segunda-feira, 17 de março de 2014

TUDO QUE VAI VOLTA - Por Rodrigo Curty

E viva os regionais. Já estamos no meio de março e muitos dos torneios seguem aos trancos e barrancos, chegam ao seu final ou para as tão esperadas fases decisivas. O fato é que está nítido que muitos dos times considerados grandes não dão o valor que deveria aos seus estaduais.
No Sul, por exemplo Grêmio e Internacional seguem com seus "mistos" e somente agora no mata-mata devem valorizar a competição. O mesmo ocorre em Minas. Cruzeiro e Atlético sobram.
Já no Rio de Janeiro, o último campeão carioca Botafogo foi eliminado das semifinais faltando três rodadas. A desculpa, mesmo deixando claro que a campanha foi vergonhosa, e também de certa forma compreensível é o planejamento do clube estar voltado para a Libertadores.
E no Paulistão? Pois é,  já não dá para dizer ou ter a mesma desculpa no caso do Corinthians, que também é o atual campeão. O Timão teve 14 rodadas para chegar a fase de mata-mata e acabou eliminado com uma rodada de antecedência. Uma vergonha para um clube que demonstra a cada dia que o sistema e planejamento vencedor das últimas temporadas está de fato desgastado. 
Infelizmente a cultura brasileira atrapalha uma manutenção de sucesso. Aqui ainda não vemos em nenhuma agremiação um período muito longo do "time que se ganha não se mexe". Seja por causa dos dirigentes, jogadores mais rodados ou oportunidades para crias de empresários, assim no fim das contas quem paga o pato é o clube.
O pior é quando um time como o do Corinthians, repleto de pessoas esclarecidas não assumem os erros e buscam os culpados pelos fracassos. Desta vez, o culpado foi o São Paulo, que derrotado pelo Ituano por 1x0 em pleno Morumbi decretou a eliminação do rival. Mas cá entre nós, se o Corinthians tivesse feito sua parte contra a Penapolense ainda seguiria com chances na última rodada e não haveria toda essa valorizição.
É sabido que as declarações como a de Romarinho e Mano Menezes apesar de infelizes, fazem parte do futebol. Não há porque polemizar tanto assim. É a adrenalina do jogo, é o oportunismos de repórteres que buscam apimentar as respostas, mas é muito mais a falta de assessoria e preparo emocional dos funcionários para certas questões que podem gerar problemas, como de fato gerou. Ora, do outro lado o São Paulo pode não ter dado o seu melhor, mas buscou o gol em vários momentos, e o time fez sua parte, inclusive no clássico quando venceu por 3x2.
O pior de toda essa novela e lamentável é o treinador alvinegro insinuar que o tricolor entregou, que um ou outro iria dormir com a consciência do que fez, que os deuses da bola estão vendo, entre outras coisas. Penso que deveria ser dito que no futebol temos sim situações em que os times tiram o pé, mas jamais afirmar o caráter de um ou outro sem provas. 
O jogador até dá para perdoar, não aliviar, mas o comandante deve dar o exemplo. Mano poderia ter dito que o planejamento, o descaso pelo excesso de jogos, preparação decretaram a eliminação, e que o clube não se envergonha e que dará a resposta em campo até porque tempo para isso agora ele terá.
O planejamento agora para o Corinthians será fundamental. Tem apenas a Copa do Brasil e um bom período para deslanchar no início do Brasileirão até o intervalo para a Copa do Mundo.
E prepare torcedor, pois é aí que também aparecem as tradicionais "malas brancas, pretas, e por aí vai". Aqui se faz, aqui se paga. Se no futebol como já dizia Muricy Ramalho a bola pune, é bom que se diga que quem sorri hoje, pode e na maioria das vezes chora amanhã.
Até a próxima!