo, conhece o que tem em mãos. Fora isso, ele tem o seu padrão de jogo definido. O de toque de bola, espaços longos entre os jogadores, composições táticas e uma força defensiva, que seja lá qual for o goleiro, a bola pode nem chegar como foi contra o Botafogo, mesmo sendo a Raposa um belo time ofensivamente. 
É aguardar para ver! Até a próxima!

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

FALTOU LIGA AO FLAMENGO - Por Rodrigo Curty

O Flamengo está eliminado da Primeira Liga. Apesar do torneio ainda não empolgar muito os clubes e as torcidas, no fundo nenhum participante gostaria de ficar de fora, afinal, conta com uma boa premiação ao campeão e, no caso do Flamengo, era importante para fazer o elenco "girar".
Muito bem, longe de questionar ou criticar a estratégia do técnico Reinaldo Rueda contra a equipe do Paraná. O treinador optou poupar as principais peças do clube para a final da Copa do Brasil. A decisão ao meu ver foi correta.
O lado positivo foi ver garotos da base sendo testados como Léo Duarte, Klebinho e Thuler. A zaga foi diferente e não comprometeu, as laterais teve a improvisação de Gabriel, que também não teve culpa. Já do meio para frente, um elenco de respeito, mesmo com alguns questionamentos: Rômulo, Márcio Araújo, Éverton Ribeiro e Geovânio. No ataque Vinicius Junior e Felipe Vizeu.
No papel tinha tudo para o rubro-negro avançar. O problema foi a falta de ritmo de algumas peças, a falta de objetividade e coragem para definir as jogadas, além da nítida preguiça, semelhante ao início de temporada. 
Para piorar, o time saiu na frente com o gol de Éverton Ribeiro, em bela cobrança de pênalti. O time mal conseguiu saborear, uma vez que Alex Muralha falhou feio na falta de Renatinho. O jogo foi se arrastando e Rueda ainda tentou algo novo com as entradas de Conca, quase no final e de Lucas Paquetá, que substituiu Vizeu lesionado no joelho, de forma que preocupa para à decisão contra o Cruzeiro.
O time apostava nas descidas de VJ, que ontem ficou devendo como Geovânio. Faltou a concentração ao garoto e entusiasmo ao já rodado camisa 23. Ambos estavam displicentes. Foi assim, inclusive que Vinicius e Paquetá perderam as cobranças alternadas. De qualquer maneira, a torcida espera que ambos sejam cobrados e ao mesmo tempo preservados. 
Agora Alex Muralha, bem, a torcida não aguenta mais as chances dadas à ele e esperam que Tiago possa ser o goleiro nas finais. Esse será um problemão para o treinador resolver.
A eliminação deve trazer poucas consequências à Rueda, porém com uma certa dor de cabeça. Ele terá que trabalhar a possível "briga de egos" do elenco que via nessa competição, uma ótima chance de mostrar valor e que infelizmente não deu "liga". 
Assim, agora resta saber se o time alternativo será usado também na Copa Sul-americana ou se os considerados titulares terão que ter fôlego para a sequência das competições.
É aguardar para ver.
Até a próxima!

