terça-feira, 20 de junho de 2017

GRÊMIO E O VALOR DA BASE - Por Rodrigo Curty

A oitava rodada do brasileirão foi fechada com uma bela partida. Cruzeiro e Grêmio fizeram um duelo de seis gols e muitas chances perdidas. Para quem viu apenas o resultado, pode pensar que os gols saíram pela falta de qualidade técnica das equipes, quando na verdade foi o contrário. Os dois times sempre buscaram o ataque e tiveram ótimas trocas de passes, jogadas estudadas e trabalhadas. Confira os melhores momentos e faça a sua análise.
Como seria bom se fosse sempre assim. Das 20 agremiações que participam do certame, infelizmente são poucas que valorizam a posse de bola, de forma efetiva, envolvente e com coragem para marcar gols, mesmo correndo riscos de levar.
O Grêmio é um time a ser analisado com atenção. Tudo bem que estamos apenas no início da competição e com a tradicional "janela" tudo pode mudar de forma drástica. O próprio tricolor deve perder uma de suas maiores joias, o atacante Luan. Jogador inteligente, frio e que joga pelo time. 
Entendo que um dos grandes segredos do time gaúcho é a valorização no que é desenvolvido na base. Jogadores como Marcelo Grohe, Arthur, Ramiro, Everton, Luan e Pedro Rocha são titulares absolutos e se conhecem desde o time da base. O time precisa acreditar naquilo que "fábrica". Deve usar desse artifício para voos maiores e até se equilibrar financeiramente, uma vez que é complicado e impossível competir com o mercado estrangeiro, o que é uma pena. 
É muita das vezes melhor ter uma equipe entrosada, unida e sem nenhuma estrela do que com jogadores que não possuem uma identidade e empatia do grupo. Quantas vezes não nos deparamos com ótimas equipes no papel e na prática ficam a desejar?
Além disso é importante ter alguém não apenas capacitado, mas também com uma história para fazer a "garotada" entender o que é vestir uma camisa de peso. Esse cara hoje é Renato Gaúcho. O herói e ídolo tricolor no ano de 83 faz um excelente trabalho, acima até da expectativa dos analistas de plantão, que entendiam até então, que o tempo de "férias" ou longe das quatro linhas lhe fariam mal ou na melhor das hipóteses, o transformariam apenas num tampão. 
Ora, às vezes é melhor ter alguém com a identidade do clube e com vontade de trabalhar sem holofotes, cobranças e expectativas, do que com medalhões que insistem em não admitir a necessidade de se reinventar. 
Em tempo, o líder hoje é o Corinthians, que ao meu ver também merece aplauso por apostar na base e não investir muito em jogadores para obter o sucesso. Resta saber se a longa temporada e elenco reduzido possa custar o sucesso, espero que não, afinal, a minha torcida é para que equipes tão tradicionais em desenvolver talentos, voltem a ter seus "meninos" atuando como titulares e resgate aos clubes, nomes que se transformem em ídolos por anos. 
Um time que faz muito bem isso e há anos é o Santos. Quem sabe, o Peixe em breve não incomode ainda mais os líderes e consiga o tão sonhado título brasileiro ou da Copa do Brasil? É esperar para ver. 
Até a próxima!