sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A MAROLA QUE "TIFÚ" - por Gustavo Cavalheiro

A crise chegou sutilmente como as ondas de um tsunami no esporte mundial. Na mesma semana em que a Petrobrás anunciou a redução de suas leis internas de incentivo em 2009, mantendo a duras penas os patrocínios já existentes e fechando as portas para novas ações, vemos a Honda abandonando a fórmula 1 de vez.
Não que a Honda tenha feito grandes coisas em 2007 e 2008 no ponto de vista esportivo, mas o real motivo dessa fuga está associada a uma queda de mais de 30% de faturamento no mercado americano e a tendência de uma grande crise no setor, com o balanço e a possível falência das gigantes GM, Chrysler e Ford.
Dizem que a Williams e a Toyota são as novas bolas da vez, além da Toro Rosso que é a Red Bull - B (no quesito de investimentos), mas esse assunto automobilístico será melhor retratado na próxima terça-feira, pelo Diego Senra. Eu quero falar com vocês sobre a crise econômica e seus efeitos no esporte.
Reparem neste fim de semana as camisas dos times europeus em campo, as placas de backdrop nas entrevistas coletivas (que por lá são mostradas) e observem as empresas que patrocinam o esporte de altíssimo rendimento. Depois visitem um site de economia qualquer e vejam as manchetes das últimas semanas. Voilá! Bingo!
Se você fosse o diretor de uma empresa com problemas de liquidez, com um mercado tendendo a estagnação e um faturamento em queda: você manteria o investimento (sempre pesado) em patrocínios esportivos? Passaria para o mercado a sensação de que está mal das pernas? Aproveitaria a oportunidade para explorar os times e esportes oferecendo quantias muito menores por vagas crescentes deixadas em aberto?
Do COI (Comitê Olímpico Internacional) que perdeu 4 dos seus 10 patrocinadores (Kodak, Lenovo, Manulife e Johnson & Johnson) para os jogos de Londres, da Honda que fugiu da F1 mais rápido que andou na pista nos últimos anos, da AIG no Manchester United que está "demissionária" na camisa do time Premier League inglesa ao super-hiper-planejado (e festejado) São Paulo FC com seu 12 milhões de prejuízo no ano, sem a venda do seu Breno de 2008, a crise chegou pra ficar!
Ontem nosso estimado presidente, aquele que disse que a crise era marola, veio a público com analogias no mínimo criativas como Diarréias e um médico que fala para o seu paciente que ele "SIFÚ". Estamos bem escorados meus caros!
O mundo mudou! E a próxima janela de contratação européia DEVE trazer menos investimento para a bola, menos contratações e mais crise aos clubes brasileiros.
E o que você tem a ver com isso? Nada, em março eu quero que você dê uma olhada nas notícias financeiras dos clubes brasileiros e compare com os jogadores que estão em campo. Vai ter um desespero pra vender, até os bons jogadores, por preços de pernetas.
Quem compra? os mercados de países emergentes que impulsionados com a alta do dólar e o euro, qualquer time da Ucrânia, Catar ou Uzbequistão da vida leva.
Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come e no fim das contas é essa marola que “TIFÚ” e “FU...” seu time em 2009.