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

RUEDA INVENTA A RODA - Por Rodrigo Curty

E mais uma vez a Copa do Brasil será decidida entre Flamengo e Cruzeiro. Os dois times eliminaram Botafogo e Grêmio, respectivamente. Mano Menezes viu seu time ser mais competente, após vencer por 1x0 no tempo normal e avançar nas cobranças de penalidade máxima. Parabéns à Raposa.
Já o Flamengo, queiram ou não é outro nas mãos de Reinaldo Rueda. O treinador colombiano faz da equipe o que Zé Ricardo com um elenco menos qualificado conseguiu em 2016, ou seja, um time  bem defensivamente e ofensivamente.
É muito cedo para afirmar que o rubro-negro terá sucesso, afinal sem trocadilhos, Rueda troca a roda do carro em movimento. Errar nessa fase atual não é permitido. O elenco precisa de uma vez por todas entender que é forte e que precisa dar conta do recado.
A classificação hoje deve ser muito comemorada. O Botafogo é um time que ao meu ver joga um futebol interessante e objetivo. Espera por erros do adversário, joga com paciência e tem comando técnico. A questão é que Rueda conhece e muito o futebol. Em pouquíssimo tempo transformou o Flamengo em uma equipe competitiva e acima de tudo segura. O time não leva mais aqueles gols bobos nas costas dos laterais. O meio-campo e ataque está mais "longe", valoriza os passes com objetivos e se recompõe quando é necessário. Não existe afobação dos jogadores e cada um sabe exatamente a sua função. 
A grande missão de Rueda, além de conquistar títulos é encontrar a formação ideal sem que isso cause rumores, vaidades e divisões no plantel. O Flamengo vence com os onze em campo e o que se vê é os que ficam de opção vibrarem juntos. E olha que infelizmente Diego Alves, Rhodolfo, Éverton Ribeiro e Geovânio não podem jogar à Copa do Brasil. 
Desta maneira, quem não gostaria de ter um banco opções como essas na temporada? Trauco, Rômulo, Vinicius Júnior, Mancuello, Paquetá, Vizeu e até mesmo Conca quem nem no banco fica devem ser respeitados. Outros antes titulares também, como Márcio Araújo, Rafael Vaz, Renê, e por aí vai. todos têm o respeito do comandante, resta saber se voltarão a jogar tão cedo.
Hoje ficou claro o time de formação que Rueda implantará, inclusive no Brasileirão, exceção ao meu ver no gol. A zaga sem dúvida nenhuma deve ser Juan e mais um - Prefiro ao lado de Rhodolfo. As laterais com a improvisação de Pará na esquerda, nos dá uma impressão que o peruano Trauco foi "queimado" pela atuação contra o Atlético MG. O setor de meio finalmente voltou a render o esperado pela torcida - Cuèllar e Arão com Diego na armação e recomposição. O trio na frente com Berrío, Guerrero e Éverton tem velocidade e opções de troca de posições. 
O título é questão de tempo, assim como a tão sonhada alegria que o torcedor rubro-negro merece. Olho no Flamengo porque está "cheirando" uma ponta de "inveja" com o que  esse "gringo" causará à classe dos treinadores brasileiros.
A final da Copa do Brasil não há favoritismo. Será dois grandes duelos. Equipes experientes que contam com comandantes vitoriosos e que estão ansiosos por títulos. Infelizmente somente um será o vencedor. 
Faça a sua aposta e até a próxima!

