quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

A MÍSTICA DO MARACANÃ - Por Rodrigo Curty

E o Independiente(Arg) saiu na frente na final da Sul-Americana contra o Flamengo. O Rei das Copas teve o apoio maciço de seu fanático torcedor, antes, durante e depois da partida no estádio Libertadores da América. Esse aliás, um aliado, afinal, em 15 decisões, contando essa, jamais a equipe perdeu em casa - 12 vitórias e três empates.
O rubro-negro carioca teve uma atuação boa, saiu na frente com belo gol do capitão e zagueiro Réver, e só não liquidou a fatura, mesmo antes de levar o gol de empate, porque mais uma vez faltou alguém assumir o jogo, chamar a responsabilidade de chutar sem medo de errar. Isso sem falar da ausência da persistência em pressionar o adversário em seu próprio campo e o desgaste, que poderia ter sido evitado se o time tivesse a competência no Brasileirão. Águas passadas e que não sirva de desculpa, apenas um fato que colaborou.
Ora, longe de ser exclusividade do time carioca em sair na frente e, a partir daí querer jogar por uma bola. E longe de ser apenas o Flamengo que peca pelas jogadas forçadas de maneira equivocada como quem deseja apenas se livrar da bola ou dar passe de efeito. Esse o caso de Everton Ribeiro, meia de qualidade e que ainda deve uma grande exibição no clube - Desta vez, o camisa 7 errou o passe simples, deu o contra-ataque rápido, ao envolvente time argentino que empatou o jogo com o "matador" Gigliotte e incendiou a partida.  
Depois do baque, ambas as equipes erravam muitos passes, e desperdiçavam boas chances, mesmo sem chegar à conclusão. Na segunda etapa o que se viu foi um Flamengo novamente recuado, e sim, bem cansado pelas desgastantes viagens nas últimas semanas - às vezes é melhor seguir "quente" no jogo do que esfriar para voltar. O time sentiu e sem criação, desorganizado e com os "velhos" erros bobos de marcação e espaços cedidos para ser atacado, sofreu a virada. Foi assim que saiu o segundo gol, aliás de rara felicidade de Meza, sem chance para César.
Foi aí então que Rueda resolveu tirar um de seus meias inoperantes - Diego foi o escolhido, assim como Paquetá. A missão de tentar buscar o empate ficou para Everton, recuperado de lesão e nitidamente sem ritmo de jogo e o veloz Vinicius Junior. O garoto teve personalidade para incendiar a defesa do Independiente e só não contou com a sorte e a presença de maturidade para olhar o jogo. Teve momentos que poderia ter tocado atrás e preferiu os cruzamentos equivocados, que diga-se de passagem é uma das armas do Flamengo que precisa urgentemente acabar. Com o que tem em mãos, o time precisa definitivamente tocar a bola no chão e com rapidez.
Até certo ponto, quando fez isso com Everton e Vizeu quase empatou. O primeiro sofreu falta na entrada da área e sem perigo na cobrança de Cuéllar, o segundo não estava em uma boa noite e perdeu duas boas chances. 
O torcedor tem que ter calma, pois essa falta de competência tende a dar certo no Maracanã, que lotado, incentivando e tendo a paciência junto com a equipe em campo, ajudará e muito pela sua mística para o título tão sonhado, almejado pela péssima temporada finalmente ser alcançado. Hoje o 2x1 foi um placar que dá a certeza de ser tirado - isso ficou provado quando o rubro-negro se impôs. 
A razão é simples - o time argentino, assim como o brasileiro permite jogar e dá muitos espaços. Resta aguardar para ver se a pontaria, à aparição de um jogador que chame o jogo e tenha vontade de decidir também surja na hora "h".
O tempo será primordial para uma melhora técnica e física - Rueda vai de Paquetá ou Everton? Everton Ribeiro e Diego saem como titulares e finalmente Vinicius Junior começará? Rodinei e Pará ou Trauco mantido? Tem muita coisa para o treinador colombiano pensar, e como todos gostam de ser treinadores, eu decidiria assim a minha equipe: César, Rodinei, Juan, Réver, Everton ou Pará, Cuèllar, Arão, Diego e Paquetá ou Mancuello e no ataque Felipe Vizeu e Everton ou Vinicius Junior. 
Vamos aguardar e ver se o histórico dia 13/12 traga novamente sorte ao Mengão. 
Até a próxima!

