sexta-feira, 27 de junho de 2014

INÍCIO DAS OITAVAS DE FINAL DA COPA - Por Rodrigo Curty

Hoje a bola deu uma parada na Copa do Mundo da FIFA 2014, mas amanhã ela volta com tudo na abertura das oitavas de final.
A Copa de fato encanta aos apaixonados pelo futebol. Se anteriormente existia uma dúvida sobre o sucesso do torneio no país, as preocupações por protestos, violência, conspirações, enfim, por mais que aparentemente exista um pouco de tudo isso, o fato é que a parte mais interessante segue em mais evidência.
A competição é vista pelo mundo todo como a melhor copa de todos os tempos. E não é que não dá para não pensar igual? Desde a copa de 1958 não tínhamos uma média de gols tão alta.São quase três por partida. Os empates também diminuíram.Foram apenas 17%, um recorde histórico. Outra curiosidade. Desde de 1998, na França que não tínhamos todas as seleções marcando pelo menos um gol no torneio.
Se um dos motivos para esse aumento é o nível técnico nivelado, abaixo da média, enfim, eu não sei, o fato é que para o bem deste esporte que tem na magia a bola na rede, as seleções voltaram a priorizar o jogo para frente, as marcações com o objetivo de desarmes e não apenas para parar as jogadas. O futebol força tem sua importância, mas a técnica, esquemas ofensivos e as belas jogadas finalmente voltaram a ser prioritárias.
A competição tem em sua nova fase muitas equipes da América, ou seja, as seleções europeias saíram em massa e estão em desvantagem numérica, porém pelos cruzamentos, aparentemente podem chegar a decisão.
Hoje vamos as análises dos classificados dos grupos A, B, C e D, e o que esperar dos cruzamentos.
No grupo A, o do Brasil, o que parecia ser uma barbada e a manutenção do histórico de fazer três vitórias, quase vai por água abaixo. A Croácia quase nos complicou e foi muito bom ter Camarões como último adversário.  A Seleção Brasileira provou que o emocional precisa ser resolvido o quanto antes, mesmo tendo terminado em primeiro. Jogar em casa tem suas vantagens, mas a pressão também aumenta. O time está longe do que apresentou na Copa das Confederações, quando foi o campeão. Falta experiência e mudanças táticas. O peso em cima de Neymar pode complicar em uma possível ausência do craque. É um time óbvio, mas que já provou crescer nas adversidades. Penso que a equipe precisa se organizar melhor em campo, reconhecer as limitações e lutar sem medo de perder, pois isso também faz parte da vida. Hoje com Fernandinho deve ganhar em movimentação e parte ofensiva. Vamos aguardar.
O segundo colocado foi o México, uma seleção que mostrou qualidade, principalmente no conjunto, nas alternativas durante os jogos. É um time rápido, aguerrido e que joga atrás da vitória até o final. Pode seguir surpreendendo, por jogar sem a mesma pressão dos favoritos.
Já no Grupo B, a Espanha decepcionou. A atual campeã mundial sofreu goleada da Holanda e foi dominada pelo Chile. A bela geração chegou ao fim com uma vitória sobre a Austrália que apesar das derrotas foi uma surpresa. Já Chile e Holanda fizeram por merecer a classificação. O primeiro, nosso adversário na Arena Mineirão, tem a melhor seleção dos últimos tempos. Jogadores experientes, técnicos e sem medo de perder. Pode complicar apesar do retrospecto positivo do Brasil, que em três encontros em Copas, venceu as três. 62, 98 e 2010. Os brasileiros torcem para que na pior das hipóteses, o Chile jogue como nunca e perca como sempre. Vamos aguardar.
E a Holanda? Bem, essa foi uma das melhores seleções até agora. Craques como Robben, Sneijder, Van Persie estão demais. Como se não bastasse, a equipe joga com uma obediência tática, rapidez, sincronia e eficiência fora do comum. Foi assim que atropelaram a Espanha, viraram para cima dos australianos e passaram com um misto pelo Chile. O técnico Van Gaal tem em seus titulares um time a ser batido e no banco, peças que conseguem mudar o cenário dos confrontos. Se não perder o foco e deslumbrar, finalmente pode chegar a sua primeira conquista em copas. Olho neles.
No Grupo C, Colômbia e Grécia seguem adiante. Os colombianos jogam o fino da bola até o momento, independente do grupo considerado fácil com Japão e Costa do Marfim. Mesmo sem seu principal jogador, Falcão García,  nomes como James Garcia, e do substituto do camisa nove, Jackson Martínez estão demais. A febre amarela deve seguir forte na competição.
A Grécia passou adiante pela primeira vez. É uma equipe boa defensivamente e dificilmente vacila em suas oportunidades, mas não acredito que dê voos maiores.
No Grupo D, o considerado da morte, quem surpreendeu foi a Costa Rica. Uma equipe bem dirigida e que provou ser forte tecnicamente contra as favoritas Itália e Inglaterra, que deram adeus de forma precoce. Jorge Luis Pinto é um bom treinador e tem jovens talentos como Campbell e Bryan Ruiz. De saco de pancadas a time ser respeitado. Fica apenas a dúvida se o fôlego acabou ou pelo contrário, a união e trabalho emocional e motivacional continuará fazendo da Costa Rica uma grata surpresa. 
Outra que provou que jamais pode ser descartada é o Uruguai. A Celeste que teve o baque de perder seu principal jogador, Luis Suárez, por comportamento antidesportivo se uniu ainda mais. A punição, ao meu ver deveria ocorrer, mas foi muito exagerada. Cabe aguardarmos para ver se os valentes uruguaios jogarão como nunca ou se sentirão a perda. Forlán pode ressurgir.

Palpites:
Brasil x Chile -  Jogo equilibrado, decidido em detalhes. Fator físico e emocional contarão bastante. Brasil vence bem, ex: 3x1 ou perde na prorrogação.
Holanda x México - Holanda favorita, mas o México lutando até o final. 
Costa Rica x Grécia - Jogo de paciência. Costa Rica vence.
Colômbia x Uruguai - Equilíbrio. Jogo de muitos gols.

Até a próxima!