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

POBRE BRASILEIRÃO - Por Rodrigo Curty

E lá se foi mais uma rodada do Brasileirão e aparentemente tudo se manteve como esperado. O Corinthians, apesar de sofrer a primeira derrota na competição, após 21 rodadas, segue bem folgado na liderança. A diferença para o Grêmio é de sete pontos e pode chegar a dez, uma vez que o Timão faz um jogo adiado contra a Chapecoense.
O torneio de pontos corridos é considerado o mais justo. Sim, todos se enfrentam em turno e returno. O problema é que pelo nível técnico do nosso futebol o formato faz com que falte cada vez mais empolgação, jogos vibrantes e equipes que levem cada jogo como uma decisão.
Ora, basta ver os times que antes do início eram os mais badalados - Palmeiras, Flamengo e Atlético MG para não citar mais nenhum. Com exceção do Galo que não investiu nem perto da dupla que conta hoje com cofres recheados, pensar que uma vaga na Libertadores está de bom tamanho é no mínimo um fracasso de planejamento.
O Palmeiras investiu milhões em busca da tão sonhada Libertadores. No fim, saiu não só dessa competição como também da Copa do Brasil e o Paulista. A diretoria trouxe Cuca e nem assim o time entra ou pior, parece entrar nos eixos. O rubro-negro não fica atrás em decepções só que ainda pode amenizar os investimentos. Apesar de eliminado ainda na primeira fase da Libertadores, no Brasileiro fazer uma campanha regular, o clube ainda sonha com a conquista da Copa do Brasil e Sul-Americana. A tarefa não será nada fácil, mesmo com o bom técnico Reinaldo Rueda aos poucos encontrando a melhor formação e estilo de jogo. Só que no mata-mata o time tem tradição.
E longe de menosprezar ou tirar o mérito de times como Corinthians, Santos, Cruzeiro, Atlético PR, Botafogo. Essas equipes mostram um futebol regular e de muito talento tático e algumas delas podem cair pela tabela. 
O líder, apesar de ter um elenco considerado o mais fraco é o que faz o melhor papel. Prova que o futebol é feito de planejamento, união, respeito ao que é pedido pelo treinador e principalmente e infelizmente pela burocracia que dá certo. O Timão joga um futebol pragmático e burocrático, e daí? O importante em pontos corridos é ganhar pontos e ser campeão, mesmo que no final das contas, o torcedor avalie a forma como a conquista se deu e entenda que Romero foi essencial no esquema.
É de valorizar os talentos individuais, e sim, também lamentar que o nosso futebol se contente em ver Jô, Henrique Dourado e Lucca sendo os principais artilheiros, enquanto o São Paulo segue a sua luta contra o rebaixamento depositando todas as fichas no bom jogador, porém reserva na China, Hernanes. Se contentar com tantos talentos à disposição de Cuca e Rueda, por exemplo e ao mesmo tempo ver um futebol sem alma, brio e beleza.
O calendário é outro grande problema, apesar de ter melhorado em comparação aos últimos anos. O time que conta com um grande elenco pode suportar todas as competições, o problema é que nem sempre esses fazem do elenco um time de onze jogadores. Caso novamente do Palmeiras que tinha tudo para ter um time certo para cada competição e não conseguiu sequer, jogar com um mesmo time por certa sequência. 
Por isso, a grande atração nesse returno será pela briga de quem sobrevive na elite em 2018. A mídia gosta de valorizar o que tem na tela, ou seja, hoje fazem drama com o São Paulo, Vasco e Atlético MG. Eu sinceramente entendo que o trio sofrerá para não cair à série B. E digo mais, o Botafogo, hoje décimo lugar com 28 pontos também corre riscos. A parte intermediária para baixo é o que anima a competição, apesar de jogos fracos, de equipes amedrontadas com medo de atacar. Podem me cobrar, saberemos ao certo quem deixará de permanecer na série A, somente na 35ª rodada e olhe lá. Até lá será um sobe e desce de equipes trocando de posições. Casos de Vasco, Ponte Preta, Coritiba, Bahia e até mesmo o Galo. Resta saber desses, quem terá força para fazer valer pelo menos a lição de casa que é de vencer sobre seus domínios, esse um quesito importante, vide o que ocorre com o Cruzmaltino. O time caiu nas tabelas, principalmente após perder o mando de campo, por culpa de seus "torcedores". Já Atlético GO e Avaí fazem uma força danada para retornarem à segundona.
Faça a sua aposta e aproveite o nosso pobre futebol.
Até a próxima!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

