terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O DESTINO DA BARIRI - Por Rodrigo Curty

Hoje o Rio de Janeiro ficará mais triste. É que um dos primeiros clubes do futebol carioca, o Olaria Atlético Clube, por causa da falta de pagamento do IPTU nos anos de 1996 e 1997, terá seu estádio de nome Mourão Vieira Filho, ou se preferir, o famoso estádio da Rua Bariri, será leiloado.

Um alçapão que foi inaugurado no dia 6 de abril de 1947, fica na rua Bariri 251. Ele tem a capacidade para comportar até 18 mil pessoas e um campo medindo 105m x 70m. Sem dúvida, o estádio será lembrado como um palco em que os times grandes do Rio sempre tiveram dificuldade de conseguir os resultados positivos.

O departamento jurídico do clube ainda tente lutar para evitar a perda do estádio, mas as chances são poucas. O leilão para se ter idéia não terá nem um preço mínimo para o arremate. O que se espera, é que o estádio não vá abaixo e vire um empreendimento da prefeitura.
Entre os craques que jogaram no Olaria, podemos citar dois.

O primeiro, um anjo de pernas tortas que sempre será lembrado pelos seus dribles, irreverência, a paixão pelas mulheres e pela terrível doença que o acabou tirando a vida muito cedo.
Falo do craque nascido na cidade de Pau Grande – RJ, Manoel Francisco dos Santos, ou simplesmente Garrincha, a alegria do Povo.

Garrincha que foi considerado um dos grandes responsáveis pela conquista do Bi- Mundial da Seleção Brasileira em 62. O craque também brilhou demais com a camisa do Botafogo-RJ.

O que muitos não sabem é que Garrincha, após ter uma breve passagem por Flamengo e Corinthians viria encerrar a gloriosa carreira no Olaria Atlético Clube.

Foram 10 jogos no total, tendo a estréia com um Maracanã lotado (quase 50 mil pessoas) contra o Flamengo, em um empate de 1x1, no dia 23/05/1972.
Vestindo a camisa azul com uma faixa horizontal branca, calção azul ou branco, Garrincha fez apenas um gol.

Outro que comento é um artilheiro nato, um gênio dentro das quatro linhas, principalmente na grande área. Após jogar no Estrelinha, time criado pelo seu pai, Edevair, e sem êxito no Vasco da Gama, Romário de Souza Faria, mesmo que desolado, foi brilhar no infanto-juvenil do Olaria Atlético Clube.

A torcida é para que o time que teve a sua primeira participação no estadual do Rio de Janeiro em 1933, e que até hoje conseguiu apenas um modesto terceiro lugar em 1971, possa se reestruturar e não se endividar a ponto de um dia ter que fechar as portas.