terça-feira, 21 de outubro de 2008

E AGORA FERRARI - Por Diego Senra

Largada de Massa

Na madrugada de domingo, uma verdade incontestável se impôs em Xangai: a McLaren colocou o melhor carro da pista na mão de Lewis Hamilton e ele tocou como um músico toca seu violino, sem erros, sem medo, liderando de ponta a ponta e colocando uma mão e mais uns dedos na taça de 2008.

Bem verdade que, no ano passado, ele perdeu o título para Kimi Raikonnen tendo a mesma diferença de pontos e na mesma pista de Interlagos que vai decidir o campeonato com Felipe Massa. Mas esse ano, duas coisas são muito diferentes à seu favor: o momento do piloto e da equipe.



Em 2007, Lewis Hamilton era um estreante que vinha fazendo uma temporada brilhante, mas foi perdendo rapidamente uma larga diferença para um crescente Kimi Raikkonen, tinha como companheiro de equipe um Fernando Alonso descontente com a preferência da equipe pelo inglês (que cornetava para todo mundo saber) e ainda chegou no Brasil sofrendo com uma pressão enorme por ter cometido dois erros bisonhos, que trouxe toda a desconfiança para o novato inglês.


Como equipe, a McLaren enfrentava uma crescente Ferrari, que vinha desempenhando melhor nas etapas finais do campeonato e tinha um time rachado pela disputa entre seus pilotos e, por isso não podia contar com um escudeiro para Hamilton.


Em 2008, a decisão pode ser a mesma, mas Hamilton e McLaren chegam muito diferentes. Hamilton teve um campeonato mais disputado, porém conseguiu construir uma dianteira confortável para chegar a ultima prova dependendo somente de si para ser campeão. Cometeu erros sim, mas erros normais de piloto e equipe, que não comprometeram sua moral nem sua imagem. Amadureceu muito com a derrota do ano passado e esse ano tem a chance de reescrever sua história, e ainda ser o piloto mais jovem da história a se tornar campeão mundial de F1.
Enquanto isso, Felipe Massa tem sido consistente e é incontestavelmente o piloto que mais evoluiu nessa temporada. Enfrentou um dos campeonatos mais disputados dos últimos e mesmo lutando com um campeão mundial dentro da própria equipe chega em Interlagos com chances (remotas) de ser campeão. Porém, o problema dele é outro: a equipe.Apesar de toda a força de seus pilotos (Raikonnen incluído), a Ferrari conseguiu prejudicá-los durante a temporada inteira.


Foram erros em cima de erros ao longo da temporada, mas ainda assim os pilotos traziam resultados, tamanha sua qualidade. Tendo um carro que começou rápido e conseguiu se manter na frente na primeira metade da temporada, não continuou o desenvolvimento e foi perdendo sua dianteira (segundos preciosos que foram inicialmente repostos no braço pelos pilotos) até as ultimas provas. No Japão e na China, a verdade veio à tona e atualmente assombra o título de Felipe Massa e da própria Ferrari.


Massa desolado em Cingapura
A McLaren está muito mais rápida e provou isso, quando Hamilton colocou mais de meio segundo em cima do brasileiro na classificação e foi sempre mais rápida em ritmo de corrida, numa pista que todos apontavam a Ferrari como favorita.

A questão é que a equipe italiana foi relapsa a temporada toda, pois tinha ótimos pilotos, o carro mais rápido da pista e mesmo com tudo isso, cometeu erros bobos, não melhorou seu carro, dificultando muito a vida de seus pilotos e correndo o risco de perder também o título de construtores. E agora, Ferrari?

Nelsinho Piquet, o melhor
Piquetzinho pontuou mais uma vez na China e se confirma como o brasileiro com a melhor temporada de estréia na história da F1. Apesar de ainda não ter seu assento garantido para a próxima temporada, seus últimos resultados podem lhe abrir portas para ano que vem. Além de tentar se manter na Renault, seu nome já é ventilado na STR, junto com o de Bruno Senna e para o lugar de Barrichello dentro da Honda, já que a equipe japonesa deve contar com o patrocínio e fornecimento de combustível da brasileira Petrobrás. E, não contente em roubar a Petrobrás da Williams, a Honda também deve tirar a ING da Renault em 2009, abandonando a fase ecológica da equipe.

Olha os loucos na direção!
Entre Bernie Ecclestone e Max Mosley, dá pra ver o nível dos caras que comandam a F1.Depois da expulsão do GP do Canadá (que era querido por equipes e jornalistas), foi a vez do GP da França pedir pra sair (que era odiado por equipes e jornalistas), alegando inviabilidade financeira. Quando já estava ruim, sai a notícia que a F1 está pensando em padronizar os motores, o que representaria a morte da categoria como a conhecemos. E quando achamos que não podia mais piorar, Mosley dá sua primeira entrevista à imprensa inglesa e assume que é mesmo sado-masoquista há, pelo menos, 45 anos. Sem comentários.

Corinthians cresce na F-Superliga
Nesse último fim de semana, aconteceu em Estoril (Portugal), mais uma rodada da Fórmula Superliga. Depois de duas etapas, Antonio Pizzonia começa a pegar a mão do carro e os resultados começam a aparecer. Em Portugal, o “Jungle boy” conseguiu dois quartos lugares e já está crescendo bastante e ganhando destaque, junto com a categoria, na imprensa internacional.

Aposta da Semana:

Essa semana vou fazer uma aposta diferente. Com a vitória sobre o Bahia, aposto que o Corinthians vai ser campeão da série B, e que carimba a volta para a Série A nesse fim de semana, SEM ESTRELA DA VERGONHA na camisa, retornando ao lugar de onde jamais deveria ter saído.