quinta-feira, 6 de março de 2008

UMA NOITE TRICOLOR - Por Rodrigo Curty

Uma noite de arrepiar!! Foi essa a sensação dos torcedores tricolores de São Paulo e do Rio de Janeiro, nas partidas de seus clubes pela Libertadores da América.

O tricolor carioca que há 23 anos não sabia o que era disputar o torneio retornou com tudo. Fez a festa dos seus torcedores que puderam ser chamados novamente de “pó–de–arroz”.

O Maracanã estava colorido, e em festa a cada jogada, a cada gol dos valentes jogadores que atropelaram o modesto, mas o último campeão da Copa Sul-Americana, o time argentino do Arsenal.

Foi uma partida histórica pelo fato do Fluminense voltar à competição e de ter a volta do pó-de-arroz, vetado desde 1999. A liberação fez com que pais e filhos delirassem com a nuvem branca formada no Mário Filho.

Destaque da partida para o artilheiro dos gols bonitos Dodô. Apesar de experiente, acredite, essa é a primeira Libertadores do jogador. Dodô foi o nome da partida, de seus pés saíram todas as jogadas dos gols dos companheiros do Fluminense.


Foi assim na falta sofrida e cobrada perfeitamente por Thiago Neves. No toque após bela jogada para o gol de Gabriel, na deixada para Washington, e também, claro, dois gols de sua autoria, sendo o segundo, um golaço. Cícero fechou o placar de sonoro 6x0.

Parabéns também ao técnico Renato Gaúcho que parece ter finalmente acertado o esquema de jogo para esse time que tem ainda muito para mostrar ao Brasil e à América do Sul. É aguardar pra ver.

Em relação ao outro tricolor, o do Morumbi, um jogo mais complicado e tenso. Muita cobrança e expectativa dos torcedores para que o time decolasse e voltasse a ter as exibições que o colocaram como o melhor do país em 2007.

O adversário, o time chileno do Audax Italiano, o mesmo que na edição passada do torneio complicou a vida e para muitos foi o responsável pelo cruzamento difícil do tricolor com o Grêmio nas oitavas, o que custou a eliminação precoce.

Assim como Dodô no Rio, o jogo em São Paulo também marcou a estréia de Adriano na competição. O “Imperador”, como quer ser chamado, por entender que fez por merecer o apelido, precisava então mostrar serviço.


Assim como os jogadores do São Paulo, Adriano lutou, correu, arriscou e levou os torcedores ao desespero nas boas e más jogadas do time.

O tempo passava e nada da bola entrar. Para apimentar ainda mais a partida, Rogério Ceni, fazia milagre no inicio do segundo tempo e Edér Luis, Borges e Cia, perdiam gols e mais gols.
Como a máxima vale para todos, quem não faz leva. No momento eram 15 chutes contra 5 do Audax. No 6º chute chileno, o gol do melhor jogador do time, o meia Villanueva.

Foi aí que o Morumbi ao invés de se calar, começou a empurrar a equipe cantando as tradicionais músicas e o hino do clube. Depois de mais alguns minutos de pressão, aos 25’, o zagueiro Rocco que cometera pênalti não marcado em Adriano, minutos antes, e que já tinha amarelo, foi expulso. Delírio no Morumbi e a certeza que as coisas poderiam mudar.

Começa a funcionar então a mão do treinador. Muricy mexeu imediatamente no time, colocou mais um atacante, o desejado pela torcida Aloísio, homem de 10 gols em Libertadores. Ao contrário do que pensavam, Chulapa entrou no lugar de Fábio Santos. Com praticamente quatro atacantes a pressão aumentou ainda mais na zaga chilena que não resistiu e levou dois gols de Adriano, o nome do jogo.


Agora fica a torcida para que o “Imperador” faça apenas o que os torcedores e a comissão técnica tricolor se espera dele, somente gols.

Parabéns aos tricolores e sorte aos outros brasileiros na Libertadores.