quarta-feira, 14 de novembro de 2007

LARANJADA MILAGROSA por Jota Christianini

Se eu pudesse pesquisaria a origem de todos os causos que eu conto aqui e todos os causo que todos contam por aí. Seria interessante!

Imaginem descobrir se alguma vez na vida alguém matou o próprio irmão com a força de um chute. Provavelmente isto nunca aconteceu, mas garanto que todo mundo já ouviu esta história com requintes e detalhes minuciosos; assim como ouviu aquela do locutor que diante de uma confusão na área manda ao ar um palavrão daqueles, exigindo que o comentarista tente consertar e mais desajeitado ainda, aumente o arsenal de besteiras da transmissão.


Qual a origem de cada causo? Não sei! Talvez se soubéssemos eles perderiam a graça.

Este, de hoje é meio antigo, cada um narra o causo em uma cidade.

Conheço a historia e sou capaz de afirmar que a minha é a verdadeira, pois o causo eu conto como o causo foi.

O Bonsucesso de Capivari, interior de S.Paulo, era bom mesmo. Não perdia de ninguém. Normalmente terminava o primeiro tempo em desvantagem; e o poder de reação do time no segundo tempo era impressionante.

Treinava o time, e aproveitava para ser o Presidente, roupeiro, tesoureiro, macumbeiro e tudo o mais, o incansável Frederico. Fazia tudo no time, que pelos feitos e pelas vitórias nas mais variadas condições adversas tinha a maior torcida da cidade, e era seu grande ídolo.

Essa era outra peculiaridade do "Bonsuça": a entusiasta e briguenta torcida tinha na chefia a mãe do Frederico. A velhinha era, como se dizia na região, uma espoleta. Assistia aos jogos bem atrás da posição do bandeirinha e não foi uma, nem duas vezes, que quebrou a sombrinha que ela sempre portava, na cabeça do auxiliar do árbitro.

Bobeou e o bandeirinha tomava um coque na cabeça, em mais uma manifestação de desagrado do torcedora símbolo.

Decidia-se o regional frente à equipe de Rafard e terminado o primeiro tempo o Bonsucesso perdia por dois gols. Nenhum sinal de preocupação, como sempre Frederico o treinador, iria no intervalo fazer a habitual mágica e virar o resultado da partida.

Tudo calmo nos vestiários até que alguém, esbaforido, procurou Frederico aos gritos.

- "Seo" Frederico vai lá no campo que sua mãe enlouqueceu. Ela tirou a blusa amarrou na cabeça, levantou a saia, ficou descalça e está dando a volta olímpica no campo, gritando, com a sombrinha aberta. Tá uma confusão dos diabos!

Frederico entrou em pânico, porém antes de tentar acalmar a mãe, perguntou se alguém havia notado alguma anormalidade. Foi o suficiente para que Roquinho, o massagista, explicasse:

- A única coisa de diferente que aconteceu é que devido ao calor muito forte, um pouco antes de acabar o primeiro tempo, dei para tua mãe, um copo da laranjada que você costuma dar aos jogadores no intervalo.


* Jota Christianini é Diretor da Academia de História e Estatística do Palmeiras, comentarista de diversos sites/blogs e este causo foi originalmente postado no ótimo: http://terceiraviaverdao.blogspot.com/