segunda-feira, 23 de março de 2015

FLAMENGO E VASCO COMO NOS VELHOS TEMPOS - Por Rodrigo Curty


E o domingo no Rio de Janeiro foi emocionante para os rubro-negros e vascaínos presentes no Maracanã. O jogo foi encarado como uma verdadeira final e não faltou ingredientes. No Cruzmaltino lá estava Eurico Miranda que sempre deixou claro que vencer o rival tem um sabor mais especial que o de ser campeão. No Flamengo, a torcida provocava e tinha a esperança de manter o tabu de invencibilidade que durava nove jogos.
O palco da partida estava colorido, cheio, vibrante e eletrizante como nos velhos tempos do clássico que leva o apelido de “Clássico dos Milhões”. Se em outros tempos era possível ver em campo craques consagrados dos dois lados, nos atuais, pelo menos é possível ver bons e esforçados jogadores.
O duelo que foi equilibrado e envolvente nos mais de 90’ teve de tudo. Até a mística das fortes águas deixando o verão se fez presente. O Maraca ficou debaixo de um dilúvio antes mesmo dos 25’ de jogo. O campo virou uma piscina. Era poça em tudo que era lado. Lama, grama sem aparecer e as possibilidades de erros evidente. Foi assim que o bom goleiro Martín Silva vacilou ao repor a bola para o zagueiro Rodrigo. A bola parou na poça e Alecsandro como um raio chegou com tudo para estufar as redes. 1x0 e loucura no New Maracan. Na sequência a mesma poça, mas do outro lado quase ajuda o Vasco. Chute na trave. Era impossível continuar jogando nessas condições. Foi aí que o árbitro João Batista de Arruda paralisou a partida.
O prazo dado era de 30’, mas o regulamento do Cariocão rege no item III do artigo 64 que: "Quando ocorrer a suspensão da partida antes do início do segundo tempo, a mesma será anulada e remarcada para nova data". Assim, a torcida esperava que a drenagem desse sua cara e escoasse a água, os advogados do Flamengo que o jogo recomeçasse e os vascaínos de que era melhor paralisar e marcar nova data. Foi aí que os jogadores do Flamengo subiram ao gramado, enquanto os do Vasco se aquecessem no vestiário, uma vez que aparentemente não receberam as mesmas instruções da comissão de arbitragem, escondida nos bastidores.
A polícia militar deu às caras e informou que era impossível os torcedores saírem do estádio. O entorno parecia um rio, nada de pessoas ou transporte conseguindo passar. Assim, não teve jeito, após 50’ a bola voltou a rolar. O Vasco voltou ligado e conseguiu o empate com Gilberto. Canteros em seguida quase colocou o rubro-negro na frente. Na segunda etapa não teve jeito, o Flamengo voltou melhor taticamente e conseguiu a virada, após bela jogada de Marcelo Cirino que sofreu pênalti de Guiñazú. Alecsandro marcou. Daí para frente eram chances perdidas dos dois lados, expulsões, provocações e ambas as torcidas felizes pelo jogo ter continuado. O Vasco segue à frente do rival, mas agora sem a folga que desejava.
No Rio de Janeiro o equilíbrio é tanto que até agora cada grande venceu um clássico. É aguardar os próximos capítulos para ver quem fará melhor o seu papel.
Até a próxima!