terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A OLIMPÍADA TIBETANA - por Gustavo Cavalheiro

Imagine Richard Geere, Dalai Lama e o Príncipe Charles batendo um papinho amistoso sobre um evento ou sobre esportes. Sabia que essa imagem surreal pode acontecer na cidade de Dharamsala, ao norte da Índia, em agosto deste ano?

Tanto o ator americano, quanto o herdeiro da coroa britânica (que negou-se a presenciar a abertura dos jogos chineses) estão engajados na mesma luta contra a realização da Olimpíada Chinesa e a decisão do COI, de não aceitar o Tibete com uma equipe oficial e com bandeira própria em nos Jogos de Pequim.

O Tibete era um país desde 127 a.C. e “anexado” à China em 1950 e invadido pelo exército chinês em 1959, resultando na morte de quase 90 mil tibetanos. Mesmo após o Prêmio Nobel da Paz de Thezin Gyatso (14.o Dalai Lama) em 1989, a comunidade internacional não intercedeu decisivamente para livrar o povo tibetano desta invasão. Hoje em dia a china reconhece o Tibete como território autônomo, mas mesmo assim é acusado por genocídios, prisões, torturas e vários outros abusos aos direitos humanos.

Vale lembrar que teremos outra faceta política interessante nesta Olimpíada Chinesa, com a realização das provas eqüestres em território de Hong Kong, que foi devolvido à Republica Popular da China Comunista pelos ingleses em 1997, após se tornar um grande pólo econômico e industrial capitalista.

Isto posto, uma matéria muito boa e completa da Folha de São Paulo, assinada por Luís Ferrari, no último domingo, traz a empreitada Tibetana em promover uma Olimpíada Paralela como forma de protesto ao evento oficial Chinês. A Olimpíada Tibetana é preparada por Lobsang Wangyal e terá uma disputa esportiva limitada, mas não menos interessante. Entre 15 e 25 de maio 30 atletas (15 homens e 15 mulheres) disputarão 10 provas como: corrida de longa distancia, natação, tiro, arco e flecha além de provas clássicas do atletismo como os 100 e 400m; salto em altura, distância e arremessos.

Ë claro que o que se busca nessa olimpíada não são recordes ou a superação atlética dos competidores, mas a conscientização do mundo para o problema tibetano. Estamos com o Tibete nessa empreitada.


Para saber mais sobre o evento acesse o site (inglês) http://www.tibetanolympics.com e para ler a matéria completa da folha acesse; http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk2701200830.htm


Isso me fez lembrar dos campeonatos mundiais de futebol dos países que não fazem parte da Fifa: a VIVA CUP realizado em 2006 com aparticipação da Lapônia, Mônaco, Camarões do Sul, Occitânia ou a ELF CUP com a presença do Chipre do Norte, Groelândia, Quirguistão, Zanzibar, Gagaúzia e demais territórios que poucos conhecem. Por muitos anos essas Copas de Futebol Bizarras atormentaram as nossas caixas de e-mail fazendo-nos não crer que esses torneios futebolísticos tenham acontecido, mas infelizmente posso garantir que nesse gramado saiu uma partidinha mequetrefe com direito a hino, bandeira e taça.