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

ADEUS BRASILEIRÃO - Por Rodrigo Curty

E lá se foi mais um campeonato brasileiro, série A. Foram 38 rodadas de muita emoção, lambanças, surpresas e decepções.
O campeão foi o Corinthians com nove pontos de diferença para o segundo colocado Palmeiras. E o Timão entrou na competição como um azarão, principalmente por não ter no elenco, o que o time palestrino, Flamengo e Atlético MG, por exemplo tinham no papel. Por outro lado, mais uma vez ficou provado que um clube para ser o campeão deve ter um ótimo planejamento, união e principalmente ser um time e não um conglomerado de atletas, que muitas das vezes jogam apenas com o nome.
Santos e Grêmio fecharam o G4.
O torneio ficou aquém das expectativas no que diz respeito a técnica. Só que em emoção, sobrou até a última rodada. Quem imaginava que o Botafogo perdesse a vaga à Libertadores, dependendo apenas de suas forças em casa? E a Chapecoense se reconstruindo de maneira fantástica?  
Na parte da degola, em segundos, tivemos alternâncias de quem iria para à série B em 2018. Ora Vitória, ora Coritiba, ora Sport, ora Avaí. No fim literalmente, o principal protagonista desse maravilhoso esporte - o GOL definiu os últimos rebaixados Coxa Branca e Avaí para alívio do rubro-negro pernambucano e baiano. E olha que diferente de outros anos, apenas 43 pontos foram suficiente para se salvar em 16º colocado.
Já para os que buscavam uma vaga na Libertadores, o coração também trabalhou bem. Com a brecha de termos a possibilidade de nove equipes participantes, quem sorriu no fim além da Chape foram o Flamengo, o Vasco e o Atlético MG - calma lá, esse, desde que o rubro-negro carioca levante a taça da Copa Sul-Americana.  
Por pouco, quem diria o São Paulo não seria essa equipe a sonhar com a última vaga. Aqui a prova de que o campeonato é muito equilibrado. Um time que há quatro rodadas lutava para não cair, chegando à glória. Na atual conjuntura da competição, provavelmente teremos até a última rodada um time que lutava para não cair, jogando um torneio internacional. Esse o caso do Sport que vai para a Sul-Americana, caso o Flamengo seja o campeão da competição nesse ano.
Então pense comigo, um torneio com 20 equipes, provavelmente no fim, apenas cinco ficarão tristes de verdade, desde que tenhamos sempre uma equipe brasileira levantando as taças internacionais. Nesse ano, os que lamentaram foram: Vitória, Coritiba, Avaí, Ponte Preta e Atlético GO.  
Em 2018 com a Copa do Mundo pedindo passagem, o calendário apertado, haja emoção e novas surpresas. Faça desde já a sua aposta e até a próxima!

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

BRASIL CONHECE OS ADVERSÁRIOS DA COPA - Por Rodrigo Curty

Foto: Berimbau em Foco
E nesta sexta-feira, a FIFA realizou o sorteio para à próxima Copa do Mundo. A anfitriã, estreará no dia 14/07/2018 pelo grupo A contra a Arábia Saudita. Depois encara Egito e fecha a primeira fase contra o Uruguai.
Já o Brasil caiu no grupo E, e terá pela frente a Suíça, Costa Rica e por fim a Sérvia.
O país que deseja ser campeão não deve escolher seus adversários, assim, independente do grupo que cada cabeça-de-chave caiu, o planejamento deve ser muito bem feito para evitar as sempre inesperadas surpresas.
A Seleção Brasileira é extremamente outra nas mãos do técnico Tite. O treinador sabe que não terá jogo fácil e que precisará de muito foco, união e respeito entre os selecionáveis. É fato que a delegação está praticamente definida e isso ajuda, afinal o elenco está mais entrosado.
Hoje eu não farei uma análise de cada grupo, prefiro apenas falar o que se esperar do Brasil na Copa. E prometo que mais para frente, faço a minha projeção, combinado?
Sinceramente, essa pode ser finalmente a grande chance de vermos o hexa se tornar uma realidade e de forma brilhante. Pelos prognósticos, fatalmente poderemos ter México, Bélgica, França, Argentina e Alemanha pela frente. Ia ser sensacional para uma Copa que terá as ausências de Holanda, Itália e Estados Unidos.
O planejamento começa desde já. Ficar em Sochi não será problema, mesmo tendo que se deslocar para os primeiros confrontos, na ordem - Rostov, São Petersburgo e Moscou. Após o dia 27/07, a gente vê o que será determinado de localização. 
Para se chegar ao tão sonhado título será preciso muita humildade. Sair dos holofotes, esse um grande adversário. Festas e regalias durante o torneio não pode acontecer. O brasileiro gosta de deslumbrar quando cresce. Se a lição já foi aprendida, com certeza os pés ficarão no chão. Um passo de cada vez, falar pouco e fazer mais. Evitar provocações, riscos de cartões para não sair de partidas importantes, enfim. 
A minha grande tristeza será ver o Brasil sendo campeão sem um time de jogadores que atuam no país. É uma Seleção estrangeira, queiram ou não. Mesmo com as desculpas de que os melhores atuam na Europa, a identidade pode ser crucial. Ganhar dessa forma, apenas fará com que cada vez mais não tenhamos os melhores jogadores em atividade em nosso solos e sim uma safra de jovens talentos, que surgem a cada dia nos subs 15, 17 e 20, buscando o caminho internacional. Uma pena e também a realidade dos que aqui estão - o de preferir ver a Seleção ser campeã, custe o que custar.
Caminhamos assim, e quem sabe um dia, mesmo distante, possamos vibrar com a Seleção Canarinho, proveniente dos times do país.
Até a próxima!

