quarta-feira, 27 de agosto de 2008

É TUDO VERDADE - por Gustavo Cavalheiro

Sim, eu sei que tem muita gente esperando essa minha coluna pós-olimpíadas para saber como foi o palpitômetro e por que não, para saber qual é a minha análise final dos jogos.

Vamos começar pela segunda. Não sei se muitos de vocês têm acompanhado o noticiário após as Olimpíadas, mas uma coisa não me sai da cabeça: a imprensa brasileira adora chutar cachorro morto! Isso é um fato. Não que eu queira que a imprensa nacional tampe o sol com uma peneira, como fez a imprensa americana, ao ver a derrota eminente para a China, e mude o sistema de contabilizar as medalhas pelo total, em detrimento ao tradicional (ouros, pratas e bronzes), fazendo um malabarismo numérico para garantir o primeiro lugar na mente dos desavisados.

Agora é muito fácil malhar o Nuzman, o ministro Orlando Silva e a verba pública, mas eu pergunto: E antes? Ninguém tinha interesse, habilidade ou culhão pra criticar? Admito que é bem mais fácil ficar de tocaia, só esperarando o resultado negativo, com o ódio no olho e a faca nos dentes.

Mas a César o que é de César e a Carlos Artur o que é de Carlos Artur.

Sim, é verdade que se olharmos pelo quadro de medalhas fomos muito abaixo do esperado, levando-se em consideração os 4 anos de investimentos. Sim, é verdade que se olharmos o número de finais disputadas e novos esportes em desaque o esporte do Brasil evoluiu. Sim, é verdade que não podemos misturar as bolas e olhar apenas a posição no ranking final de medalhas sem analisar as diferenças das edições anteriores, pois tivemos uma pulverização de esportes individuais premiando novos países. Sim, é verdade que alguns países usaram bem o artifício de naturalizar atletas de centros especializados em alguns esportes para “dopar” os seus resultados.

É tudo verdade, tão verdade quanto o fato de que as expectativas no país eram altas, não por conta do oba-oba mídia ou dos resultados em pan americanos, mas pelo que vimos em 4 anos de mundiais de diversos esportes. O Brasil nunca levou tantos campeões mundiais e vencedores de copas do mundo para uma Olimpíada. É claro que o esporte é feito do imediatismo do resultado, mas o crescimento em alguns esportes indicava uma possibilidade de ganhar mais que as 15 esperadas medalhas.

O que não é verdade é misturar alhos com bugalhos e fazer como fez a Jovem Pan AM no Esporte em Discussão desta segunda e misturar número de atletas enviados (277) com modalidades (32), fazendo a conta esdrúxula de 0,04 medalha / atleta. Isso beira a imbecilidade, vamos ensinar para eles como se faz uma conta: vôlei eram 12 atletas, futebol 18, vôlei de praia 2, velas que ganharam medalhas 2, totalizando 75 atletas brasileiros que voltaram com medalhas na delegação, totalizando 0,27 medalha/atletas. Em cada rodinha de 4 atletas brasileiros no refeitório, 1 tinha uma medalha no peito, em média.

Olhando por modalidades (32) temos outras leituras: o JUDÔ disputou 13 medalhas e levou 3 bronzes e terminou em 18º no esporte; a NATAÇÃO levou 27 atletas, disputou muito mais provas e levou 1 ouro e 1 bronze com César Cielo, ficando em 13º; o TAEKWONDO levou apenas 3 atletas e ganhou 1 bronze, terminando em 15º; a VELA disputou 8 categorias e ganhou 1 prata e 1 bronze, chegando em 10º; o ATLETISMO levou a maior parte da delegação nacional (45 atletas) e trouxe 1 ouro ficando em 16º; o VÔLEI DE PRAIA ganhou 2 (1 prata e 1 bronze) das 4 medalhas em disputa e terminou em 2º; o FUTEBOL ganhou 2 medalhas em duas disputas (1 prata e 1 bronze) terminando em 3º, assim como o VÔLEI de quadra que também ganhou 2 medalhas (1 ouro e 1 prata) em duas disputas empatando com os Eua em primeiro neste esporte. Em muitos casos ainda é pouco, em outros é muitíssimo.

Essa foi a nossa Olimpíada das Mulheres, esperávamos esse momento desde Sidney, passamos por Atenas, mas finalmente em Pequim as mulheres suplantaram os homens do Brasil em muito. A ver: só os 2 Ouros (Maurren e vôlei); 1 prata (futebol) e 3 bronzes (vela, taekwondo e judô) para as mulheres colocaria o Brasil na 33ª posição empatadas com a Coréia do Norte e duas posições da Argentina (2 o – 0 p – 4 b), já contando apenas as medalhas dos homens do Brasil, com 1 ouro (Cielo), 3 pratas (vôlei, Vôlei de praia, vela) e 5 bronzes (futebol, Vôlei de praia, natação e judô) ficaríamos em 39º entre Zimbábue e Azerbaijão. Contando o quadro de medalhas feminino de Pequim o Brasil terminou em 15º lugar. Um ótimo resultado!

PALPITÔMETRO OLÍMPICO:
Depois de muitas manhãs de bate-papo, analisando os resultados, projetando os próximos esportes, chegamos ao fim do primeiro game do EsporteAcontece! e é com muito orgulho que apresentamos o grande vencedor (de fato e direito) Diego Senra.

OURO: Diego Senra – 379 pontos
Resultado: 2 ouros; 1 prata; 2 bronzes * ; 9 ferros e 29 nabos
Principais destaques : Se auto-proclamou Mr.Olimpics, por conseguir 43 acertos em 78 possíveis.

PRATA: Marcelo Gobette – 327 pontos
Resultado: 3 ouros; 2 ferros e 17 nabos
Principais destaques: marcou presença pelo Tudo ou nada, Ouro ou nabo. Ficou próximo do título na final do vôlei masculino em que apostou no ouro.

BRONZE: Marcelo Cicco – 310 pontos
Resultado: 1 ouro; 2 pratas 2 bronzes*; 9 ferros e 15 nabos
Principais destaques: assim como o campeão Diego ele acertou o bronze bônus* de Natália Falavignia

FERRO: Adriano Maffei – 249 pontos
Resultado: 1 ouro; 1 prata; 2 bronzes*; 7 ferros e 9 nabos
Principal destaque: Também fez o bronze bônus*

AOS DEMAIS PARTICIPANTES A MEDALHA DE NABO: 5º Caio Duarte – 229; 6º Manoel Pinho – 220; 7º Rodrigo Curty – 206; 8º Vivian Fiales – 200; 9º Ricardo Cavalheiro – 180; 10º Domenico Minervino – 177; 11º Rafael Denardi – 140; 12º Gustavo Cavalheiro – 137; 13º Mariana Franceschinelli; 14º Caio Senra – 110; 15º Carlos Jr – 101; 16º Marcos Ortiz – 96; 17º Ricardo Passos – 62; 18º Fábio Shimana 49 e 19º Gustavo Fruges - 42