GALO AO CHEIRO VERDE - Por Rodrigo Curty

E o Brasil decepcionou mais uma vez na Copa Libertadores. Exceção ao Grêmio, que mesmo levando um susto no início para os argentinos do Godoy Cruz, virou a partida para 2x1, com gols para variar de Pedro Rocha. 
A noite poderia ser melhor para os brasileiros, só que o fantasma do "favoritismo" deu às caras. Depois da eliminação precoce do badalado Flamengo, desta vez, quem viu a "casa cair" foram outras duas agremiações tidas como as favoritas a ganharem tudo na temporada.
Pois é, quem poderia esperar que o Atlético MG fosse eliminado pelo frágil Jorge Wilstermann, da Bolívia, em pleno Mineirão? E para quem não se lembra, o time foi o primeiro na pontuação geral, ou seja, de nada valeu.
O fato é que o Galo foi cozinhado bem antes da partida. O clima, a falta de motivação, comando, sintonia time-torcida não existe há tempos na Cidade do Galo. Prova disso é o time, que no papel sem dúvida conta com um dos melhores do país, porém na prática ainda deve muito, afinal o que se viu foi uma falta de objetividade no duelo. Um gol bastava para tentar a sorte nas penalidades. Um vexame inesquecível para os atleticanos.
A ordem do presidente Daniel Nepomuceno é que o seu clube garanta vaga na Libertadores do ano que vem. Será que com Rogério Micale e sem possibilidades de reforços de peso, isso é possível? Claro que sim, basta entrar nos eixos e ter vergonha na cara. Vamos aguardar e esperar para ver se o Galo definitivamente sai da panela para não continuar sendo cozido.
Já O Palmeiras fracassou contra o "enjoado"time do Barcelona de Guayaquil, em plena Allianz Arena. O estádio estava pronto para a festa da classificação. O time de Cuca, para variar errou demais na hora da conclusão. Correu, correu, correu, levou sustos e não cansava de levantar bolas na área. 
Longe de querer criticar a escalação da equipe, uma vez que quem é responsável por isso é o treinador. De qualquer maneira, penso que Cuca se equivocou, respeitou demais e acreditava que sem um meia, um atacante de área, utilização de jogadores "cascudos" e apenas forçar a pressão na base de toques rápidos e chuveirinhos, chegaria a vitória com a diferença mínima de dois gols.  
O Palmeiras provou ser uma equipe normal, sem brilho e um verdadeiro "bando" sem identidade, sem um líder, sem um cara que chama o jogo e resolve. Mesmo em má fase, o jogo era para Borja, Michel Bastos ou Zé Roberto. Pelo menos um entrou e deu conta do recado. O "homem" da confiança de Cuca, Moisés que aos cinco minutos da segunda etapa fez o gol que trouxe a esperança da classificação.
Então pergunto: Se o jogador estivesse desde o início em campo, o time resolvia a partida? Mesmo sem condições, não era melhor arriscar desde cedo e depois se necessário o substituir para manter o placar necessário? O "se" não entra em campo, mas a chance era grande.
Daí para frente o que se viu foi uma correria desenfreada. Os espaços de sobra para o time equatoriano jogar, a trave salvando e um erro da arbitragem ao não marcar um pênalti claro para o visitante. Viu-se também o belo chute de Keno no travessão e por fim, o apito final para a dramática, lírica e patética decisão na marca da cal.
E se para muitos esse tipo de decisão é loteria, eu prefiro acreditar em competência. Infelizmente um time tem que sair derrotado. O nervosismo e a ansiedade se fizeram presentes nas cobranças de Bruno Henrique (bom que se diga que o goleiro Banguera se adiantou muito) e na derradeira do lateral-esquerdo Egídio fechando em 4x5.

Fim de um sonho, de um planejamento e de investimentos catastróficos. Início de uma cobrança por melhores dias, permanência ou saída de jogadores. Resta o Brasileirão, e convenhamos, esse "cheirinho verde" está bem longe de ser sentido no final do ano.
Até a próxima!
 