FLAMENGO COMO DEVE SER FLAMENGO - Por Rodrigo Curty

E o Flamengo conseguiu o que muitos não imaginavam. O rubro-negro venceu o bom time do Junior Barranquilla, em pleno estádio Metropolitano, na Colômbia. 
A equipe que vive momentos conturbados, de incertezas para o futuro e com uma temporada para ser esquecida, viajou com dúvidas de quem defenderia à meta na semifinal. Seria novamente Muralha, que já gastou todas as chances possíveis de fazer história positiva ou o prata-da-casa sem ritmo César? 
Ainda bem que para o bem de todos, a escolha de Rueda foi pelo jovem de 25 anos, que de esquecido, virou o personagem da partida. Nem os mais otimistas torcedores do Flamengo, esperavam tanta alegria e noite espetacular de um profissional que estava dois anos inativo e que no havia sido tirado da lista de inscritos da competição e retornou às pressas.
Ora, essas coisas que acontecem no futebol são inesquecíveis. César fez milagres, se impôs, provou que sabe o que é vestir esse pesado manto sagrado. Mostrou personalidade no primeiro lance de perigo - aquela bola, que se entra, desmorona todo emocional da equipe. Como um passe de mágica, esse peso foi para o time adversário, que sentiu jogar em casa e a responsabilidade de ter que fazer um único gol contra um time anos luz mais tradicional. Chutavam de tudo que era jeito, a fim de testar o "garoto esquecido". Tudo era em vão, e quando a bola ia na direção certa, César fazia o seu papel para o mundo ver, entender que de uma vez por todas, quando se tem preparo emocional, alegria, concentração e coragem, se chega longe. 
O Flamengo jogou com inteligência, aguentava a pressão e na segunda etapa conseguiu com seu outro "menino" dar início a conquista da vaga. Felipe Vizeu, o substituto de Guerrero, arrancou do meio-campo até a entrada da área, para com classe tocar por debaixo das pernas de Viera e calar o estádio.
Daí para frente o jogo ficou nervoso, a pressão aumentou com César sentindo câimbras e mesmo assim pedindo para permanecer em campo -  ele parecia já imaginar o que o destino reservava - Fez duas ótimas defesas e brilhou eternamente aos 43', quando encarou o craque deles, o veloz Chará, que da marca do pênalti viu uma verdadeira muralha rubro-negra saltar para o canto esquerdo e espalmar o que seria um gol para dar esperança aos colombianos. 
Para fechar com chave de ouro, novamente Vizeu, depois de bela jogada de Rodinei, estufou as redes, decretou a passagem às finais e a certeza de que craque o Flamengo faz em casa.
A história prova isso, o Flamengo não nasceu e nem vive para ter craques ou jogadores consagrados em outras equipes. O Flamengo vive e deve seguir com o que tem de melhor, com as suas crias, as suas pratas, afinal, são esses que na hora "h" não fogem, não se escondem e que assumem o compromisso de ter no fim o lugar ao sol.  
Agora é esperara e ver se essa diretoria que ganha 10 no quesito saúde financeira e para não ser radical ganha nota 6 em planejamento, aprenda de uma vez por todas e use essa semifinal como lição. O Mais-Querido merece um final de 2017 feliz e com o título internacional que não vem desde 1999. 
Que venha o Independiente, da Argentina. Que seja devolvida a perda do título em 1995 e que seja novamente um 13/12 inesquecível na Gávea.
Assim quem sabe 2018 definitivamente será o da ressurreição do Flamengo. O Flamengo que a torcida gosta de ver - o de raça, amor, paixão, identidade e títulos e mais títulos.
Até a próxima!

