quarta-feira, 18 de maio de 2016

SÃO PAULO, O CLUBE DA FÉ - Por Rodrigo Curty

O São Paulo é o único time brasileiro vivo na Copa Libertadores. Se antes da competição, Corinthians, Grêmio, Palmeiras e Atlético MG eram os favoritos a levar o país adiante no torneio,  resta agora ao Tricolor a virtude de se manter vivo e seguir confiante para a semifinal.
O curioso é que o time dirigido pelo experiente e "calejado" nessa competição, o argentino Edgardo "El Patón" Bauza sofreu demais para chegar até aqui. De um time desacreditado, desunido, com falhas grotescas tecnicamente e sem a certeza que conseguiria finalmente se encaixar no esquema pretendido pelo treinador, virou um time que sabe jogar pelo resultado, mesmo sofrendo.
O início foi preocupante. Quem não se lembra do gol somente aos 42' da etapa final contra o desconhecido César Vallejo (Per) para entrar na fase de grupos? E da derrota em casa para o fraco "The Strongest"? Pois é, percalços esses que aos poucos foram sendo derrotados, após os empates de forma heroica contra o Trujillanos (Ven) e River Plate (Arg) e consolidando com as vitórias sobre os mesmos em casa.
Aos poucos o time do Morumbi foi se adaptando e reconhecendo que o clube é maior do que qualquer vaidade, grupinhos formados e inexperiência da diretoria. As derrotas foram importantes para reconhecer que não houve fracassos e sim aprendizados. Dênis, Rodrigo Caio, Hudson, Mena, Paulo Henrique Ganso e Michel Bastos, por exemplo sabem bem disso. Todos cresceram no torneio, mesmo errando. 
Bauza encontrou o equilíbrio desejado no grupo. Jogar pelo resultado e não para encantar. Ser forte em casa e jogar pelo regulamento fora. Contra o Toluca e Atlético MG foi assim. Os mexicanos levaram uma goleada de 4x0 no Morumbi e venceram por 3x1 fora. Contra o Galo, vitória magra por 1x0 em casa e hoje derrota por 2x1. 
E sobre essa derrota vale o registro da supremacia do Galo desde o início e do gol salvador de Maicon, zagueiro esse que ofusca o ídolo Lugano e que aos poucos vira um símbolo da raça tricolor. A falha defensiva mais uma vez custou ao Galo. O time mineiro sentiu o golpe, mesmo tendo sofrido o gol aos 14' da primeira etapa. Mas buscou o gol salvador. Colocou e também levou bola na trave, não teve um penâlti marcado, viu seu ataque perdendo gol cara a cara, enfim, erros cruciais nesse tipo de competição.

O fato é que o Atlético MG não foi eliminado apenas pelo regulamento, que diga-se de passagem não é de hoje e é igual para todos e, principalmente pela teimosia de seu treinador - Diego Aguirre. Se tivesse sido mais agudo, desde o primeiro jogo, provavelmente estaria classificado, porém, é importante pensar que a falta de "tal" ousadia, se deu por encarar um time calejado e respeitado nessa competição. O São Paulo não é tricampeão à toa. A camisa tem seu peso, mesmo nos duros momentos.
Agora a competição para e só retorna depois das Olímpiadas. Hoje parece que o São Paulo ganhou um título, resta saber se a euforia e o tempo de parada será mais benéfica ou prejudicial. O certo mesmo é que o torcedor, por mais que já esteja satisfeito com o feito até aqui, agora deseja mais e sonha com um título tão inusitado como os conquistados pelo seu comandante nos tempos de LDU e San Lorenzo. Será? É aguardar para ver.
Até a próxima!