terça-feira, 7 de junho de 2011

SELEÇÃO AGRADECE - Por Rodrigo Curty

E hoje mais um craque de bola se despede da Seleção Brasileira. Ronaldo Nazário de Lima, o Ronaldinho, Ronaldo, o eterno Fenômeno. A partida de despedida do maior artilheiro em Copas do Mundo, com 15 gols será contra a Seleção da Romênia no tradicional estádio do Pacaembu, às 21h50.

Ronaldo dispensa comentários. Desde pequeno já nos dava sinais que seria um craque diferenciado. Aos 16 anos de idade, por exemplo, apareceu como revelação no Cruzeiro. Marcou 28 gols em 29 jogos. Sem alternativas, o garoto pobre de São Cristovão se transferiu ao exterior. Brilhou com a camisa do PSV Eindhoven por duas temporadas e o destino o colocou no Barcelona em 94.

Após sair da adolescência, o craque que já sonhava em ser o melhor do Mundo chegou ao seu objetivo e de forma merecida com apenas 20 anos de idade.

Mas, o caminho daí pra frente teve seus percalços. Na Itália, o Fenômeno sofreu o que pode ser considerado o pior momento de sua carreira. Na Internazionale de Milão, o camisa nove sofreu uma grave contusão no ano de 2000, quando rompeu totalmente seu tendão patelar; mas isso é uma outra história.

Hoje não é dia de falar de Ronaldo nos clubes em que passou, e sim de sua passagem na Seleção Brasileira. O casamento foi maravilhoso. Em 1994, ele com apenas 17 anos fez parte da equipe que conquistou o Tetracampeonato. Em 1998, a convulsão na decisão contra a França ainda é marcada de dúvidas. Muitos consideram que ele amarelou, porém, eu prefiro acreditar que simplesmente passou mal. Penso também que nas Copas do Mundo, as cartas muitas das vezes são marcadas antes do torneio.

Em 2002, o destino reservou um momento especial para Ronaldo. Após as contusões, dúvidas sobre seu estado físico, emocional e vida pessoal não fizeram a diferença. O camisa nove voltou com tudo, calou as críticas e levou a equipe de Felipão ao Pentacampeonato. R9 jogou como nunca, e se não bastasse ainda criou moda raspando a cabeça no estilo "Cascão". Ele trouxe de volta a alegria ao povo brasileiro.

Em 2006, uma nova Copa do Mundo. Este, talvez, o maior erro do craque. O de não saber a hora de parar. Muito criticado pelo excesso de peso, o Fenômeno foi tido como um dos maiores responsáveis pela pífia campanha na Alemanha. Eu ainda o defendi, pois gordo ou não resolvia mais que qualquer um que ali estava. Afirmei que o povo brasileiro, em sua maioria foi ingrato e maldoso com ele. Por outro lado, o recriminei por não ter dado o exemplo aos que começavam a trajetória com a amarelinha. Faltou Ronaldo mostrar que na Seleção, a conduta e o respeito vem em primeiro lugar. Ele não precisava se expor tanto assim.

Hoje vale a pena lembrar a fantástica carreira de Ronaldo com a amarelinha. Serão apenas 15 ' em campo e promessa de ansiedade, choro e agradecimentos. E não poderia ser diferente. Foram inúmeras conquistas durante os 104 jogos e 67 gols marcados. Detalhe que neste quesito, o Fênomeno perde apenas para o maior de todos, Pelé que marcou 95 gols.

Obrigado Ronaldo!