quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A POBREZA DO FUTEBOL BRASILEIRO - Por Rodrigo Curty


Os campeonatos da série A e B estão praticamente em sua reta final. O curioso é que independente da divisão, as disputas seguem equilibradas nas duas pontas da tabela. O motivo está longe de ser apenas pelo nível técnico dos clubes, mas se dá praticamente pela falta de estrutura física e financeira. Não temos super equipes, e as poucos que se sobressaem, tropeçam em momentos inesperados.
Hoje falo da série B. Com todo respeito as outras equipes, mas nesta divisão, o time que deveria estar nadando de braçadas era o Vasco, afinal é o de maior porte e títulos, mas atualmente o clube está na terceira colocação com 54 pontos, três a menos que Joinville e seis da Ponte Preta. Por sorte, se é que podemos dizer isso, o quinto colocado é o Ceará com 50, ou seja, mesmo que volte a tropeçar contra o líder na próxima rodada, o Vasco não sai do G4.
O importante no fundo para o torcedor vascaíno é voltar a série A, e isso é praticamente certo. A questão é que o Cruzmaltino atravessa, assim como outros clubes, inclusive da Série A, muitos problemas internos e financeiros. Se nos bastidores falam que Roberto Dinamite estragou o clube e que é um péssimo administrador, entre tantas outras coisas, do lado oposto estão os oportunistas e velhos conhecidos, que para o bem do futebol deveriam passar longe das frentes do comando. Nesse caso falo de Eurico Miranda. Se no passado, o futebol vibrou ao ver o que era tido como um câncer saindo de cena, agora o mesmo aposta que a doença foi curada e que um clube do tamanho do Vasco pode ter a salvação com o antigo presidente. Eu não me coloco entre essas pessoas, afinal o futebol brasileiro, a partir da CBF, precisa é de gestores e não chefões.
É necessário que se olhe com mais profissionalismo para os clubes. A folha salarial é uma discrepância. Os empresários são os principais donos das pratas das casas e portas de saída para vários lugares do Mundo. O deslumbre, falta de recursos, induções de possibilidades até então inimagináveis são os principais culpados dessa injusta concorrência. Os clubes deveriam ter uma garantia, como em outros tempos de que nenhum jogador poderia sair antes de completar 21 anos. A multa deve ser absurdamente alta, caso contrário, as agremiações continuarão produzindo e lapidando possíveis joias para os clubes de fora, que em menos de duas temporadas se enriquecem com as transações.
Há muito tempo vivenciamos às más gestões, os trabalhos pontuais, a escassez de bons meias e atacantes, óbvio. Hoje um jogador que corre vira lateral ou volante. Falta tempo de trabalho, antigos olheiros, disciplinadores e pessoas que conhecem do esporte bretão. Tudo que se vive hoje é o dinheiro e não a qualidade, infelizmente.
Até quando iremos esperar? Teremos ligas sendo formadas para bater de frente com a CBF? Claro que não, pois a Fifa precisaria reconhecer, e cá entre nós, é sabido que não interessa a mudança, afinal basta analisar que amistosos são realizados em locais inóspitos para interesses políticos e grana no bolso de quem não interessa.
Torço demais pela mudança, acredito que uma hora isso venha acontecer, mas por enquanto o que posso fazer é lamentar ter que acompanhar esse término de temporada da forma como está, mas ao mesmo tempo me empolgar em saber que do outro lado do mundo, ainda existem grandes clubes fazendo um espetáculo digno para os apaixonados.