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER - Por Rodrigo Curty

coluna do Flamengo
O assunto de hoje não é livro e nem cinema. Trata-se de futebol, que não deixa de ser uma arte e tão pouco, em sua atual conjuntura de vendas mirabolantes e jogos tecnicamente fracos possa ser comparado ao clássico do tcheco Milan Kundera.
Para quem não conhece a obra, uma pequena descrição para entender o que vem a seguir. O livro conta com enredos erótico-amorosos e se passa em um tempo politicamente opressivo. Traz uma reflexão da existência humana como um enigma que resiste à decifração. Mostra a escolhas e situações do acaso de seus protagonistas, que remete o peso insustentável que guia a vida e o reconhecimento da opressão, de forma que consiga suavizá-la
O romance tem muito a ver com a situação atual ou de alguns anos do Flamengo. Começando pela política do clube e longe de criticar a forma com Eduardo Bandeira de Mello e seus respectivos gestores conduzem o clube, principalmente no quesito financeiro.
Sem sombra de dúvida, o que se viu do Flamengo "no papel" no ano passado para esse é completamente diferente. A receita que entra e sai é absurdamente maior, assim como os nomes para vestir o manto rubro-negro.
Esse ao meu ver foi um dos principais aspectos que culminaram na demissão de Zé Ricardo. Se no ano passado, o comandante teve um rendimento extraordinário, mesmo caindo inexplicavelmente na reta final da competição, pelo menos via dentro do campo, um time com raça, entrega e sintonia entre os escalados e reservas. 
Nessa temporada, o peso ambicioso de conquistar a Libertadores e o Brasileirão naufragaram com os que chegaram para somar e sem nenhum planejamento, afinal toda semana era um ou outro que se juntava aos presentes.
A primeira queda, ainda na fase de grupos ajudou na sequência ruim, sobretudo emocional. A falta de competência, poder de reação, jogo bem definido, alternâncias táticas, confiança e união colabora para a diferença gritante de 18 pontos para o líder Corinthians.
O título nacional é uma ilusão e por que não entender que uma das vagas à Libertadores também? O time atual do Flamengo não tem nenhuma identidade com o clube, as tradições e só se fala em dinheiro, sócios-torcedores e trabalhar, trabalhar e trabalhar para mudar uma situação que não parece ter cura.
Assim a culpa maior vem sobre o treinador, claro. A mudança de comando sempre é válida se houver um desgaste e falta de pulso. A derrota por 2x0 para o Vitória, na Ilha do Urubu, estádio esse que veio com a ideia de ser um caldeirão, se transformou no inferno astral e a certeza da falta de comando de Zé Ricardo.
O treinador entrou com um estilo de jogo e uma escalação completamente diferente do que vinha fazendo. Entregou de vez os pontos e jogou para sorte a sua permanência. Acreditava como tantos rubro-negros que o elenco desse calibre rendesse se jogasse solto e sem medo de perder. Tinha tudo para dar certo se não fossem os mesmos erros dos jogos anteriores. Laterais que viram avenidas, zagueiros lentos e um meio que toca, toca, toca e não arrisca chutes, que insiste em chuveirinhos, não ousa em jogadas individuais e que não têm confiança.
Hoje o Flamengo busca entender a opressão de seus apaixonados torcedores. Tenta juntar os cacos, buscar a cura para amenizar a crise escancarada. Tenta recuperar o prestígio, a confiança dos que pagam altos valores pelo ingressos, dos que se associam, dos que não darão paz ao presidente e diretor de futebol Rodrigo Caetano e que desejam ainda as "cabeças" de Muralha, Rafael Vaz, Márcio Araújo, Gabriel, e por aí vai.
A tendência, se vierem os resultados é de um acordo de paz, principalmente porque um dos que desejavam a saída partiu - Zé Ricardo com seus 62,6% de aproveitamento nos longos 432 dias no comando e no currículo, a conquista do carioca desse ano e suas 47 vitórias, 25 empates e apenas 17 derrotas.
A ferida precisa ser estancada logo, independente de quem venha à assumir. Dizem que deve ser um nome de peso, um cara de pulso, que vibre e faça o time vibrar. Outros acreditam em nomes conhecidos, paizões e de identidade com o clube. Por fim, os mais pessimistas, pensam em soluções caseiras ou "inventadas" por essa diretoria que faz muito bem a conexão com empresários,e que nos faz lembrar de gestões como a de Kléber Leite. Sim, muitos jogadores e nada de resultados no campo.
Faça a sua aposta, alguns nomes como Carpegianni, Dunga, Jorginho, Oswaldo de Oliveira, Ricardo Gomes, Roger Carvalho e até de Reinaldo Rueda ventilam, mas quem assume mesmo, pelo menos até o jogo de quarta-feira contra o Palestino é o Sr. Jayme de Almeida.
Força ao Flamengo e pés no chão. O Brasileirão é ilusório, mas a Copa do Brasil e a Copa Sul-Americana é uma realidade, antes mesmo da obrigação.
Até a próxima!