segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

COMO NOS VELHOS TEMPOS- Por Rodrigo Curty

O clássico entre Flamengo e Botafogo teve de tudo. A começar pela temperatura fora e dentro do maior do Mundo. O estádio jornalista Mário Filho estava deslumbrante.

Uma tarde com a cara do Rio de Janeiro. Sol, calor e chuva. Ingredientes que não poderiam mesmo faltar na grande final, a ponto de fazer a torcida lembrar dos velhos tempos do clássico.

A massa rubro-negra esmagadora, mas também com uma lado alvi-negro enlouquecido fizeram bem os seus papéis de coadjuvantes. Lotaram todas as partes da arquibancada, cadeiras, e onde pintava alguma brecha.

No jogo estavam os melhores times do Rio no primeiro turno. O Flamengo vencedor do Grupo A e que desbancou o Vasco nas semi-finais, contra o Fogão, líder do B que tirou o tão falado Fluminense.

O Alvi-negro queria de qualquer jeito acabar com o tabu. Desde 2004 o time não vence os rivais. São 15 jogos de invencibilidade do rubro-negro, com sete vitórias e oito empates.

O jogo começou com grande velocidade, e com os dois times buscando decidir logo a partida. O Flamengo quase marcou no início em uma bela triangulação de Léo Moura, Ibsón e Souza. Minutos depois foi a vez de Marcinho e depois Jaílton desperdiçarem as oportunidades criadas.

Como quem não faz leva, o fogão após bela jogada de Wellington Paulista,que deixou os adversários para trás, chutou rasteiro no canto de Bruno e abriu o marcador. Loucura total do lado alvi-negro.

Daí pra frente foi aguardar o final do primeiro tempo. Como acontece nos últimos jogos, o Flamengo voltou com uma grande disposição no 2ª etapa. Joel colou Klebérson e Obina, sacando Jailton e Marcinho. O time pressionou o Botafogo atrás do gol de empate, e voltou a desperdiçar chances, dessa vez com Obina e Souza.

O Fogão levava perigo nos contra-ataques e quase marcou com Zé Carlos que assim como Lúcio Flávio e Jorge Henrique, que entrou no lugar de Felício, jogavam no sacrifício.
O lance capital da partida acontece aos 15’. Após uma falta do lado direito de ataque do Flamengo, o zagueiro Ferrero segura o rubro-negro Fábio Luciano pela camisa. Pênalti marcado pelo árbitro Marcelo de Lima Henrique.


Esse um daqueles lances que dificilmente um árbitro marca, ou melhor, que deveria marcar uns 10 em cada jogo. Afinal o que não falta é puxão de zagueiro e apoio de atacante.

Após muita reclamação dos alvinegros, Ibson cobrou bem no canto direito de Castillo e empatou a partida. Foi à gota d’água. Souza vai buscar bola na rede, Castillo segura e começa o empurra – empurra. Pior para Zé Carlos que injustamente foi expulso com Souza.

O jogo a partir daí esquentou e ganhou em emoção. Juan desperdiçou boa oportunidade, Lúcio Flávio acabou expulso, com um a menos o fogão quase passa a frente novamente com Wellington Paulista. 38’ Obina chuta na trave, mas o jogo estava parado erradamente, já que ele não estava impedido.

Foi aí que entrou em ação a estrela de Diego Tardelli. O atacante entrou no lugar de Toró e fez a diferença. Após receber passe de Léo Moura, ele chuta colocado no canto esquerdo de Castillo: Um golaço digno de final. No placar Flamengo 2 a 1.

Em seguida o botafogo quase marca em duas oportunidades, novamente com Wellington Paulista e depois no último lance com Edson tocando na trave. Era tarde, Flamengo campeão da Taça Guanabara. Foi o 18º título rubro-negro.

O pós jogo:

Após a partida, jogadores do Botafogo se reuniram na coletiva e visivelmente abatidos tentavam explicar a derrota. Túlio chegou a ponto de dizer que queria deixar a partida e se fosse o torcedor botafoguense não assistiria mais os jogos no Maracanã. Bebeto de Freitas, presidente do clube, anunciou a renúncia, apesar de Carlos Augusto Montenegro garantir que ele fica.
O Botafogo é um clube glorioso, trabalha com os pés no chão. Tem um ótimo técnico que já mostrou que faz milagres com o material que tem na mão para trabalhar.

Mas uma coisa que jamais o clube deve fazer é se comportar como um time pequeno.
Um time que quando perde coloca culpa em arbitragem, e que culpa as não conquistas como uma perseguição. A emoção do futebol é essa, um dia da caça e outro do caçador.

Parabéns ao Botafogo que enalteceu a vitória do Flamengo, e que deve esfriar a cabeça e sem dúvida dar a volta por cima, pois é um time merecedor de títulos.

Do outro lado, parabéns ao Flamengo que agora volta as atenções para o torneio mais importante do semestre, a Libertadores da América.

Ficha da Final:
FLAMENGO 2 x 1 BOTAFOGO

Flamengo: Bruno Leo Moura Fábio Luciano Ronaldo Angelim Juan Jaílton (Kleberson)Cristian Ibson Toró (Diego Tardelli)Marcinho (Obina)Souza T: Joel Santana

Botafogo: Castillo Renato Silva Ferrero Eduardo (Edson)Alessandro (Fábio)Diguinho Túlio A. Felício (J. Henrique)Lucio Flavio Zé Carlos Wellington Paulista T: Cuca

Gols: Wellington Paulista, aos 27 minutos do primeiro tempo; Ibson aos 17 minutos do segundo tempo; Diego Tardelli aos 46 minutos do segundo tempo

Cartões amarelos: Marcinho, Kleberson, Ibson, Fabio Luciano, Diego Tardelli (Flamengo); Renato Silva, Lucio Flavio, Ferrero, Diguinho(Botafogo)Cartões vermelhos: Souza (Flamengo) e Zé Carlos e Lucio Flavio (Botafogo)

Árbitro: Marcelo de Lima Henrique Auxiliares: Dibert Pedrosa Moisés e Ediney Guerreiro Mascarenhas

Data: 24/02/2008

Estádio: Maracanã, no Rio de Janeiro

Público: 78.830 pagantes

Renda: R$ 1.684.225,00