sexta-feira, 22 de agosto de 2008

BEM LONGE DO MAIOR, MAS SEM DÚVIDA O MELHOR - Gustavo Cavalheiro

Maurren Higa Maggi me derrubou! Falo sem dúvidas, sem pesos e sem razão. Fui coração do início ao fim da prova dela. Torci como nenhum Pachecão faria!


Se existia alguém que merecia uma medalha (qualquer cor) na delegação brasileira, seu nome era Maurren.
Parem para pensar no que essa mulher passou: Ganha os panamericanos de Winnipeg 99; parte pra medalha em Sidney 2000 e falha, sente uma contusão na coxa e não consegue mais que o 25.o lugar. Um ano depois consegue o ouro na Universíade (Pequim 2001); em 2003 se prepara para o bicampeonato no pan Santo-Domingo e dias antes é pega no controle de dopagem. Maldita pomada cicatrizante que foi usada no tratamento estético de uma depilação, que indicou a substância Clostebol. Tragédia!


Anos de suspensão, um pan e uma olimpíada mandadas pro vinagre, em segundos. Sonhos, frustações e muita coisa, com certeza, passou na cabeça de Maurren no seu período de punição.


Mas o tempo passa e como numa doença, o tal bichinho da competição voltou a mordê-la. Como se pode segurar alguém que nasceu para saltar? Saltar não, VOAR!
Ela voltou, venceu o pan do Rio 2007 e chegou a Pequim com boas chances. Lembrem-se que de boas chances, antes dos jogos, a delegação brasileira e o inferno estão sempre cheios.
Nossa atleta surpreendeu, venceu (por mísero e enorme 1cm) e se tornou a primeira mulher brasileira a levar uma medalha de ouro olímpica num esporte individual.


Maurren Maggi saltou muito longe e caiu no "grupinho". Aquele que eu cito no ouro do Cielo, o clã dos imortais, dos exemplares, dos inesquecíveis feitos dos atletas brasileiros e sua vontade de vencer.


Longe de seu maior salto na carreira, ela sem dúvida deu seu melhor salto da vida! Da dúvida e do sofrimento, ela atingiu o Olimpo. Salve Maurren!


Foto: Uol