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

GRÊMIO GRANDE DO SUL - Por Rodrigo

foto: EL País
E mais uma vez o Rio Grande do Sul está colorido em sua maioria de azul, preto e branco. O tricolor gaúcho levantou mais uma taça Libertadores. A geração gremista deu conta do recado ao lado de jogadores considerados "refugos" em outros clubes. Isso sem falar que o comandante Renato Gaúcho, era visto apenas como um ídolo que tentaria a sorte de levantar títulos. 
Ora, o treinador provou que quem sabe realmente sabe e não precisa reinventar-se. Campeão da mesma competição em 83, no qual foi protagonista, inclusive na final do Mundial contra o Hamburgo-Ale, o ex-jogador mereceu e muito a conquista.
Renato bancou jovens como Maicon, Ramiro, Arthur, Luan, entre outros que jogaram a temporada com destaques que também vieram da base como o goleiro Marcelo Grohe e o meia-atacante Everton. E olha que devemos nos lembrar que Pedro Rocha também fez parte desse grupo e infelizmente teve que sair antes para o mundo internacional. Coisas do nosso futebol, que deve levar pelo menos dois dessa lista acima embora, se tudo correr bem, apenas no final do Mundial de clubes. Seria uma pena.
A noite foi eletrizante para o torcedor gremista. O Lanús buscava sua primeira taça na competição, estava com o apoio de seu torcedor e confiante, principalmente depois de eliminar o River Plate de maneira excepcional. 
O problema para os argentinos foi encarar um time copeiro e a fim de jogo. O primeiro tempo foi impecável, talvez um dos melhores de um time brasileiro no torneio. O tricolor foi soberano, calmo, estudioso e competente. Abriu 2x0 sem muito esforço e com erros dos zagueiros adversários, sim, em final, a atenção e a luta pela bola deve ser intensa. Melhor para o tricolor, que no primeiro gol, teve Fernandinho, quem diria, que saiu do meio-campo em velocidade até soltar a bomba da entrada da área e fuzilar Andrada. Depois o craque da Libertadores, o melhor jogador brasileiro em atividade no país, Luan fez uma pintura. Driblou os marcadores e com um toque embaixo da bola enlouqueceu sua fanática torcida presente no La Fortaleza. Era festa dos pampas na Argentina. 
Na segunda etapa como já era de se esperar, os comandados de Renato se defenderam, chamaram o Lanús e mesmo assim suportaram uma leve pressão, mesmo depois do pênalti infantil de Jailson, convertido pelo ídolo deles, o experiente José Sand.
O gol não passou de um susto, ainda teve tempo de Arthur sair machucado, Ramiro ser expulso e Luan perder o que seria o terceiro gol, após belo passe de Fernandinho.
Hoje o maior do sul é tri e no pôster estará os nomes de Bressan, Cortez, Jael, Cícero, Léo Moura e tantos outros questionados e capitaneados pelo não só cara de estrela, mas de grande conhecimento, competência e ainda mais ídolo Renato Gaúcho.
Parabéns Grêmio. E que as outras equipes entendam de uma vez por todas que um campeão se faz com respeito aos garotos, aos profissionais questionados e com um time e não apenas com nome no elenco. Que tudo é possível quando se honra a camisa que se veste, com raça, vontade e sem medo de ser feliz. Um título Tri-Legal. 


terça-feira, 28 de novembro de 2017

INDEPENDIENTE VENCE E ESTÁ NA FINAL - Por Rodrigo Curty

O cenário antes da partida válida pela semifinal entre Independiente e Libertad era de um estádio Avellaneda totalmente eletrizado, avermelhado, confiante e ansioso. E foi assim, durante e depois da partida, que ainda contou com mais um ingrediente, o grito de festa e comemoração pela classificação da tradicional equipe argentina.

