segunda-feira, 2 de março de 2026

O BBB RUBRO-NEGRO - Por Rodrigo Curty

E o que acontece com o Flamengo? Definitivamente o time não consegue embalar ou simplesmente apresentar o mínimo que se espera dentro do campo. Qual o motivo de tudo isso?

Muito bem, vamos voltar um pouco no tempo. Flamengo e Paris Saint Germain na final do mundial de clubes. Que jogo, que exibição, que representação brasileira, que derrota melancólica nos pênaltis. Pelo incrível que possa parecer, ali o time entrou em frangalhos. Os dois primeiros bês entraram em cena. B de BAP (Luiz Eduardo Baptista) e B de José Boto.

Após a derrota de "pé", o então presidente deu declarações, que sinceramente poderia deixar internamente. Coisas do tipo: "O Paris Saint-Germain gastou fortunas sem obter resultados", alertando que o Flamengo não deve seguir esse caminho, sugerindo uma gestão mais eficiente que a de clubes europeus e, implicitamente, superior à dos clubes brasileiros. Disse também que o Rubro-Negro é uma "ilha" de gestão no Brasil, com uma arrecadação muito superior, o que permite um nível de investimento que outros clubes brasileiros não conseguem acompanhar e mandou recados diretos no fim da temporada, após títulos, dizendo para os rivais se acostumarem. 

Muito bem, um presidente que afirma que tem mais de um bilhão para investir e que seguirá dominando tudo, além de sonhar em transformar o Flamengo no Real Madrid das Américas, precisa ser menos egocêntrico, narcisista e mais humilde em entender que ninguém ganha, planeja e conquista sozinho. Que não foi apenas ele que colocou o clube onde está. O potencial é nítido, por isso é fato acreditar que o Flamengo já está muito perto desse patamar. Sem falsa modéstia, sim, por tudo que vem construindo, investindo, planejando. Só que o futebol vive de títulos, de glórias, de boas gestões. 

O nosso segundo B, em questão, é o diretor de futebol José Boto, que vem sendo muito criticado pelos torcedores, e de acordo com relatos, internamente funcionários e jogadores estão insatisfeitos com a maneira que ele se comunica, descrevendo-a como direta e às vezes ríspida. Ora, aqui vale uma reflexão. Será que já não era assim o estilo do dirigente em 2025? Bastou o time entrar em frangalhos para isso vir a público? O fato é que a cobrança deve vir de forma dura sim, pois os salários do elenco estão em dia, a folha é altíssima, a estrutura oferecida é de nível europeia, e é obrigação vir os resultados esperados. 

Arrisco dizer que Boto tinha que fazer o seu papel sem tanto holofote. O tipo de gestão "amadora" começou na minha opinião na renovação de Filipe Luis. Uma novela sem necessidade nenhuma, e que muito em breve pode terminar sem o esperado final feliz. A questão de seguir na busca de um centroavante, de ter que reforçar o elenco, de certa forma também atrapalha quem lá está, uma vez que nem todos sentem segurança em trabalhar, pois cria uma dúvida se ficará ou será usado como moeda de troca. Alguns inclusive nem sabe se renovarão. Sempre fui a favor desses assuntos serem tratados internamente, doa a quem doer. Um clube que se coloca como exemplo de gestão, deveria saber que é necessário fazer mais e falar menos.

É verdade também que os títulos ofuscam os problemas. Será que se o Flamengo mesmo jogando esse futebol pobre, sem variações, qualidade técnica e física, e principalmente falta de confiança, tivesse conquistado a Supercopa do Brasil e a Recopa, estaríamos debatendo essas questões? Falaríamos da lambança que foi o planejamento no início da temporada ao ter que usar o time principal para seguir vivo no carioca? Vale a reflexão!

Aqui vem o terceiro B, o do bando. Sim, o time que mesmo, ao meu ver, não encantou nem nas conquistas da Libertadores e do Brasileirão em 2025 segue parecendo um bando em campo. Falta definitivamente um time titular. Um time que sabe o que faz com a bola. Um time que não tenha tantas mudanças, que não seja tão perdido, sem rumo, desacreditado. Um time sem comando. O Flamengo tem sim o melhor elenco do país, mas o time está longe de ser o melhor. O tumulto foi criado, o papo foi dado, resta saber se terá efeito. Com todo respeito ao Madureira, mas o Flamengo está na final e agora é aguardar se a água se transformará em vinho na final contra o Fluminense. A única certeza é que em caso de mais um título perdido, a corda vai estourar de vez e cabeças irão rolar. 

Faça a sua aposta. A minha é que perdendo ou ganhando a final, a chave vai virar, e que 2023 sempre será um passado que o Rubro-Negro não desejará lembrar. 

Até a próxima!   

3 comentários:

  1. Perfeito. A política pode estar confusa, mas a bola não lê comunicado. Se o elenco é o melhor do país, tem que jogar como tal, simples. SRN2026

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  2. Concordo plenamente. O elenco vai dar conta da pressão. O time finalmente irá existir. SRN

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  3. Perfeitas e tristes palavras. Com flamenguistas concordamos e sofremos até que dias (e gestão) melhores venham! SRN 🖤❤️

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