O "Rojo" ou " Rei De Copas", como queira, não tomou conhecimento dos paraguaios. O Libertad havia vencido o primeiro duelo por 1x0, jogava pelo empate e até tomou a iniciativa, só que a pressão e dois lances capitais, culminaram para a sua eliminação na Copa Sul-Americana.
O jogo se resolveu na primeira etapa, e que bela partida. Ambos a fim de resolver logo, de chegar a final e longe de serem covardes. O time da casa aos 17' abriu o placar de pênalti - Barco sofreu a penalidade e depois cobrou com perfeição. O estádio foi abaixo e se contagiou ainda mais, após dois minutos, quando Gigliotti marcou o que seria o seu primeiro gol na noite.
Quem esperava um Libertad descontrolado se enganou - A bola parada que é o forte da equipe deu resultado na sequência com Cardozo Lucena aos 24'. O jogo ficou lá e cá até e aos 30', novamente Gigliotti, de carrinho deixava a vaga garantida à final 
Na segunda etapa o jogo seguiu com menos intensidade e mesmo assim teve alguns lances de perigo, principalmente contra o gol de Campaña. Os paraguaios perderam duas chances incríveis de empatar nos minutos finais. 
Valeu a valentia, a garra, só que no fim, prevaleceu a competência dos argentinos que agora esperam por Junior Barranquilla (col) ou Flamengo. No primeiro, o time carioca venceu por 2x1 e joga pelo empate. Confronto em aberto e bem complicado para os brasileiros. É aguardar para ver.
Até a próxima!

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

MURALHA ESTÁ PSICOLOGICAMENTE ABALADO - Por Rodrigo Curty

Foto: Gilvan de Souza/ Flamengo
E mais uma vez o Flamengo teve em Muralha a sua manchete. O goleiro falhou feio na derrota de virada por 2x1 contra o Santos. No primeiro gol santista, quis fazer o que não sabe, driblar o experiente atacante Ricardo Oliveira. Já no segundo, "comeu" um frango no chute de Arthur Gomes. A "cabeça" de Alex realmente não anda nada boa. Tudo dá errado.
É sabido que todo jogador profissional tem seus dias de glória e "aqueles" para serem esquecidos. O pior de tudo é que todo profissional que entende que pode ser o titular sonha e aproveita ao máximo quando a chance aparece - Faz de tudo para dar aquela "boa" dor de cabeça ao treinador.
Aí o X da questão, Muralha não só consegue dar a "terrível" dor de cabeça para Rueda como para os mais de 40 milhões de rubro-negros. Na final da Copa do Brasil, assim que falhou, entrou Thiago, esse "errou" na primeira final e para piorar, se contundiu. Logo na finalíssima lá estava ele, Muralha, e com ele, a expectativa de dar a volta por cima. O resto da história já conhecemos. Inseguro, nervoso, sem condições técnicas e se equivocando na estratégia das penalidades. Coisas do futebol.
Ali, ao meu ver, se injusto ou não, se profissional ou não, era a hora do Flamengo, que investiu tanto na trágica temporada, buscar um goleiro, e olha que não precisava ser nenhum arqueiro sensacional. Bastaria um que pudesse ser suplente em jogos de peso. 
Como se não bastasse a péssima temporada, os jogos perdidos por erros bizarros, Diego Alves, logo agora que melhorava a cada jogo, se acostumava  novamente com o futebol brasileiro se lesionou. Conseguir a classificação contra o Junior Barranquilla, na Colômbia, mesmo jogando pelo empate será uma missão desafiadora, sobretudo com o que Rueda decidirá para ser o camisa 1 - Muralha ou César? O primeiro deveria pedir para ser dispensado ou ser tratado como ser humano que é - um terapia poderia ser interessante. É nítido que o psicológico está muito abalado. Seria importante preservar seus familiares, amigos, e todos aqueles que torcem pela sua recuperação. 
O goleiro não é má pessoa, apenas está descontrolado e sem confiança. A melhor coisa a se fazer era dar férias para que se tratasse e procurasse novos ares. Já o segundo não atua há quase dois anos e mesmo assim tem como algo positivo ser um garoto formado na base, esses que sem dúvida nenhuma dão aquele "sangue" que o torcedor gosta de ver, principalmente nas adversidades. Basta ver quando joga Juan, Paquetá, Vizeu, Vinicius Júnior e agora Lincoln. A qualidade técnica não prevalece, ok, e sim, por outro lado sobra em atitude e determinação, o gosto de vestir o manto-sagrado e fazer história.
Ainda tenho dúvidas se a equipe passará às finais da Copa Sul-Americana e muito menos se vencerá o desesperado Vitória na última rodada do Brasileirão. A Libertadores é logo ali, e o caminho segue árduo para o Mais-Querido.
Vamos aguardar o desfecho desse capítulo. Até a próxima!


quinta-feira, 23 de novembro de 2017

DRAMA RUBRO-NEGRO - Por Rodrigo Curty


Apita o árbitro, é fim de jogo no Maracanã. Depois de uma partida bem nervosa, gols perdidos, tristeza, aplausos, vaias e desconfiança, no fim das contas para o Flamengo a vitória de 2x1 de virada contra o bom time colombiano do Junior Barranquilla, em partida válida pelo primeiro duelo da semifinal da Copa Sul-Americana deve ser bastante comemorada. 
O rubro-negro entrou focado em campo com surpresas na escalação. Mancuello fez às vezes de Everton, que diga-se de passagem, fez muita falta no setor. Ok, quando o Flamengo joga com os pontas abertos, fica um time óbvio, porém consegue abrir uma defesa tão compactada e tão bem na marcação como esse adversário, que ao meu ver é a melhor equipe das quatro que buscam o título.
O fato é que no futebol a competência sempre será fundamental. Não importa ver um time chutar 20 vezes contra a outra que chutou menos e perder. Tem que ter frieza, concentração e fazer logo o resultado. O Flamengo tentou isso e mereceu aos trancos e barrancos, como nos velhos tempos de que o torcedor não esperava mais nada de positivo, inclusive com direito a um golaço de Felipe Vizeu, jogador com holofotes em cima, por causa das desavenças com Rhodolfo na última partida. Coisas do futebol. Sim, o que menos se espera acontecesse também de forma negativa - o goleiro Diego Alves teve uma fratura na clavícula e com isso, mais uma vez, apareceu Muralha para desespero da Nação. 
O apoio não faltou, só que os gritos com o nome do goleiro ao meu ver entusiasmou demais. Quando a estigma é forte não há reza que dê certo. Com menos de 1' em campo, veio o gol dos colombianos. Vamos combinar que a falha foi geral do setor defensivo e não apenas do goleiro que permitiu que a bola passasse sobre seus braços.
Deve ter vindo na cabeça de Muralha, o período de 57 dias da perda do título da Copa do Brasil, onde foi execrado por não ter pego nenhuma penalidade cruzeirense e ainda por cima o fez perder a confiança. Ali, talvez fosse o momento para negociar com outro clube.
Bem, não foi o que ocorreu, talvez porque, assim a diretoria deixaria escancarado que falhou nas contrações e planejamento para a temporada. Só que agora? O que deve ser feito pela cúpula rubro-negra? O regulamento da competição permite contratar um goleiro em caso de lesão. Valeria a pena fazê-lo ou correr novamente o risco de bancar o goleiro?
Eu penso quem duas coisas: A primeira é o que imagino - O ambiente está conturbado, cabeças vão rolar após a temporada, aconteça o que acontecer. A gestão sofrerá graves consequências da torcida. O time por mais que diga estar unido, ainda gera dúvidas. Falta química, tranquilidade e confiança. Mesmo assim deveria ter essa união e todos jogando por todos até a última gora de sangue. Fazer o jogo do ano.
Por outro lado, vem a necessidade absurda de triunfar. Fazer valer o que foi planejado, certo ou errado. O Flamengo é e sempre será maior do que quem o serve. Esquecer as vaidades e correr riscos pode ser interessante na atual conjuntura - Trazer um goleiro, desde que experiente para tapar essa lacuna na partida de volta e posteriormente ter a chance de levantar a taça pode ser válido, desde que haja consentimento de todos, principalmente de Muralha, que está emocionalmente abalado e que entrará, caso seja o titular muito preocupado em não errar. Nessa noite ele errou e quase comprometeu novamente. Corre o risco de acabar de forma lamentável a sua carreira. De entrar negativamente para a história do clube. Agora seria fantástico ele conseguir o improvável, calar todos e retomar a sua auto-estima. 
Haja coração para o já sofrido torcedor do Flamengo. Que dúvida cruel. Vale queimar um novo garoto? Isso também seria muito ruim. Pena o Thiago está em recuperação e Gabriel precisar de mais rodagem para a tal missão. O jogo na Colômbia será uma pedreira, seja lá quem for o goleiro. O fato é, se o time experiente fazer valer o que se espera dele, mesmo tomando gol, no final quem sabe não garante a vaga na decisão? O problema é que isso não parece ser o que veremos. O cenário hoje é de um massacre com Muralha no gol. Agora como rubro-negro fanático, o que se espera é a vitória na adversidade, o cala-boca quando se menos espera, o despertar de um gigante, será? É aguardar para ver o que rola até 5ªfeira que vem, e após o apito final. Boa sorte Mengão, aonde e como estiver, estarei.   
Até a próxima!